Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

Restinga é uma planície formada por sedimentos quaternários

Imagem editada e redimensionada de Miguelrangeljr, está disponível no Wikimedia e licenciada sob CC by 3.0

Restinga é um termo utilizado para definir as diferentes formações vegetais estabelecidas sobre solos arenosos que ocorrem na região da planície costeira. Por estar localizada na interface entre os ambientes marinho e continental, a restinga possui uma fragilidade intrínseca, sendo constantemente afetada por processos naturais de deposição e erosão marinha e de drenagem fluvial.

Dessa maneira, esses ecossistemas são determinados fisicamente pelas condições edáficas (relacionadas ao solo) e pela influência do mar e estão distribuídos ao longo do litoral brasileiro e por várias partes do mundo.

Formação da restinga

As restingas foram formadas há milhares de anos pelo recuo do nível do mar, que direcionava grande quantidade de areia das plataformas continentais em direção à praia. Durante o período Quaternário, as variações no nível do mar ocorreram no mínimo três vezes, expondo e cobrindo áreas litorâneas que hoje constituem as restingas.

Vegetação da restinga

A vegetação da restinga recebe influência de três fatores principais. O primeiro deles diz respeito a distância do mar. Mais próxima dele, a vegetação está sujeita a condições de alta salinidade, ventos fortes e um substrato muito inconstante, além de temperaturas mais elevadas. Nos locais mais distantes, as condições são diferentes tanto em função do tempo que o solo está exposto às condições ambientais quanto do adensamento de plantas que propiciam um aumento da quantidade de matéria orgânica e modificam as condições microclimáticas, amenizando as temperaturas extremas.

Um segundo fator determinante é a topografia. Em decorrência dos processos de deposição e remoção de material nessas regiões, há a formação de faixas de elevações do terreno, chamadas de “cordões”, e faixas de depressões, chamadas de “entre-cordões”. Nos cordões, a condição é de um solo mais seco, que se alaga apenas em eventos mais drásticos de chuva.

Por outro lado, os entre-cordões alagam com facilidade, criando ambientes muito distintos. Além disso, nos entre-cordões há um acúmulo de material orgânico no solo pela simples posição mais baixa do terreno, muitas vezes formando solos escuros e orgânicos nas camadas mais superficiais.

Um terceiro fator característico é a própria vegetação que, ao se estabelecer no solo de areia, vai mudando as condições ambientais e permitindo que outras plantas se desenvolvam. Uma árvore que cresce na praia, por exemplo, facilita a germinação de novas sementes de árvores abaixo de sua copa, uma vez que ameniza as altas temperaturas com sua sombra.

Assim, as formações vegetais ocorrentes nas restingas brasileiras podem ser herbáceas, arbustivas ou florestais. Em geral, elas possuem baixa biodiversidade quando comparadas a outras comunidades vegetais, sendo protegidas por lei devido à sua fragilidade. As principais fisionomias das áreas mais secas são:

  • Vegetação herbácea: vegetação rasteira que ocorre em praias, dunas, banhados e depressões;
  • Vegetação arbustiva: formada por plantas arbustivas com até cinco metros de altura, localiza-se sobre cordões arenosos. Essa formação possui poucas epífitas (orquídeas, bromélias e samambaias) e elevada quantidade de trepadeiras;
  • Floresta baixa de restinga: vegetação arbustiva e arbórea com plantas que podem chegar a 15 metros de altura. Essa formação possui grande quantidade de epífitas e um dossel aberto;
  • Floresta alta de restinga: ocorre mais distante do mar, dando sequência à floresta baixa de restinga. O estrato é predominantemente arbóreo com dossel fechado e as árvores podem atingir 20 metros de altura.

Nas áreas entre cordões, ocorrem a Floresta Alta Alagada de Restinga e a Floresta Paludosa, nas quais predominam espécies vegetais mais adaptadas às condições de alagamento como a Caixeta e o Guanandi.

Fauna da restinga

A fauna da restinga é bastante rica. Muitas aves migratórias utilizam essas áreas como locais de alimentação e descanso. Entre elas, destacam-se o papagaio-de-cara-roxa, a coruja-buraqueira e o formigueiro-do-litoral, ave endêmica de restingas. Mamíferos como o mico-leão-caiçara, queixada e lontra também ocorrem nessas regiões. Além disso, há a presença de caranguejos e tartarugas.

Impactos ambientais na restinga

Em função de sua beleza cênica, relevo plano e disponibilidade de recursos pesqueiros, a planície costeira possui um longo histórico de ocupação humana que vem sendo intensificado nos últimos séculos. Curiosamente, essas mesmas características que fazem da planície costeira um lugar atrativo – como sua beleza natural e a abundância de recursos – estão sendo destruídas pelas constantes perturbações devido principalmente ao estabelecimento de edificações, associado a uma forte especulação imobiliária, além da instalação de complexos industriais, retirada de areia, entre outros tipos de degradação.

Apesar das iniciativas de proteção que transformaram alguns trechos de restinga em unidades de conservação, a área protegida ainda é pequena e faltam muitas informações importantes a respeito dos aspectos ecológicos desse ecossistema.



Veja também: