Conheça as propriedades do café

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Café tem altos níveis de antioxidantes, o que ajuda na prevenção de doenças, mas também exige cuidados

Café
Imagem em Nathan Dumlao no Unsplash

O café é uma bebida feita a partir das sementes do cafeeiro, uma espécie de planta pertencente ao gênero Coffea, originária da Etiópia. Depois de torrados, os grãos de café são moídos e dão origem à bebida, que pode ser feita por meio de vários métodos de extração.

O café começou a ser consumido no Iêmen e, a partir dali, o costume se espalhou pela Africa do Norte, Europa, e para o restante do mundo. A planta é cultivada em mais de 70 países e, em 2016, o Brasil liderou a produção, com cerca de um terço do total cultivado como comódite.

Com efeito estimulante, o café pode ser bebido quente e gelado, puro, com açúcar, especiarias, com leite, leite de coco... As opções são várias e incluem desde o famoso espresso até drinks sofisticados feitos com café. Estudos concluíram que, apesar de poder aumentar a ansiedade, o café proporciona muitos benefícios à saúde, já que é rico em antioxidantes.

Como é feito

Antes de chegar na sua xícara, o café passa por uma longa cadeira de produção, que envolve cuidados com o solo, escolha de sementes, colheita no momento apropriado e todo o processamento necessário até que os grãos sejam moídos e embalados. A qualidade do café depende de todos esses processos, sendo que um café melhor exige rigor na seleção das sementes, armazenamento e torras apropriadas.

As sementes de café podem ser colhidas em vários estágios. O pó de café mais simples em geral é feito com sementes que são colhidas já maduras, já que o café não amadurece fora do pé. Mas existem vários tipos de colheita, incluindo opções de colheita do café verde (muito usado em café premium) ou do grão amarelo ou vermelho. Na colheita, os grãos podem acabar se misturando com terra e galhos, o que exige um processo detalhado de separação (nos pós mais baratos, essa seleção é menos rigorosa e por isso pode persistir um sabor terroso na bebida final).

A produção de café foi um dos grandes impulsores da atividade econômica no estado de São Paulo a partir do século XIX. A expansão desse cultivo foi também uma das culturas que mais destruiu a Mata Atlântica, junto com a cana-de-açúcar. O bioma sofreu grandes impactos com a ocupação territorial brasileira, focada inicialmente na costa, região de domínio da Mata Atlântica.

Benefícios do café

Os principais benefícios do café para a saúde incluem proteção contra diabetes tipo 2, doença de Parkinson, doença hepática e câncer de fígado. A bebida também ajuda a melhorar a saúde do coração, desde que consumida sem exageros. Saiba mais:

1. Ajuda no combate de câncer de fígado

Pesquisadores italianos descobriram que o consumo de café reduz o risco de câncer de fígado em cerca de 40%. Os resultados sugerem que pessoas que bebem três xícaras por dia podem ter um risco 50% menor. Além disso, uma revisão da literatura de 2019 concluiu que "a ingestão de café provavelmente reduz o risco de câncer de fígado".

2. Protege contra diabetes tipo 2

O café pode ajudar a proteger contra diabetes tipo 2. Em 2014, pesquisadores que coletaram dados sobre mais de 48.000 pessoas descobriram que aqueles que aumentaram seu consumo de café em pelo menos uma xícara por dia durante 4 anos tiveram um risco 11% menor de diabetes tipo 2 do que aqueles que não aumentaram a ingestão.

Uma meta-análise de 2017 concluiu que as pessoas que bebiam de quatro a seis xícaras de café com cafeína ou descafeinado por dia pareciam ter um risco menor de síndrome metabólica, incluindo diabetes tipo 2

3. Reduz o risco de desenvolver doenças hepáticas

Uma meta-análise de 2017 concluiu que o consumo de qualquer tipo de café parecia reduzir o risco de câncer de fígado, doença hepática gordurosa não alcoólica e cirrose. Pessoas que consomem café também podem ter um risco menor de desenvolver cálculos biliares.

Em 2014, os pesquisadores analisaram o consumo de café entre pessoas com colangite esclerosante primária (PSC) e cirrose biliar primária (PBC). Estas são doenças autoimunes que afetam os dutos biliares no fígado. Eles descobriram que as pessoas com PSC tinham maior probabilidade de consumir menos café do que aquelas sem a doença. Não houve evidências que sugerissem que a ingestão de café era diferente entre pessoas com ou sem PBC.

Além disso, um estudo de 2014 sugeriu uma ligação entre o consumo de café e um menor risco de morrer de cirrose relacionada à hepatite não viral. Os pesquisadores sugeriram que beber duas ou mais xícaras de café todos os dias pode reduzir o risco em 66%.

4. Protege contra doença de Parkinson

Vários estudos mostraram que a cafeína, presente no café e em muitas outras bebidas, pode ajudar a proteger contra a doença de Parkinson. Uma equipe concluiu que homens que bebem mais de quatro xícaras de café por dia podem ter um risco cinco vezes menor de desenvolver Parkinson do que aqueles que não bebem café. Além disso, outra pesquisa mostra que a cafeína do café pode ajudar a controlar o movimento em pessoas que já têm Parkinson.

As descobertas de uma meta-análise de 2017 sugeriram uma ligação entre o consumo de café e um menor risco de doença de Parkinson, mesmo entre pessoas que fumam. Essa equipe também descobriu que as pessoas que bebem café podem ter menos probabilidade de sofrer de depressão e problemas cognitivos, como o mal de Alzheimer. Porém, as pesquisas não encontraram evidências suficientes para provar que beber café descafeinado ajudaria a prevenir a doença de Parkinson.

5. Melhora a saúde do coração

Um estudo concluiu que beber café com moderação, ou consumir cerca de duas porções de 240 ml por dia, pode proteger contra a insuficiência cardíaca. Pessoas que bebiam quantidades moderadas de café todos os dias tinham um risco 11% menor de insuficiência cardíaca do que aquelas que não bebiam.

Uma meta-análise de 2017 descobriu que o consumo de cafeína pode ter pelo menos um pequeno benefício para a saúde cardiovascular, incluindo melhoras na pressão arterial. Alguns estudos, no entanto, encontraram níveis mais elevados de lipídios (gordura) e colesterol no sangue em pessoas que consumiram mais café.

Cuidados ao beber café

O café é rico em cafeína, a substância psicoativa mais consumida em todo o mundo. A cafeína tem um efeito acentuado sobre a função mental e comportamental. Ela inibe os receptores de adenosina, um neurotransmissor que age no controle da frequência cardíaca, da pressão sanguínea e da temperatura corporal - essa substância é a responsável por induzir as sensações de sono e cansaço, por exemplo.

Como a cafeína inibe sua ação, acaba provocando os efeitos contrários. É por isso que o consumo de cafeína está relacionado com o aumento da concentração, melhora do humor e controle de peso, entre outros. Porém, doses altas podem provocar efeitos adversos como insônia, agitação, irritabilidade, dor de estômago, batimentos cardíacos acelerados e tremores musculares. Pessoas que não costumam ingerir cafeína com frequência podem sentir os efeitos negativos mesmo em baixas doses.

Uma xícara de café contém entre 60 mg e 150 mg de cafeína, dependendo do tipo de café. O menor valor (60 mg) corresponde a uma xícara de café solúvel instantâneo, enquanto um café coado pode chegar a 150 mg de cafeína por xícara. Já uma lata de refrigerante de cola apresenta em torno de 34 mg a 41 mg de cafeína - no caso de bebidas energéticas o valor varia muito, mas costuma ser na faixa de 80 mg.

De acordo com um relatório publicado pelo comitê científico da European Food Safety Authority (EFSA), o limite de segurança quanto à ingestão diária de cafeína seria, em média, de 400 mg ao dia (cerca de quatro xícaras de café) por indivíduos adultos com cerca de 70 kg. Já para mulheres grávidas ou lactantes, o valor seria de 200 mg ao dia. A cafeína não é considerada segura para crianças e adolescentes, por isso não deixe os pequenos ingerirem mais de 100 mg por dia dessa substância.

Se você gosta de tomar uma xícara de café para ter ânimo antes de se exercitar, também é bom ter cuidado para não exagerar na dose. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) analisaram a influência da cafeína nos batimentos de jovens saudáveis e fisicamente ativos e perceberam que a atividade cardíaca dos voluntários após a ingestão da cafeína demorava mais para voltar aos parâmetros de quando estavam em repouso.

O estudo, publicado na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, teve uma amostragem pequena, mas indica uma preocupação para quem não está exatamente em forma ou tem problemas cardíacos. O café também pode aumentar a ansiedade, o que pode ser resolvido com um pouco de cacau, segundo outra pesquisa.

Dentro das doses recomendadas, como dissemos, o café pode trazer diversos benefícios para o seu dia a dia. Escolha seu método de preparo favorito e modere nas quantidades. Conheça seu corpo e, se perceber que teve algum efeito adversos, reduza a dose diária.



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