Sustentabilidade econômica: o que é?

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A sustentabilidade econômica pode ser entendida como uma nova forma de economia

A sustentabilidade econômica é abordada por importantes autores contemporâneos. Apesar de não haver uma definição específica para a sustentabilidade econômica, há pontos em comum nas diversas abordagens.

O conceito de sustentabilidade econômica traz consigo uma nova ética que visa superar a crença de que a economia é um fim em si mesma, bem como a noção de que o ser humano é um instrumento (substituível e destituído de dignidade). O crescimento pregado é o qualitativo e busca o bem-estar do ser humano, que passa a ser o centro do processo de desenvolvimento. Constrói-se assim a civilização do ser. O ser humano deixa de ter um preço para se dotar de dignidade. Da mesma forma, a capacidade de regeneração da natureza passa a ser considerada como um bem a ser preservado para a própria continuação da atividade econômica.

Alguns autores questionam a ideia do desenvolvimento baseado apenas no PIB (produto interno bruto), apontando para a necessidade de incluir outros fatores como o bem-estar social e a preocupação com os ecossistemas no planejamento econômico, o que seria uma das melhores formas de desenvolver sustentabilidade econômica. Muito mais do que uma linha a ser percorrida, a sustentabilidade econômica e sua definição são um universo a ser explorado por meio de teorias e práticas.

O que é sustentabilidade econômica?

Ignacy Sahcs

A sustentabilidade econômica - de acordo com o economista Ignacy Sachs em seu livro "Estratégias de transição para o século XXI" - é a alocação e o gerenciamento eficiente dos recursos e de um fluxo constante de investimentos públicos e privados. De acordo com o autor, uma condição importante da sustentabilidade econômica é ultrapassar os malefícios gerados pelas dívidas externas e pela perda de recursos financeiros do sul, pelos termos de troca (relação entre o valor das importações e o valor das exportações de um país em determinado período) desfavoráveis, pelas barreiras protecionistas ainda existentes no Norte e pelo acesso limitado à ciência e tecnologia.

Segundo a visão de Ignacy Sachs, a sustentabilidade econômica pressupõe que a eficiência econômica deve ser avaliada em termos macrossociais, e não apenas por meio do critério da rentabilidade empresarial de caráter microeconômico. Ela deveria ser atingida com medidas de desenvolvimento econômico intersetorial equilibrado, segurança alimentar e capacidade de modernização contínua dos instrumentos de produção.

Amartya Sen e Sudhir Anand

De acordo com os autores Amartya Sen e Sudhir Anand, no artigo "Human development and economic sustainability", a noção de sustentabilidade econômica, muitas vezes, não é especificada, e vista apenas como uma questão de equidade intergeracional. Os escritores defendem que a definição de sustentabilidade econômica deve incluir a relação entre distribuição, desenvolvimento sustentável, crescimento ótimo e taxa de juros.

Para eles, esses fatores devem ser desenvolvidos e levados em consideração com base nas preocupações do presente.

A crescente preocupação com o "desenvolvimento sustentável" parte da crença de que os interesses das gerações futuras devem receber o mesmo tipo de atenção que os da geração atual. Não podemos abusar e acabar com nosso estoque de recursos deixando as futuras gerações incapazes de aproveitar as oportunidades que hoje damos por adquiridas, nem contaminar o ambiente, violando os direitos e os interesses das futuras gerações.

A demanda de "sustentabilidade" é uma universalização das reivindicações aplicada às futuras gerações. Entretanto, segundo os autores, esse universalismo também faz com que, na ansiedade de proteger as gerações futuras, ignoremos as reivindicações dos menos privilegiados de hoje. Para eles, uma abordagem universalista não pode ignorar as pessoas desprivilegiadas de hoje na tentativa de evitar a privação no futuro, mas deve tratar tanto das pessoas do presente quanto das do futuro. Além disso, é difícil medirmos e adivinharmos quais serão as necessidades das gerações futuras.

Para os autores, na medida em que a preocupação é com a maximização geral da riqueza, independente de distribuição - há um grave desrespeito às dificuldades individuais, o que pode ser o motivo principal das privações mais extremas. Além do mais, a obrigação de sustentabilidade não pode ser deixada inteiramente no mercado. O futuro não está adequadamente representado no mercado - pelo menos, não o futuro distante - e não há razão para que o comportamento comum do mercado cuide da obrigações do futuro. O universalismo exige que o estado sirva de administrador para os interesses das gerações futuras. As políticas governamentais, como os impostos, os subsídios e a regulamentação, podem adaptar a estrutura de incentivos de forma a proteger o meio ambiente e a base de recursos globais para as pessoas que ainda não nasceram. Como observou, há um amplo acordo de que o Estado deve proteger os interesses do futuro em algum grau contra os efeitos de nosso desconto irracional e de nossa preferência por nós mesmos sobre nossos descendentes.

Ricardo Abramovay

Para o autor Ricardo Abramovay, em seu livro "Muito além da economia verde", a sustentabilidade econômica deve se dar por meio de várias frentes. A economia não deve se orientar apenas por seu próprio crescimento, e sim por resultados reais de bem-estar social e de capacidade de regeneração dos ecossistemas. A sustentabilidade econômica deve reconhecer um limite de exploração dos ecossistemas por parte da sociedade.

Segundo o autor, o pensamento econômico predominante do século XX - de que as tecnologias e a inteligência humana seriam sempre capazes de reparar os danos ambientais - se mostrou explicitamente errôneo. As consequências já sentidas em decorrência das mudanças climáticas são uma das provas desse erro. Para Abramovay, é fundamental que - para o desenvolvimento da sociedade e da própria sustentabilidade econômica - exista inovação; e ela deve estar atrelada ao reconhecimento de que os ecossistemas possuem limites. É nesse sentido que os sistemas de inovação orientados para a sustentabilidade devem ser desenvolvidos.

A sustentabilidade econômica - que o autor José Eli da Veiga chama de "nova economia" - seria a capacidade de desenvolvimento de um metabolismo social em que coexistam regeneração constante dos serviços ecossistêmicos e suprimentos suficientes para cobrir as necessidades humanas essenciais.

O autor conclui que a sustentabilidade econômica está intimamente ligada à ética. Sendo esta última definida como as questões referentes ao bem, à justiça e à virtude, ela deve, portanto, ocupar um espaço central nas decisões econômicas, que implicam nas decisões sobre como serão utilizados os recursos materiais, energéticos e a organização do próprio trabalho das pessoas. Abramovay afirma que: "a ideia de crescimento incessante da produção e do consumo choca-se contra os limites que os ecossistemas impõem à expansão do aparato produtivo. O segundo problema é que a capacidade real de o funcionamento da economia criar coesão social e contribuir de forma positiva para erradicar a pobreza tem sido, até aqui, muito limitada. Mesmo que a produção material tenha atingido uma escala impressionante, nunca houve tantas pessoas em situação de extrema miséria, ainda que proporcionalmente representem uma parcela da população menor que em qualquer momento da história moderna."


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