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Pegada de carbono da inteligência artificial é um obstáculo à sua utilização no combate às mudanças climáticas

A pegada de carbono da inteligência artificial (IA) se refere às emissões de carbono equivalentes da produção e do funcionamento de IAs. Apesar dessa tecnologia ter grande potencial para a manutenção do meio ambiente, ela também emite uma quantidade significativa de gases de efeito estufa na atmosfera. 

Para entender melhor a pegada de carbono da inteligência artificial, é preciso saber como essa tecnologia funciona. Para isso, confira a matéria “Inteligência artificial e sustentabilidade”. 

Inteligência artificial como uma oportunidade sustentável

Com maior desenvolvimento da inteligência artificial no mercado da tecnologia, os cientistas têm defendido cada vez mais o seu uso na luta contra problemas ambientais, como o aquecimento global. As aplicações de IAs podem criar redes de energia distribuída limpa, agricultura de precisão, cadeias de suprimentos sustentáveis, monitoramento ou fiscalização ambiental. 

Além disso, as inteligências artificiais podem fazer a prevenção de desastres ambientais. Com o avanço da tecnologia de deep learning, os aplicativos de IA ajudam o ser humano a entender a melhor forma de responder a essas catástrofes, de uma maneira nunca tentada antes. 

Sem contar que a inteligência artificial é essencial para a produção de pesquisas e dados sobre o clima e o meio ambiente, utilizados para o combate de desinformação sobre a mudança climática. Com a maior preocupação da sociedade, as empresas também se movimentam para ter uma produção mais sustentável — para atender a demanda de seu público — , e assim, buscam por tecnologias eco-friendly

No entanto, as coisas não são tão simples assim. A indústria da tecnologia é responsável por cerca de 2% das emissões globais de gases, segundo dados da Insper, e isso inclui a inteligência artificial.

Pegada de carbono da inteligência artificial

Inteligência artificial como uma ameaça ao clima na Terra

Estudos, como os publicados na revista Nature Climate Change e pela University of California at Berkeley, levantaram os possíveis impactos negativos das IA na natureza. As pesquisas ainda apontam como evitar ou reduzir consideravelmente a pegada de carbono da inteligência artificial. 

O estudo da revista Nature afirma que existem três categorias de pegada de carbono da inteligência artificial, elas são:

1. Impactos da energia computacional e dos hardwares usados para o treinamento, desenvolvimento e a execução dos algoritmos da IA; 

No primeiro caso, os estudiosos se referem aos centros que armazenam os dados e os equipamentos necessários para o funcionamento da inteligência artificial. Esses lugares são responsáveis pelo treinamento e desenvolvimento das tecnologias. Desta forma, quando elas chegam na mão dos clientes, sabem reconhecer falas, frases, rostos, sons e até mesmo formatos.

No caso de grandes empresas de tecnologia, os centros de dados, ou data centers, ocupam muito espaço e consomem muita energia durante o treinamento das máquinas. Ou seja, são responsáveis por uma quantidade significativa de emissões de CO2

Caso o data center seja localizado em uma região onde a fonte de energia é derivada de combustíveis não renováveis, como petróleo ou carvão mineral, a pegada de carbono da inteligência artificial vai ser impactante. Porém, se ele estiver em uma área de energia eólica, ou outras fontes renováveis, acontece uma redução significativa nas emissões. 

De acordo com estudo realizado pela University of California at Berkeley, em conjunto com a Google, a localidade do centro de dados é fundamental para tornar as IAs mais sustentáveis. Desta forma, empresas podem mudar seus data centers para regiões com energia renovável. 

Outro fator que pode ajudar é optar por países com clima frio, o que ajuda na manutenção das máquinas e reduz o seu consumo de eletricidade. Trabalhar para obter tecnologias mais rápidas e eficazes também pode ser a chave para reduzir a pegada de carbono da inteligência artificial. Afinal, hardwares que funcionam com menor consumo de energia  podem diminuir o uso de recursos naturais de empresas tecnológicas. 

2. Os impactos causados pela aplicação dessas tecnologias, como a utilização na otimização de energia nos edifícios (reduz emissões) e a aceleração da exploração de combustíveis fósseis (aumenta as emissões); 

A segunda categoria se trata da forma que a inteligência artificial vai ser encaminhada para uso no mercado. Quando utilizada para otimizar processos de restauração e proteção ambiental, ela ajuda na redução das emissões de gases poluentes. 

Porém, caso seja direcionada para acelerar a exploração de combustíveis fósseis ou para aprimorar as técnicas da pecuária, a pegada de carbono da inteligência artificial vai ser grande. Isso porque a pecuária é responsável por 50% das emissões de gases de efeito estufa. Enquanto isso, a exploração de combustíveis fósseis ou de recursos minerais afeta não apenas a atmosfera, como também as condições de trabalho e existência de diversos indivíduos.

3. Impactos estruturais de sistema, que são causados pela forma que os indivíduos se comportam diante do uso das IAs;

As inteligências artificiais também podem ser usadas para a distribuição da publicidade. Logo, os anúncios publicitários que você recebe em seu celular ou seu computador, que são específicos para as suas buscas, são divulgados por esse tipo de tecnologia.

A forma como as IAs trabalham nesta função é simples, elas coletam dados que a pessoa expõe na internet e disponibiliza para ela os anúncios que estão de acordo com a sua vontade. 

Mas como isso pode influenciar a pegada de carbono da inteligência artificial? Quando uma pessoa encontra um anúncio oferecendo o produto que ela procura, pelo preço que lhe agrada, ela não pensa duas vezes antes de comprar. A partir do momento que esse processo se repete incansavelmente, a sociedade consome mais produtos, a indústria produz mais, e consequentemente emite mais gases como o dióxido de carbono.

Para evitar isso, é possível aderir a movimentos de minimalismo, onde o indivíduo se dedica a consumir menos. Assim ele gera menos resíduos e a demanda da indústria diminui. Para entender mais sobre o assunto, confira a matéria: “Minimalismo e sustentabilidade: como viver mais com menos”.

Pegada de carbono da inteligência artificial e direitos humanos 

Para além da pegada de carbono da inteligência artificial gerada pelo seu uso e treinamento, a produção das peças que compõem essas tecnologias também são um problema para a mudança climática e os direitos humanos

Para que você consiga comprar uma assistente digital de grandes marcas, existe toda uma produção. Esse processo requer a extração de minerais,o uso de plástico e outros recursos que aumentam a pegada de carbono.

A indústria de extração de minérios  é conhecida por seu histórico de trabalho análogo a escravidão. Como as produtoras de tecnologia costumam trabalhar com esses materiais, elas também alimentam esse problema. Logo, a pegada de carbono da inteligência artificial não é o único lado ruim dos produtos tecnológicos. 

É preciso buscar equilíbrio 

Da mesma forma que a inteligência artificial pode servir para melhorar questões ambientais, a sua criação precisa ter características ecológicas. Para que a sua função final seja efetiva, a indústria precisa mudar seus métodos de produção, de forma que ocorra menos emissões possíveis e ninguém seja afetado negativamente.