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A agricultura de corte-e-queima é uma prática que consiste em derrubar pequenas áreas florestais e, em seguida, queimar a vegetação remanescente

A agricultura de corte-e-queima é uma prática que consiste em derrubar pequenas áreas florestais e, em seguida, queimar a vegetação remanescente. Ela devolve carbono e outros nutrientes armazenados na biomassa vegetal para o solo. A agricultura de corte-e-queima é uma técnica recorrente e antiga no País. Trata-se de uma estratégia que se caracteriza como um dos principais contribuintes para a emissão de gases do efeito estufa

Na agricultura de corte-e-queima, o solo é utilizado para o plantio por 2-3 anos até que esteja esgotado o seu potencial de fertilidade. Então, segue-se um período de pousio, que permite que as plantas voltem a crescer e os nutrientes do solo se regenerem. Estudos sugerem que centenas de milhões de pessoas em todo o mundo ainda dependem da agricultura de corte-e-queima para sobreviver. 

Como ocorre o corte e a queima?

Primeiro, a vegetação é derrubada e deixada para secar ao Sol. Em seguida, o fogo é utilizado para queimar a vegetação. A queima possui a função de preparar a área desmatada para a agricultura.

De modo geral, a prática é utilizada por pequenos agricultores, indígenas e povos tradicionais. 

Benefícios da agricultura de corte-e-queima

A agricultura de corte-e-queima é o sistema agrícola mais antigo do mundo, sendo praticado há pelo menos 7 mil anos. Hoje, agricultores de pequena escala, indígenas e povos tradicionais do Sudoeste Asiático, da América Latina e da África Central ainda dependem dessa prática para a subsistência.

De acordo com pesquisas, a prática evita a erosão e cria comunidades microbianas que nutrem o solo. Além disso, são cultivadas espécies de plantas que estão adaptadas a distúrbios de pequena escala e se recuperam rapidamente. Os períodos de pousio são longos o suficiente para permitir a regeneração da fauna e da flora, sustentando a biodiversidade da região. Os níveis de nutrientes, micro-organismos e carbono sequestrado no solo também se recuperam de maneira rápida. 

Como uma alternativa menos intensiva à agricultura convencional, a agricultura de corte-e-queima permite que os povos indígenas se alimentem, mantendo suas práticas culturais tradicionais.

Impactos da agricultura de corte-e-queima

A agricultura de corte-e-queima é responsável por liberar dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) na atmosfera, gases que contribuem para o aquecimento global. A perda da biodiversidade e a poluição do solo e de ambientes aquáticos também são graves consequências geradas por essa prática. 

Além disso, ela é responsável por aumentar o escoamento da água e, consequentemente, a descarga dos rios. Isso acontece porque a redução da cobertura vegetal diminui a infiltração da água no solo e as taxas de evapotranspiração. Esse processo altera as condições morfológicas e biogeoquímicas dos ecossistemas aquáticos, já que causa a exportação de sedimentos terrestres para os córregos.

A agricultura de corte-e-queima também contribui para o aumento de casos de doenças respiratórias, já que afeta a qualidade do ar. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em documento elaborado para eventos relacionados a incêndios florestais, destaca a saúde como dependente de um ambiente saudável, evidenciando a necessidade em direcionar o problema das queimadas a um contexto global de mudanças climáticas.

Além do gás carbônico, outras espécies químicas são produzidas e liberadas para a atmosfera durante essa prática, como monóxido de carbono (CO), óxidos nitrosos (NO3) e hidrocarbonetos. Esses elementos sofrem reações fotoquímicas que auxiliam na formação de poluentes secundários, os quais atuam como gases do efeito estufa e intensificam o aquecimento global.

Importância para os povos tradicionais

A preservação das florestas remanescentes precisa ser consistente com as necessidades da população local – pessoas que raramente são incluídas em conversas e tomadas de decisão sobre proteção da biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas.

A agricultura de corte-e-queima continua sendo uma parte central da vida e da cultura de quase meio bilhão de pessoas em 64 países em desenvolvimento, proporcionando meios de subsistência e segurança alimentar. Quase todas as queimadas são praticadas em pequenas propriedades indígenas, que hoje preservam 80% da biodiversidade remanescente do mundo, segundo o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.

Tornar o corte e a queima sustentáveis significa apoiar as comunidades indígenas do mundo, pois as crises duplas de mudança climática e perda de biodiversidade só podem ser atenuadas pela preservação da diversidade cultural humana. As “soluções baseadas na natureza” permitem que os agricultores de corte-e-queima estendam os períodos de pousio que são tão centrais para o sequestro de carbono e preservação da floresta. Essas soluções incluem:

  1. Proteger as terras indígenas da invasão comercial;
  2. Apoiar agricultores de subsistência com pagamentos por serviços ecossistêmicos;
  3. Aumentar o monitoramento das florestas nacionais.

Se a agricultura de corte-e-queima desempenhou um papel fundamental na exacerbação das mudanças climáticas e na perda de biodiversidade, também pode ser parte importante das soluções.