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Sobras de alimentos em boas condições podem ser compartilhadas em uma geladeira comunitária e ajudar a combater a fome

Criar uma geladeira comunitária é uma forma de ajuda que pode atender a demanda de pessoas em insegurança alimentar, e diminuir o desperdício de alimentos. O uso da geladeira comunitária ganhou espaços de debate durante o avanço da pandemia do coronavírus devido ao aumento dos casos de fome e da preocupação com o meio ambiente.

Entretanto, é preciso lembrar que esta é uma ferramenta de mitigação da fome. Para gerar acesso a alimentos de forma saudável e em longo prazo, os países precisam lutar por soberania alimentar e redução das desigualdades sociais com políticas públicas.

A geladeira comunitária funciona como um meio da vizinhança trocar comida. Pessoas que têm alimentos sobrando os deixam na geladeira comunitária, para que indivíduos que estão com fome possam se alimentar de graça. Qualquer pessoa pode ter acesso à geladeira comunitária.

As geladeiras comunitárias costumam surgir da iniciativa de um indivíduo, ou mais, de montá-las em uma região específica. Depois de ser inaugurada e estar pronta para o uso, a geladeira comunitária ainda conta com a ajuda de voluntários. Pessoas que ficam responsáveis por fazer a captação das doações de sobras de alimentos dos grandes comércios.

Bancos de alimentos

Uma iniciativa semelhante à geladeira comunitária é o Banco de Alimentos. Este tipo de instituição é uma estrutura física e ou logística que recebe doações de alimentos oriundos do setor privado e público. Ou seja, trabalha com a sobra de comida doada por diversos tipos de empresas.

Em vez de serem desperdiçados, esses alimentos são doados e armazenados pelo Bando de Alimentos. Ele ficará responsável por distribuir, de forma gratuita, toda a comida que chegar por meio de doação.

A diferença entre a geladeira comunitária e o Banco de Alimentos é a sua acessibilidade. Muitas das vezes, o Banco de Alimentos é localizado em apenas uma região. O que pode gerar acesso restrito a pessoas que não conseguem se locomover com facilidade.

Logo, a geladeira comunitária se torna uma opção mais acessível para aqueles que não têm a possibilidade de fazer grandes viagens. Essa pessoa poderá desfrutar da doação de alimentos se locomovendo apenas em sua região.

Redução de desperdício

Como já foi mencionado, uma das funções da geladeira comunitária é reduzir o desperdício de alimentos. Segundo a Food and Agriculture Organization (FAO), mais de 30% da produção mundial de alimentos é desperdiçada todos os anos. O Brasil é tido como um dos dez países que mais desperdiçam alimentos no mundo, sendo responsável pela perda de 35% da sua produção anual.

Também de acordo com a FAO, cada brasileiro desperdiça, em média, cerca de 41,6 quilos de alimentos por ano. Essa atitude só reforça ainda mais a questão da insegurança alimentar no país. Afinal, alguns alimentos produzidos nas fábricas, colheitas e restaurantes não chegam ao mercado.

Em vez de serem destinados a pessoas em situação de insegurança alimentar, eles acabam indo para a lixeira. Gerando cada vez mais um acúmulo de resíduo orgânico. Uma instituição, seja pública ou privada, que opta por doar seus alimentos para uma geladeira comunitária, está trabalhando para diminuir a insegurança alimentar e melhorar sua política ambiental.

Este tipo de ajuda tem como objetivo solucionar questões socioambientais, que impedem a sociedade de evoluir para uma vida mais sustentável e saudável. Assim, a adoção da geladeira comunitária é uma resposta simples e viável para auxiliar indivíduos em situação de fome e ainda diminuir a produção de lixo orgânico no planeta.

Insegurança alimentar

Uma pessoa em estado de insegurança alimentar não tem acesso regular ou permanente aos alimentos em quantidade suficiente para sua saúde e sobrevivência. Dessa forma, ela pode chegar a uma situação de fome, condição que mata 11 pessoas por segundo em todo o mundo — segundo a Organização Não Governamental Oxfam.

Na pandemia, o número de pessoas com algum tipo de insegurança alimentar aumentou no Brasil. De acordo com uma pesquisa, em áreas rurais e urbanas 116,8 milhões de pessoas sofrem deste problema. Sendo que 43,4 milhões não contam com a quantidade suficiente de alimentos e 19,1 milhões estão em estado de insegurança alimentar grave, a fome.

Uma pessoa com fome é uma pessoa que não está saudável. Afinal, ela não tem acesso aos nutrientes e a energia necessária para exercer funções do dia a dia, como trabalhar, cuidar da casa ou da família. A fome afeta tanto a saúde física como a mental.

Por isso, a geladeira comunitária pode ser uma ferramenta na luta contra a insegurança alimentar. Já que existem pessoas dispostas a doarem seus alimentos para reduzir o desperdício, também existem aqueles dispostos a receber para poder ter uma refeição. Mas é preciso lembrar que esta é apenas uma ferramenta de mitigação da fome. Para gerar acesso aos alimentos em longo prazo, é preciso lutar por soberania alimentar e redução das desigualdades sociais com poĺíticias públicas.

Voluntários da geladeira comunitária

Existem duas formas de criar uma geladeira comunitária. Você pode oferecer ajuda depositando um alimento sempre que achar necessário — cada geladeira comunitária tem suas regras específicas sobre a doação de alimentos. Ou, você pode se juntar ao grupo de voluntários responsáveis pelos cuidados da geladeira comunitária.

Para realizar essa última opção, é preciso entrar em contato com o grupo voluntário e entender suas responsabilidades. Muitas vezes o grupo tem o papel de fazer a manutenção da geladeira comunitária e também administrar e captar grandes doações para o projeto, recebendo e repassando todo o alimento que for dado por empresas.

Se a sua região não contar com nenhum tipo de geladeira comunitária, que tal começar a sua? Para isso é preciso seguir alguns passos importantes:

  • Converse com sua comunidade, entenda suas necessidades e como você pode ajudar;
  • Monte um grupo de voluntários dispostos a trabalhar no projeto assim como você;
  • Entre em contato com instituições que costumam oferecer apoio para a instalação de geladeiras comunitárias. No Brasil, a instituição Freedge foi responsável pela instalação de diversas geladeiras;
  • Entre em contato com possíveis doadores de grande escala;
  • Crie um ambiente confortável para que as pessoas não tenham medo de doar e de retirar alimentos a qualquer momento;