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Os mexilhões são animais filtradores que podem concentrar contaminantes que estiverem presentes em seu habitat

O mexilhão é um molusco bivalve, protegido por duas conchas de coloração preto-azulada, que vive próximo às costas marinhas e superfícies rochosas de oceanos e superfícies de água doce. São animais filtradores e que se alimentam de algas microscópicas e materiais em suspensão. Por isso, podem concentrar contaminantes que estiverem presentes em seu habitat. Assim como as ostras, os mexilhões também possuem a capacidade de produzir pérolas.

Consumidos desde a pré-história, os mexilhões foram considerados por culturas greco-romanas como um alimento nobre, servido em festas e ocasiões especiais. O cultivo de mexilhões, chamado de Mitilicultura, tem seu início atribuído ao irlandês Patrick Walton, que naufragou na baía de Aguillon, na França, onde estendeu uma rede para capturar pássaros. No entanto, as redes tornaram-se um local de grande fixação de mexilhões, os quais passaram a servir de alimento para ele. Desde então, a mitilicultura vem se desenvolvendo em várias partes do mundo, contribuindo para a atividade comercial de vários países.

No Brasil, o cultivo de mexilhões iniciou-se na década de 1970 por pesquisadores da Universidade de São Paulo, Instituto de Pesca de São Paulo e Instituto de Pesquisas da Marinha. Atualmente, o estado de Santa Catarina é o maior produtor de ostras e mexilhões, sendo responsável por mais de 90% da produção nacional. A espécie de mexilhão mais abundante no Brasil é a Perna perna.

Habitat natural

Os mexilhões habitam costões rochosos da região entre-marés, podendo ser encontrados a uma profundidade de até dez metros. Vivem fixados às rochas por meio de uma estrutura filamentosa muito resistente – o bisso – formando densas colônias. São encontrados com mais frequência em costões mais expostos à ação das ondas do que em locais abrigados.

Por habitarem a região entre-marés, os mexilhões estão adaptados a permanecer grande parte do tempo expostos ao ar. Porém, no caso do cultivo, a estratégia mais usada é mantê-los constantemente submersos, propiciando alimentação ininterrupta e acelerando o ritmo de crescimento.

Além de conseguirem viver expostos ao ar, os mexilhões podem povoar locais poluídos, fixando-se em pilastras de portos, cascos de embarcações, bóias e qualquer material submerso ou flutuante que sirva como substrato. Por possuírem a característica de filtrar a água, os mexilhões podem acumular poluentes em seus tecidos. Dessa maneira, são empregados em experimentos como indicadores de contaminação química ou biológica de ambientes marinhos.

Mexilhões que se amontoam em recifes podem ingerir três vezes mais plásticos

Segundo dados divulgados pela ONU, 80% de todo o lixo marinho é composto por plástico. A cada ano, oito milhões de toneladas do material vão parar nas águas dos oceanos, levando 100 mil animais marinhos à morte. Pesquisadores de diversas universidades analisam como os mexilhões podem ser afetados pela poluição de plástico nos ecossistemas marinhos.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Plymouth investigou como a tendência dos mexilhões de formar estruturas de recifes pode afetar a captação de resíduos plásticos. Para isso, fizeram diversos experimentos que consistiram em colocar agregações de mexilhões em calhas de água e submetê-las a ondas de diferentes velocidades. Além disso, a equipe adicionou partículas microplásticas ao longo dos testes, observando como os fluxos de água influenciavam o risco de ingestão para os mexilhões.

Com essa série de experimentos, os pesquisadores descobriram que, quando os mexilhões eram agrupados em laboratório para formar estruturas semelhantes aos recifes, eles conseguiam diminuir a velocidade da água que fluía sobre eles, além de aumentar a turbulência. O resultado disso foi um aumento de três vezes no plástico ingerido.

Essa não é a primeira vez que se analisam os efeitos nocivos causados pelo plástico sobre os mexilhões. Um estudo publicado em 2019 concluiu que a exposição desses animais aos microplásticos poderia induzir uma forte resposta imune. O contato com o material faz com que os mexilhões secretem menos fibras adesivas, das quais eles dependem para se fixarem aos costões rochosos.

Ocupando cerca de 70% de nosso planeta, os oceanos possuem fundamental importância para a manutenção da vida na Terra. Eles contribuem para a estabilidade do clima, regulam a umidade e abrigam uma vasta parcela da biodiversidade. Por isso, devem ser conservados e protegidos.

Morfologia externa

Externamente, os mexilhões são constituídos por duas conchas calcárias ou valvas, que variam de acordo com o habitat em que vivem. Devido ao constante embate das ondas, os mexilhões marinhos apresentam válvulas espessas, desgastadas e com menor altura do que mexilhões provenientes de cultivos, que permanecem submersos.

Respiração

O aparelho respiratório de um mexilhão é composto por lâminas branquiais e um coração. A absorção de oxigênio é feita pelas lâminas branquiais e membranas existentes em toda a superfície interna do mexilhão. O coração situa-se na porção média dorsal do corpo, repousando sobre os intestinos.

Alimentação

O aparelho digestivo dos mexilhões é constituído por uma boca anterior, um esôfago curto e um estômago, dotado de uma estrutura em forma de estilete, cuja extremidade, em contato com outra estrutura do estômago – o escudo gástrico – dissolve-se, liberando enzimas digestivas.

Os mexilhões são animais de regime alimentar exclusivamente filtrador, isto é, retiram seu alimento da água utilizada no processo de respiração. As lâminas branquiais, além de absorver oxigênio, atuam na seleção de partículas alimentares, constituídas por algas microscópicas, bactérias e detritos orgânicos. A alimentação constitui-se em um processo contínuo, sendo interrompida apenas quando os mexilhões são expostos ao ar ou permanecem submetidos a qualquer outra condição ambiental desfavorável, como baixa salinidade.

Reprodução

Os mexilhões são animais de sexos separados, sendo raros os casos de hermafroditismo. As glândulas sexuais encontram-se espalhadas por toda a sua estrutura interna. Durante a maturação sexual, essas glândulas transformam-se em gametas, produzidos pelas gônadas. Quando os mexilhões estão sexualmente maduros, ocorre a emissão dos gametas, estimulada por fatores físicos ou climáticos. A fecundação ocorre no ambiente aquático, de modo externo ao corpo do animal.

Para concluir, os mexilhões possuem grande importância ecológica. Por serem animais filtradores e se alimentarem de algas microscópicas, bactérias e partículas em suspensão, os mexilhões podem acumular poluentes que estiverem presentes em seu habitat. Dessa forma, são considerados indicadores de poluição.



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