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Artigo na revista Fast Company sugere possíveis ações de Biden para mitigar danos ecológicos causados pelo muro

Imagem editada e redimensionada de Tomas Castelazo, disponível no Wikimedia e licenciada sob CC-BY 2.0

Os quilômetros de muro ao longo da fronteira entre Estados Unidos e México, construídos pela administração Trump, interromperam os caminhos de migração animal e causaram enormes danos ecológicos. Mesmo que o novo presidente norte-americano Joe Biden não o remova, ele pode tomar medidas para diminuir a extensão do problema.

Enquanto a campanha de 2016 de Donald Trump se concentrou fortemente no slogan “Build the wall and make Mexico pay for it” (ou “Construa o muro e faça o México pagar”), a história do muro real da administração Trump envolveu bilhões em gastos do governo norte-americano, campanhas fraudulentas de arrecadação de fundos e promessas não cumpridas (até agora, o México não pagou nenhum centavo pela construção).

No entanto, centenas de quilômetros do muro de Trump foram erguidas com sucesso – o que significa que seu legado mais duradouro pode ser a destruição ecológica que causou. Mesmo que o presidente eleito Joe Biden não remova o muro totalmente, ambientalistas esperam que ele tome medidas para mitigar seus danos.

“Vimos nossas montanhas sendo dinamitadas. Vimos nossos desfiladeiros cheios de entulho”, diz Dan Millis, gerente do programa Sierra Club Borderlands, sobre as ações da administração Trump na fronteira. Millis também acredita que, em breve, poderão ocorrer enchentes e outras consequências do gênero na região, porque os rios foram represados ​​quando partes do muro de fronteira foram construídos através deles. Os recursos naturais de água, como Quitobaquito Springs, nascentes no Monumento Nacional Organ Pipe Cactus, no Arizona, também estão secando, à medida que empreiteiros bombeiam milhares de litros de água do solo para misturar concreto.

Biden prometeu que nem sequer um centímetro de muro fronteiroço será construído em seu governo, mas também afirmou que não derrubará o que já foi feito. Millis acredita, no entanto, que a extensão do muro deveria ser, pelo menos, reduzida. A administração Trump foi responsável pela construção de apenas 47 milhas – ou 75 km – de muro onde não havia nada antes. Na verdade, a maior parte das 452 milhas – ou 727 km – de parede levantadas sob o governo do ex-presidente foi feita para substituir ou reforçar barreiras construídas em gestões anteriores: barreiras para veículos e cercas de pedestres.

No entanto, ao substituir quilômetros de barreiras de veículos – que não constituem uma grande ameaça para a vida selvagem ou para os recursos hídricos – por barreiras de aço muito maiores, o muro de Trump causou uma enorme perturbação aos ecossistemas de fronteira. Além de ameaçar a recuperação das populações locais de onça-pintada ao bloquear suas vias de migração entre os países, as novas construções dificultaram a passagem de várias espécies pela fronteira entre México e Estados Unidos, como a jaguatirica, o carneiro selvagem e até mesmo o cacto-pigmeu, que vivem em ambos os habitats. Como consequência, esses animais agora têm muito mais dificuldade para encontrar comida, água e companheiros, ou até mesmo se adaptar às mudanças climáticas, uma vez que eles não podem migrar para novas áreas.

“O que precisamos fazer para resolver os danos causados ​​pelo muro de Trump é reduzir sua altura e convertê-lo em uma barreira para veículos”, diz Millis. Para ele, a solução seria manter “uma barreira de veículos ecologicamente correta, que impedisse o contrabando de veículos transfronteiriços, mas permitisse o fluxo natural de vida selvagem e água”.

A primeira coisa que Biden deve fazer para resolver essas questões ambientais, de acordo com Melinda Taylor, advogada ambiental do corpo docente da Faculdade de Direito da Universidade do Texas, é revogar uma isenção que, segundo o Real ID Act de 2005, permite que o Departamento de Segurança Interna renuncie a quaisquer leis ambientais federais, estaduais ou locais antes de construir um muro fronteiriço.

A administração Trump invocou essa renúncia, assim como a administração George W. Bush, usando-a para construir quilômetros de muro de fronteira depois que Bush assinou a Lei da Cerca de Segurança (Secure Fence Act), em 2006. O governo Obama também construiu quilômetros de barreira fronteiriça e também invocou essa renúncia para contornar as leis ambientais, de acordo com a Southern Border Communities Coalition. Em 2011, o Departamento de Segurança Interna completou 649 milhas de cercas, que incluíam barreiras para veículos e cercas para pedestres.

Taylor concorda com Millis ao afirmar que o governo Biden deveria cancelar os contratos de construção existentes e derrubar as partes do muro que foram construídas pela gestão anterior. “Se fosse feito de forma adequada, teria enormes benefícios ambientais”, diz ela.

Segundo ela, seria necessário também encerrar a bifurcação do Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Baixo Vale do Rio Grande e do Santuário de Sabal Palm Audubon, uma vez que o muro fronteiriço de Trump corta ambas as áreas protegidas. “O governo quer levar a construção [do muro de fronteira] ao longo de uma linha reta, mas a fronteira entre o México e os EUA não é uma linha reta”, diz Taylor.

O muro da fronteira será, sem dúvida, algo com que o governo Biden deverá lidar desde o início. Se Biden abordará as questões ambientais associadas ao muro junto com as da imigração, ainda não se sabe, mas os ambientalistas estão otimistas. “Esta tem sido uma crise contínua por anos e anos”, diz Millis, “e estamos esperançosos de que agora, com uma nova administração Biden-Harris, esse processo possa começar a ser revertido, de modo a restaurar a proteção sob a lei para as comunidades fronteiriças e certificar-se de que as áreas selvagens ao longo da fronteira, como parques nacionais, também recebam proteção.”


Fonte: Kristin Toussaint em Fast Company


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