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Conheça a arquiborescência, conceito baseado na biomimética que prioriza a sustentabilidade na arquitetura

Projeto “Arquiborescência”, de Vincent Callebaut. Lille, França, 2021. Imagem: Divulgação

Arquiborescência é um neologismo formado pela combinação das palavras arquitetura e arborescência. Tendo como precursores os arquitetos belgas Vincent Callebaut e Luc Schuiten, a arquiborescência tem como propósito central transformar a cidade em um ecossistema, bairros em florestas e edifícios em “árvores habitadas“.

Em 2009, Luc Schuiten desenvolveu a primeira proposta de cidade futurista baseada no conceito de arborescência: a Cidade Vegetal. O projeto foi exposto no Musée du Cinquantenaire, em Bruxelas, capital da Bélgica. Inspirada na natureza, a obra conta com jardins verticais, áreas verdes que se estendiam pelas cidades e tomavam as fachadas dos edifícios, priorizando a vegetação e paisagens naturais.

Em Cidade Vegetal, projeto baseado nos princípios da biomimética, Luc Schuiten questiona a arquitetura centrada na exploração de recursos naturais, propondo a implementação de sistemas de energia renovável e o uso de elementos naturais nas áreas urbanas.

Preocupado em preservar o ecossistema, Luc Schuiten imagina novas formas de habitação humana. Sua ideia é simples: por que não usar organismos naturais como material básico? Este é o conceito de arquiborescência.

A obra de Schuiten antecipa o futuro da humanidade a partir de uma estética radicalmente nova que rompe com as regras clássicas do planejamento urbano. Em sua cidade mutante, a arquitetura de amanhã simplesmente segue as características dos organismos vivos.

Projeto "Cidade Vegetal", de Luc Schuiten. Bruxelas, Bélgica, 2009. Imagem: Divulgação
Projeto “Cidade Vegetal”, de Luc Schuiten. Bruxelas, Bélgica, 2009. Imagem: Divulgação

Já em 2021, Vincent Callebaut propõe um novo ecossistema urbano em Lilles, França, sob o conceito de arquiborescência. O conceito expressa a tese arquitetônica da equipe de “transformar a cidade em um ecossistema, bairros em florestas e edifícios em árvores habitadas”. A obra polivalente abrigará escritórios e residências e se inspira no patrimônio biomimético local, os antigos pântanos de Vauban-Esquermes.. Esse ecossistema produz sua própria energia por fotossíntese, sem emissão de poluição, e transforma todos os seus resíduos em recursos.

No coração de Lille, o projeto é inspirado no patrimônio biomimético local denominado Les Anciens Marais Vauban-Esquermes (“Os Antigos Pântanos de Vauban-Esquermes”). Esse ecossistema produzia sua própria energia por fotossíntese, não emitia poluição e transformava todos os seus resíduos em recursos graças a “círculos virtuosos”.

A ideia é que o projeto tenha uma pegada de carbono neutra e produza mais energia do que consome regularmente, mesmo durante as fases de baixa produção de energia renovável. Além disso, a equipe do arquiteto planeja desenvolver baixa tecnologia para a troca do fluxo de energia entre escritórios e residências.

Influenciada por pântanos naturais, a arquiborescência da arquitetura de Callebaut busca introduzir um distrito em madeira maciça com um forte caráter verde e aquático. A área se propõe a resgatar a memória desse ecossistema e sua biodiversidade positiva.

O distrito renovado e reconstruído será construído principalmente com madeira laminada cruzada. O projeto será definido pela arquitetura arborescente, uma ode à biodiversidade. Edificações passivas serão aliadas a energias renováveis, visando à autossuficiência. Batizado de Arquiborescência, o projeto mostra o talento do arquiteto para combinar natureza e arquitetura, com muito verde e recursos de sustentabilidade, como energia solar e turbinas eólicas.

A água da chuva seria capturada e usada para dar descarga em vasos sanitários e irrigar a extensa área verde, incluindo fazendas urbanas de telhados com frutas e vegetais, e os prédios teriam materiais de isolamento naturais como palha e cânhamo. Os apartamentos seriam ventilados naturalmente, enquanto os painéis solares no telhado e as turbinas eólicas seriam conectados a algum tipo de armazenamento elétrico à base de hidrogênio.

Além disso, a acessibilidade seria um foco em várias áreas de reunião para pedestres criadas. O transporte fora do carro também é incentivado, com serviços de manutenção disponíveis para bicicletas. A Arquiborescência de Callebaut é desenvolvida pelo Grupo Beci + BeCity e também envolve o escritório de arquitetura paisagística Land’Act.


Fontes: Vincent Callebaut, Vegetal City Luc SchuitenNew Atlas, Design Boom e Impact Journalism Day


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