Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

Estudos mostram que uso do plástico já afeta a saúde de populações humanas e animais 

Imagem de Sandy Millar no Unsplash

Plásticos e saúde é um tema pouco explorado, já que os polímeros sintéticos foram materiais criados, relativamente, recentemente — o primeiro plástico foi criado no século XX. Entretanto, estudos têm mostrado que essa tecnologia pode ser nociva para a saúde de pessoas e animais.

Disruptores endócrinos

O maior problema já estudado a respeito dos plásticos, mencionado em um relatório publicado pela The Endocrine Societyn, é a sua composição feita a partir de substâncias perigosas, como os disruptores endócrinos. Estas substâncias perturbam os sistemas hormonais do corpo e podem causar câncer, diabetes, distúrbios reprodutivos e deficiências neurológicas no desenvolvimento de fetos e crianças.

Uma vez no ambiente, o plástico — principalmente no formato de microplásticos — continua liberando disruptores endócrinos nos mais diversos tipos de ecossistema, causando problemas semelhantes nos animais, levando-os a desenvolverem dimorfismo sexual, feminização, câncer e outros problemas que resultam em queda populacional.

Entre as principais substâncias perigosas para a saúde encontradas nos plásticos estão os bisfenóis, retardantes de chama, ftalatos, dioxinas, estabilizadores de UV, chumbo e cádmio.

Os microplásticos estão por toda parte

O problema dos plásticos é, ainda, muito maior do que se imagina. Um estudo publicado na revista Environmental Science and Technology aponta que os seres humanos consomem de 39 mil a 52 mil partículas de microplástico por ano. Ao levar em consideração que o microplástico também pode ser inalado, esse número passa a ser maior que 74 mil. Há microplásticos até mesmo na água potável e no ar.

Ecologistas da Stanford University’s Hopkins Marine Station revisaram 129 estudos realizados com 171.774 indivíduos de 555 espécies de peixes marinhos. Das espécies analisadas, 210 que são capturadas comercialmente apresentaram consumo de plástico. Ao investigar os peixes mais vulneráveis à ingestão, os pesquisadores notaram que os que estavam em níveis tróficos mais altos da cadeia foram os que mais consumiram. Isso pode significar que o microplástico se bioacumula conforme os níveis tróficos da teia alimentar.

Outro estudo publicado na Aquaculture encontrou microplásticos na farinha de peixe e nos próprios peixes. A pesquisa constatou que há algumas partículas que são tão pequenas que podem passar até mesmo pelas barreiras intestinais desses animais, penetrando nos tecidos dos órgãos. Isso pode causar inflamação, tamanhos corporais menores e outras lesões.

Em humanos — que podem estar se contaminando ao consumir animais marinhos — há evidências de que os microplásticos podem piorar a asma, inflamar o sistema imunológico, danificar os órgãos internos e chegar até às placentas de mulheres grávidas. Para o autor da pesquisa, vivemos em uma armadilha de plástico em que as partículas, de alguma maneira e em algum momento, voltam ao prato.

Em 2018, um estudo revelou que mais de 50% da população mundial tem microplástico em suas fezes. Segundo dados da organização sem fins lucrativos Orb Media, há microplásticos no ar que respiramos, em alimentos como o sal ou a cerveja e até na água que bebemos: cerca de 83% da água de torneira do mundo está contaminada com microplásticos. Um estudo encontrou partículas de microplástico até na água engarrafada.

Outro estudo identificou presença de plástico em todos os principais órgãos de filtragem do corpo humano. Os pesquisadores encontraram evidências de contaminação por microplástico em amostras de tecido retiradas de pulmões, fígado, baço e rins de corpos humanos doados para pesquisa.

O contato com o plástico começa na placenta e continua para o resto da vida. Um estudo que comparou bebês que consumiram leite na mamadeira com aqueles de amamentação direto do peito mostrou que o primeiro grupo ingeriu, em média, 1,6 milhão de partículas de microplástico por dia.

Reduzir o uso de plástico é importante, mas também são necessárias políticas públicas

Reduzir a exposição individual aos plásticos é importante, já que esse material é amplamente utilizado em embalagens, construção civil, pisos, tintas, utensílios de cozinha, cuidados de saúde, brinquedos de plástico infantis, artigos de lazer, móveis, eletrônicos domésticos, têxteis, automóveis e cosméticos.

Soluções como os bioplásticos parecem não ser o suficiente, uma vez que são feitas com aditivos químicos semelhantes aos plásticos convencionais e também têm efeitos de desregulação endócrina.

Ainda que existam muitos consumidores conscientes, é preciso um esforço maior para reduzir a exposição aos plásticos. A necessidade de políticas públicas eficazes para proteger a saúde pública dos disruptores endócrinos é ainda mais urgente devido às projeções de crescimento da indústria do plástico.


Veja também: