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Novo livro do pesquisador Ben Abraham traça um possível caminho para a indústria de videogames atingir a neutralidade de carbono

Embora não seja muito mencionado nos debates de sustentabilidade, jogar videogame, um hobby favorito de muitas pessoas, tem uma pegada ambiental significativa. Em 2020, as emissões da produção global de jogos ficaram entre 3 milhões e 15 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Pensando no impacto ambiental gerado por essa forma de entretenimento, o pesquisador  Ben Abraham lançou o livro Digital Games After Climate Change. A obra oferece uma visão panorâmica e sistematizada de toda a indústria de videogames, elucidando maneiras pelas quais esse setor tem contribuído para a crise climática. 

De acordo com um artigo de Evan Mills, mencionado por Lewis Gordon, ao jornal Wired, o consumo de energia do uso do videogame só aumentou desde a década de 1990. Segundo a mesma fonte, os principais responsáveis por esse aumento são a qualidade gráfica, a oferta de jogos on-line, uso de grandes centros de dados e desenvolvimento de chips cada vez menores dos consoles modernos. Apesar das melhorias gerais na eficiência energética dos dispositivos modernos, eles têm uma pegada de carbono elevada. 

Metas inalcançáveis

Em seu livro, Abraham ressalta que os compromissos das fabricantes de videogames em reduzir a pegada de carbono são irrelevantes para a crise climática. Segundo o pesquisador, não há liderança ambiental no setor de jogos. O mais próximo que a indústria tem disso é o Playing for the Planet, um programa da ONU Meio Ambiente envolvendo empresas de jogos como Microsoft, Sony e Ubisoft. Abraham diz que é vital que uma organização como essa exista para exercer pressão e fornecer orientação, mas que seu impacto é limitado, sendo necessária uma intervenção regulatória com estrutura legal e padrões de eficiência energética. 

Alternativas possíveis

Para Abraham, as emissões de desenvolvimento são o fruto mais fácil da descarbonização da indústria de videogames. A mudança mais fácil que os estúdios, grandes ou pequenos, podem fazer é mudar seu fornecimento de eletricidade para energia 100% renovável ou com compensação de carbono. A partir daí, Abraham sugere a venda de jogos digitalmente (que já responde por 90% de lançamentos de novos jogos), eliminando as emissões difíceis de rastrear de fabricação e transporte de mercadorias. Isso deve acontecer durante o levantamento de dados sobre consumo de energia no local de trabalho (com vistas à redução) e duração do jogo para que, sempre que possível, as empresas possam compensar as emissões de carbono de sua base de jogadores. Se esses passos forem seguidos, Abraham acredita que é possível um “jogo verdadeiramente ecológico”, que reconheça seu lugar no “mundo material” e tome medidas para eliminar os danos que causa aos “humanos, plantas, animais e ao planeta”.

A descarbonização é uma questão trabalhista

Para a maioria das pessoas na indústria que não têm uma opinião direta sobre como as empresas em que trabalham são administradas, Abraham pede uma ação coletiva. Ele sugere formar “conselhos climáticos” (grupos de colegas que compartilham preocupações ambientais) ou levantar a questão como parte de um sindicato (nas regiões onde isso for possível). “Existem caminhos para a descarbonização que podem ser feitos principalmente pela liderança – empresas que decidem fazer a coisa certa e vêm à mesa”, diz ele, “e existem caminhos em que acho que vão resistir a essas mudanças, ou não não vão fazê-los rápido o suficiente, ou renegar seus compromissos.”

Mais adiante, funcionários organizados podem influenciar o tipo de jogos que são feitos, incluindo, talvez, um afastamento dos gráficos fotorrealistas e que consomem energia de tantos títulos modernos. Mudanças mais modestas, como taxas de quadros bloqueadas e resolução limitada, provavelmente também teriam impacto, mas mesmo essas etapas exigem negar ou, pelo menos, despriorizar a corrida armamentista gráfica que até agora impulsionou a indústria. Ainda assim, se trabalhadores e consumidores exigirem, Abraham vê potencial na ideia de comercializar um jogo verde – “um jogo neutro em carbono”, ele enfatiza. A editora Kinda Brave já está utilizando esta mensagem, “carbono neutro desde o primeiro dia”, de acordo com seu relatório de sustentabilidade de 2021.

Texto adaptado de Lewis Gordon ao jornal Wired

Avatar do autor Stella Legnaioli
Escrito por:

Stella Legnaioli

Gestora ambiental formada pela Universidade de São Paulo e jornalista pelo Portal eCycle. Vegana e livre de glúten, nasci na Avenida Paulista, mas aceito convites para morar em uma ecovila!