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Pirossomas são colônias de organismos aquáticos que chamam atenção pela sua bioluminescência

Os pirossomas são organismos coloniais compostos de centenas a milhares de clones individuais chamados zoóides – cada um com um coração e um cérebro – que trabalham juntos para se mover, comer e respirar. As colônias podem ser tão pequenas quanto um lápis, como atingir 18 metros de comprimento. Os pirossomas são encontrados em oceanos abertos e podem viver em profundidades extremas, o que pode explicar por que eles não são vistos frequentemente.

O termo “pirossoma”, que em grego se traduz como “corpo de fogo”, é derivado de suas exibições luminescentes únicas, que podem ser acionadas pelo toque ou luz. Apesar desses organismos chamarem a atenção de cientistas desde o século XVIII, diversas informações a seu respeito permanecem indefinidas.

Características dos pirossomas

Pesquisas sugerem que os pirossomas se alimentam filtrando a água rica em plâncton e, em seguida, expelem-a para o interior oco da colônia. “A força combinada de cada zoóide expelindo água para essa cavidade e, portanto, para fo da retaguarda da colônia, a impulsiona”, explica o biólogo David Bennett.

Eles têm a forma de tubos longos, abertos em uma extremidade. Esta, através da qual expelem a água filtrada, pode ter até 1,8 metros de diâmetro – grande o suficiente para um ser humano caber dentro.

Além disso, estudos apontam para a importância dos pirossomas em ambientes marinhos, já que podem formar densas florações que impactam a dinâmica da teia alimentar e contribuem para a movimentação e transformação do carbono orgânico.

Bioluminescência

Bioluminescência é um termo utilizado para fazer referência à capacidade de alguns seres vivos de emitir luz fria e visível. Em geral, esse fenômeno ocorre em uma grande diversidade de organismos, sendo encontrados nos filos AnnelidaArthropodaChordataCnidariaCtenophoraEquinodermata e Mollusca. A bioluminescência apresenta como papel primordial a comunicação biológica, como defesa, atração de presas e atração sexual. Vale ressaltar que esse fenômeno não ocorre em plantas, anfíbios, répteis, aves ou mamíferos.

Pesquisas afirmam que a bioluminescência pode ser utilizada para a comunicação intraespecífica por meio de padrões e frequências das luzes, tendo elevada importância nos processos reprodutivos.

Outra função importante da bioluminescência é a sinalização interespecífica, cujo intuito principal corresponde ao de atração da eventual presa para uma emboscada, ou o contrário, o mimetismo para desestimular um predador, imitando outro animal ou simulando um tamanho corpóreo maior que o real, ambos associados a um comportamento defensivo. Peixes abissais ainda utilizam o recurso com forma de iluminar, como uma lanterna, o crepúsculo marinho.

Importância dos pirossomas

Um estudo realizado com um navio de investigação chamado Geomar Poseidon mostrou que os pirossomas formam um importante substrato biológico na coluna d’água que outros animais usam para se estabelecer, se abrigar ou como fonte de alimento.

Além disso, demonstrou que eles desempenham um papel fundamental no transporte vertical de carbono orgânico nas águas. Os pirossomas migram de cima para baixo na coluna d’água diariamente para se alimentar. Durante essa migração, eles transportam ativamente suas fezes para as profundezas, enquanto também liberam carbono pela respiração.

Ao morrerem, os pirossomas servem de alimento para os organismos que vivem no fundo do oceano. “Do navio, observei que os pirossomas eram consumidos no fundo do mar por decápodes, como caranguejos grandes, camarões e caranguejos eremitas, ilustrando seu importante papel como alimento para necrófagos”, diz o biólogo marinho e coautor Rui Freitas do Instituto da Marinha da Universidade Técnica do Atlântico.