Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

Ecotoxicologia é o estudo da influência das substâncias tóxicas sobre o meio ambiente

Imagem de CDC em Unsplash

A ecotoxicologia é a ciência que estuda os efeitos das substâncias químicas naturais ou artificiais sobre os organismos vivos, sendo uma ferramenta auxiliar nas análises de impactos ambientais causados por tais elementos, estimando assim sua toxicidade em relação ao organismo teste utilizado. Esta trata de movimentos de poluentes no ar, água, solos e sedimentos através da cadeia alimentar, com as transformações químicas e a biotransformação.

A ecotoxicologia pode ser entendida como a junção de ecologia e toxicidade. Ecologia é o estudo da interação dos seres vivos entre si e com o meio ambiente em que vivem; toxicologia é uma ciência que procura entender os tipos de reações causadas por substâncias químicas, bioquímicas e os processos biológicos responsáveis por tais efeitos, levando em conta a sensibilidade de diferentes tipos de organismos e as relativas toxicidades de diferentes substâncias. Assim, o objetivo da ecotoxicologia é entender e prever efeitos de substâncias químicas em seres vivos e comunidades naturais.

História da ecotoxicologia

O termo ecotoxicologia foi cunhado por René Truhaut em 1969, que o definiu como sendo “o ramo da toxicologia preocupado com o estudo de efeitos tóxicos causados por poluentes naturais ou sintéticos, sobre quaisquer constituintes dos ecossistemas: animais (incluindo seres humanos), vegetais ou micro-organismos, em um contexto integral”.

A publicação do livro “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson em 1962 marcou a separação da ecotoxicologia da toxicologia clássica. O elemento revolucionário introduzido pela autora foi a extrapolação dos efeitos sobre um único organismo para todo um ecossistema.

A ecotoxicologia é uma disciplina ampla, já que incorpora aspectos de ecologia, toxicologia, fisiologia, biologia molecular e química analítica. Como ressaltado anteriormente, essa área do conhecimento possui a finalidade de predizer os efeitos dos poluentes, de tal forma que se um incidente ocorrer, seja possível definir ações efetivas para remediar as consequências causadas por essas substâncias tóxicas.

Em ecossistemas que já estão impactados pela poluição, estudos ecotoxicológicos podem informar qual é o melhor modo de ação para que o ecossistema seja capaz de recuperar seus serviços e funções.

O que é um teste ecotoxicológico

O teste ecotoxicológico, também chamado de bioensaio, é utilizado para medir os efeitos de diferentes concentrações de uma amostra em indivíduos de uma determinada espécie. A concentração de efeito ou a concentração letal corresponde à concentração da amostra responsável pelo efeito em 50% dos organismos testados, sendo representadas pelas siglas CE50 e CL50, respectivamente.

Esses testes podem ser agudos ou crônicos, consoante à sua duração e ao efeito observado. No caso dos testes agudos, o efeito avaliado relaciona-se com as taxas de mortalidade, de imobilização ou de inibição do crescimento e quanto mais baixo for este valor, mais elevada é a toxicidade da amostra, o que muitas vezes conduz a interpretações errôneas dos resultados obtidos.

Dessa maneira, começou a utilizar-se a Unidade de Toxicidade (UT), que corresponde a (1/CE50*100) para expressão dos resultados. Os testes ecotoxicológicos podem ser feitos utilizando organismos aquáticos ou terrestres e variam de acordo com o tipo de estudo realizado. Estes estudos podem ser elaborados ao nível do indivíduo, da população, da comunidade e até do ecossistema, podendo prolongar-se durante vários anos.

Exemplos de organismos utilizados nos testes ecotoxicológicos

Diversos organismos podem ser utilizados nos testes ecotoxicológicos, como:

Vibrio fischeri

Vibrio fischeri é uma bactéria marinha não patogênica e que emite luz naturalmente. De acordo com estudos, o metabolismo desse organismo pode ser afetado por baixas concentrações de substâncias tóxicas, o que interfere diretamente na intensidade da radiação emitida. Quando mais elevada for a toxicidade, maior é o grau de inibição da produção de luz.

Daphnia magna

Daphnia magna é um microcrustáceo de água doce, pertencente à Ordem Cladocera, vulgarmente denominada de “pulga de água” devido ao seu estilo de natação que se assemelha a pequenos “saltos”. Em condições favoráveis, esse organismo se reproduz assexuadamente por partenogênese. No entanto, em situações ambientais adversas, ele passa a se reproduzir sexuadamente e dá origem a ovos resistentes – egípcia.

Ecotoxicologia no Brasil

A principal ferramenta legal brasileira que regulamenta o controle do lançamento de efluentes e a qualidade da água nos corpos hídricos é a Resolução CONAMA n°357/05, complementada e alterada pela CONAMA n°430/11, que dispõem sobre as condições e padrões de lançamentos de efluentes. Em decorrência do aumento da poluição de corpos de água, essa resolução define os bioensaios como testes realizados para determinar o efeito deletério de agentes físicos ou químicos para diversos organismos aquáticos, com intuito também de avaliar o potencial de risco à saúde humana.

Existe ainda, uma série de organizações que recomendam a utilização de diversos procedimentos em diferentes espécies animais para a comprovação mais segura dos ensaios ecotoxicológicos, dentre eles a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A ABNT elabora as normas para os bioensaios, padronizando o tipo de procedimento que deve ser realizado e buscando adaptar esses testes às necessidades do país.



Veja também: