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A guerra entre a Rússia e a Ucrânia oferece a oportunidade de reutilizar o etanol como combustível

Por Cinderela Caldeira e Luiz Roberto Serrano em Jornal da USPCom o avanço da guerra entre Rússia e Ucrânia, a crise no fornecimento de commodities no mundo tende a se agravar. Por exemplo, a cotação do petróleo continua em alta, o que levou a Petrobras a aumentar o preço dos combustíveis no Brasil. O governo e o Congresso discutem medidas que possam ser adotadas para conter essa crise. Qual a solução para o problema?

Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, diz que o conflito em curso nos traz a lição de nos tornarmos independentes do consumo de combustíveis fósseis. “Não é bom ser dependente de petróleo e de gasolina. A grande maioria dos países desenvolvidos está no processo de se tornar independente de substituição de meios energéticos que poluem para outros meios renováveis. Isso é um esforço muito grande que acontece em todos os países importantes do mundo.”

Para Feldmann, o Brasil tem dimensões continentais e toda a condição para ser um país voltado para a energia renovável. “Nós somos um país que tem uma exposição solar enorme, que tem ventos, em toda a costa. Podemos intensificar essas formas energéticas e nos tornarmos independentes do petróleo e da gasolina para que possamos sofrer menos quando houver um problema como esse. Além disso, o Brasil é um país que desenvolveu outro combustível, o etanol, e poderia ficar independente desta crise se voltasse para a utilização do etanol”, afirma.

“Essa crise é séria, ela nos afeta, mas ela também nos ensina uma série de aspectos, que devemos ter uma prioridade maior na geração e produção de energias renováveis e, principalmente, devemos dar atenção especial para o álcool neste momento. Quase toda a nossa frota de automóveis, hoje, comporta o combustível etanol. A maioria dos carros é movida tanto a gasolina como etanol, então nós poderíamos tranquilamente, com muita facilidade, passar a utilizar o etanol. Essa é uma medida que precisaria ser adotada e depende de ação governamental. Os produtores de álcool neste momento não estão muito interessados nessa questão, nesse aspecto, porque o mercado internacional está muito bom para eles, mas é preciso que se convença os produtores e os usineiros de que o mercado brasileiro é um mercado estratégico para eles; toda a capacitação deles foi desenvolvida no Brasil e nesta hora o Brasil precisa da produção de álcool. Portanto, nós poderíamos dar um exemplo para o mundo de como um país pode se tornar independente do petróleo utilizando outras formas energéticas, inclusive o álcool.”

Ouça a íntegra da entrevista do professor Paulo Feldmann:

Já Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), ambos da USP, analisa as possíveis soluções para este quadro. Uma das medidas discutidas é a possibilidade de calcular a produção dos combustíveis em real, não em dólar. Segundo Côrtes, entretanto, a solução mais eficaz é o etanol, que é menos sensível às variações internacionais e, por isso, poderia ser mais utilizado. “O ideal é que nós tivéssemos uma política voltada à produção do etanol, que é um combustível, do ponto de vista ambiental, muito melhor do que os combustíveis fósseis”, afirma.

É uma alternativa em que toda a cadeia produtiva é nacional e, portanto, calculada em reais, estando menos sujeita às oscilações do câmbio. “Nós temos uma solução, mas efetivamente ela não acontece por falta de uma política pública voltada aos biocombustíveis”, diz o professor.

Ouça a íntegra da entrevista do professor Pedro Luiz Cortês: