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Ponto de não retorno é um limiar crítico além do qual um sistema se reorganiza, muitas vezes de forma abrupta e/ou irreversível

Ponto de não retorno”, ou “tipping point”, em inglês, é um limiar crítico além do qual um sistema se reorganiza, muitas vezes de forma abrupta e/ou irreversível, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Em outras palavras, o conceito é utilizado para indicar o momento em que as mudanças climáticas não poderão mais ser revertidas.

A instituição afirma que atravessar os pontos de não retorno pode perturbar irreversivelmente os sistemas naturais que mantiveram o clima do planeta Terra estável por milhares de anos. 

O uso do termo “ponto de não retorno” se tornou mais frequente no Brasil nos últimos anos, devido às estimativas científicas que preveem a conversão da Floresta Amazônica em um ambiente seco, com cenários de vegetação rala e esparsa. Estudos publicados nas revistas Science e Nature sugerem que os principais responsáveis pela savanização da Amazônia são o desmatamento, as queimadas e as mudanças climáticas.

Groenlândia

Ártico
Imagem de Annie Spratt em Unsplash

A Groenlândia é uma região autônoma pertencente à Dinamarca e a maior ilha do mundo. Ela fica localizada a leste das ilhas do Canadá, entre o Oceano Ártico e o Oceano Atlântico. A Groenlândia possui um território de cerca de  2.166.086 km², em que ⅔ encontram-se cobertos por geleiras. Por isso, ela é comumente comparada com a Antártica

É possível que já seja tarde demais para reverter o derretimento do gelo na Groenlândia. De acordo com um estudo, o aquecimento contínuo e acelerado da atmosfera terrestre está fazendo com que as camadas de gelo na ilha derretam mais rápido do que os cientistas imaginavam, o que provavelmente levará a uma elevação mais rápida do nível do mar.

Os cientistas já sabiam há muito tempo sobre o derretimento do gelo nas regiões sudeste e noroeste da Groenlândia, onde grandes geleiras têm perdido pedaços de gelo do tamanho de icebergs para o Oceano Atlântico. Esses pedaços flutuam pelo oceano e eventualmente acabam derretendo. No novo estudo, porém, os cientistas descobriram que a maior perda de gelo do início de 2003 a meados de 2013 veio da região sudoeste da Groenlândia, que é desprovida de grandes geleiras.

“O que quer que fosse não poderia ser explicado pelas geleiras, porque não há muitas lá. Tinha que ser a massa da superfície – o gelo estava derretendo para o interior da costa”, diz Michael Bevis, principal autor do estudo, professor de geodinâmica na Universidade Estadual de Ohio, nos EUA.

Esse derretimento significa que, na parte sudoeste da Groenlândia, rios de gelo derretido estão fluindo para o oceano durante o verão. Esta região, que anteriormente não era considerada uma ameaça, provavelmente se tornará um importante contribuinte futuro para o aumento do nível do mar. “Sabíamos que tínhamos um grande problema com o aumento das taxas de descarga de gelo através da saída de algumas grandes geleiras. Mas agora reconhecemos um segundo problema sério: cada vez mais, grandes quantidades de massa de gelo vão sair como água de degelo, como rios que correm para o mar”.

Amazônia

A Amazônia é uma região de 8 milhões de km2 que se estende por nove países da América do Sul, incluindo Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname, França (Guiana Francesa) e Brasil. Este último detém 60% da Amazônia.

Além de abrigar o maior reservatório de água doce do mundo, ela detém a maior biodiversidade do planeta, está localizada na maior bacia hidrográfica do mundo e possui o maior rio do mundo em volume de água: o rio Amazonas, com 6.937 km de extensão. Assim, é uma significativa fornecedora de serviços ecossistêmicos e território de povos originários.

A Amazônia possui grande importância para a estabilidade ambiental do planeta. Em suas florestas estão fixadas mais de uma centena de trilhões de toneladas de carbono. Ainda, sua massa vegetal libera algo em torno de sete trilhões de toneladas de água anualmente para a atmosfera, através da evapotranspiração, e seus rios descarregam cerca de 20% de toda a água doce que é despejada nos oceanos pelos rios existentes no globo terrestre.

O rápido aumento das temperaturas globais, muitas vezes na forma de ondas de calor e secas, e o desmatamento estão empurrando a Amazônia para além de seus limites adaptativos e em direção ao seu ponto de não retorno: uma transição de floresta tropical para savana.

Como dito anteriormente, a floresta age como um ar-condicionado gigante, reduzindo as temperaturas da superfície terrestre e gerando chuva. Ao atingir o ponto de não retorno, a Amazônia não manterá mais a cobertura vegetal necessária para a reciclagem de chuva e a manutenção da floresta, tornando-se uma savana.

Como ocorre a savanização

A savanização ocorre por meio do processo de degradação da vegetação, como é o caso de plantio de monoculturas, desmatamento e queimadas. Em um estudo, o pesquisador Bernardo Monteiro Flores mostrou que há duas principais causas da savanização da Amazônia: a expansão da fronteira agrícola ao redor do bioma — que ele chama de  “arco do desmatamento” —, e um processo de savanização que parte do centro da Amazônia, bem longe da fronteira agrícola e gerado principalmente por conta de incêndios.

Mas a savanização também é influenciada pelas mudanças climáticas, aumento da temperatura, mudanças no regime de chuvas e alteração da paisagem, como ravinamentos (formação de sulcos no solo) no domínio dos mares de morros decorrentes da atividade cafeeira desenvolvida no século passado no Brasil.

As árvores de savana representam 11% da cobertura vegetal da Amazônia, conhecidas pela população local de “campinas”, elas são semeadas por meio da ação da água, peixes e aves. Esse tipo de cobertura vegetal é mais resiliente do que as florestas inundáveis, chamadas de florestas de igapó ou de igarapé. Segundo os pesquisadores, em entrevista para a Agência Fapesp, se o clima amazônico se tornar mais seco e os incêndios mais intensos e frequentes, as florestas inundáveis desaparecerão. 

Como combater as mudanças climáticas e evitar os pontos de não retorno?

Algumas ações de precaução contra as mudanças climáticas são a redução das emissões de gases do efeito estufa e os efeitos no aquecimento global. A diminuição do desmatamento, investimentos no reflorestamento e na conservação de áreas naturais, incentivo do uso de energias renováveis não convencionais, preferências pela utilização de biocombustíveis a combustíveis fósseis, investimentos na redução do consumo de energia e na eficiência energética, redução, reaproveitamento e reciclagem de materiais, investimentos em tecnologias de baixo carbono, melhorias no transporte público com baixa emissão de gases do efeito estufa também são algumas das possibilidades. E estas medidas podem ser estabelecidas por meio de políticas nacionais e internacionais de clima.