O que é neutralização de carbono?

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Compensar as emissões residuais é uma das soluções para combater as mudanças climáticas e todos podem começar a praticar

neutralização de carbono

A neutralização de carbono é uma alternativa que busca evitar as consequências do desequilíbrio do efeito estufa (causado pelo excesso de emissões de poluentes como o dióxido de carbono), a partir de um cálculo geral de emissão de carbono.

Cálculo

É possível levantar a quantidade de dióxido de carbono (CO2) emitida por pessoas físicas, empresas, produtos, governos, etc. Para pessoas, existem calculadoras que estimam o CO2 emitido por meio de informações sobre o consumo. Já para cálculos mais complexos, empresas especializadas podem realizar um inventário de emissão de carbono. Com essas informações, é possível identificar áreas que emitem mais carbono, utilizam mais carros ou que têm maiores emissões por conta de processos produtivos, mas a intenção é focar em medidas de redução voluntária.

Redução

Após a avaliação, é definido o alvo da neutralização de carbono. Devem ser implantadas medidas para minimizar ao máximo a geração de CO2. Por exemplo: uma indústria pode começar a usar materiais 100% reciclados, diminuir o gasto de energia, reusar a água, entre muitas outras medidas que podem ser aplicadas, diminuindo também o impacto no meio ambiente.

Compensação das emissões residuais

Ainda é impossível ter um produto, serviço ou atividade que não gere carbono, portanto as emissões que não forem evitáveis podem ser compensadas. Um exemplo prático é o programa carbono neutro da Natura. A empresa reduziu a emissão de CO2 de 4,18 kg para 2,79 kg por cada quilo de produto fabricado. O restante das emissões foi compensado por compra de créditos de carbono.

Existem alguns mecanismos para auxiliar na neutralização do carbono gerado. Os mais comuns são o plantio de árvores nativas e a compra de créditos no mercado de carbono.

Outro exemplo é a neutralização de carbono em eventos. Uma empresa especializada calcula as emissões de poluentes, como as provenientes do uso de veículos da organização e dos participantes; as viagens aéreas; a energia consumida e o resíduo gerado durante o evento. Então, a partir da quantidade do poluente encontrada pelo cálculo, a empresa apoia projetos ambientais.

A neutralização de carbono funciona do seguinte modo: a empresa X produz cinco toneladas de carbono em suas atividades, então para zerar suas emissões ela deve comprar cinco créditos de carbono (um crédito de carbono = uma tonelada de carbono equivalente - CO2e). Assim, é realizada uma busca de empresas confiáveis e certificadas, como a empresa Y, que capta o biogás de um aterro sanitário e transforma em energia, ou mesmo a empresa Z, que realiza a preservação de florestas nativas. Essas empresas geram créditos de carbono pelo uso de energia limpa ou por evitar o desmatamento. Esses créditos são calculados pelo total de CO2 que deixou de ser gerado. Então cria-se uma parceria entre as empresas - uma compra os créditos de carbono neutralizando suas emissões e outra recebe os investimentos.

Técnicas

Existem diferentes técnicas para neutralizar emissões de CO2.

As chamadas técnicas de remoção de dióxido de carbono (CDR - sigla em inglês para carbon dioxide removal) são esforços intencionais para remover o CO2 da atmosfera. Dentre as técnicas estão a CCS (captura de armazenamento de carbono), que consiste em capturar o CO2 diretamente do ar ou antes dele alcançar a atmosfera; o aumento de sequestro de CO2 pelo solo via reflorestamento e manejo correto do uso do solo; o aumento do sequestro de carbono pelo oceano (com a fertilização do oceano é possível aumentar a capacidade de absorção de CO2); a aceleração do intemperismo de rochas pela adição de silicato; a utilização de energias renováveis para diminuir a emissão de CO2 e o sequestro de CO2 da atmosfera pela vegetação.

Ao realizar a neutralização de carbono, uma empresa, por exemplo, assume a responsabilidade pelas emissões de CO2e e neutraliza os efeitos prejudiciais de suas atividades. Existem certificações emitidas por organizações como Carbon Free e Carbono Neutro, mas ainda não há um certificado nacional ou mundial. Qualquer um pode neutralizar suas emissões, entretanto não adianta adotar programas de neutralização de carbono se não houver mudanças nos hábitos. A não geração é fundamental e a neutralização é apenas paliativa.

Impactos ambientais

Geramos toneladas de CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico) a cada ano por conta das atividades humanas. Desde os anos 70, as demandas da sociedade excedem a biocapacidade do planeta para atender as necessidades humanas. Precisamos de 1,5 do planeta Terra por ano para manter nosso estilo de vida atual - isso significa que estamos tirando mais do que nos é ofertado e poluindo em uma escala da qual a natureza não consegue se recuperar.

Como consequência das nossas atividades, as mudanças climáticas estão acontecendo e já é possível senti-las na pele, como nos casos do aumento das temperaturas, de eventos naturais mais extremos e da elevação do nível do mar, entre outras. Cientistas afirmam que a temperatura não deveria ultrapassar um aumento de 2°C até o fim do século - este é o teto considerado seguro para frear o aquecimento global. Mas, para manter esse valor, as emissões de CO2 equivalente (CO2e) devem ser reduzidas entre 40% e 70% até 2050 e chegar perto de zero em 2100, segundo estimativas do IPCC.

Nesse sentindo, a neutralização de carbono se apresenta mais como uma alternativa paliativa do que propriamente uma solução a ser buscada. Entretanto, não podemos deixar de considerar os esforços que já estão sendo feitos para neutralizar o carbono emitido.

Veja o vídeo das ações da Costa Rica para se tornar o primeiro país carbono neutro:


Veja também:


 

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