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Impactos da pesca chegaram a um nível preocupante e estão colocando espécies nativas em extinção

Imagem de Nguyen Linh no Unsplash

Os impactos da pesca chegaram a um nível preocupante e estão colocando espécies nativas em extinção. Por enquanto, especialistas do tema apontam que a solução mais plausível para evitar as consequências da atividade pesqueira é reduzir o consumo de produtos de origem animal. Entenda:

Impactos da pesca

A pesca é uma atividade humana antiga. Hoje, entretanto, é comum criar animais aquáticos em cativeiro. Os primeiros locais de aquicultura conhecidos foram criados há mais de 6 mil anos pelos aborígenes australianos. Mais tarde, depois de 5 mil anos, foi a vez dos chineses começarem a cultivar carpas. Hoje, a produção mundial de peixes ultrapassou a produção de carne e está transformando partes do oceano em cidades fantasmas de peixes, ameaçando algumas espécies de extinção.

As fazendas de peixes em tanques e lagoas podem usar muita energia mantendo ambientes habitáveis ​​para seus peixes. Além disso, eles precisam de bastante água, que fica contaminada com resíduos de peixes. A criação intensiva de peixes também torna os surtos de doenças inevitáveis ​​e os efeitos podem ocorrer em grande escala. Em um período de seis meses, uma fazenda de salmão na Tasmânia perdeu mais de um milhão de peixes para o vírus ortomixovírus Pilchard.

Os impactos da pesca vêm sendo estudados ao longo dos anos. Uma publicação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) — uma das agências das Nações Unidas que lidera esforços para a erradicação da fome e combate à pobreza — aponta que os impactos da pesca nos ambientes aquáticos podem ser comparados aos da agropecuária no ambiente terrestre e afetam o equilíbrio ecológico em escala global.

De acordo com a publicação da FAO, a atividade pesqueira afeta a desova dos peixes e ainda reduz as taxas de reprodução e maturação desses animais e seus associados e dependentes. Como consequência, há desequilíbrio ecossistêmico e prejuízos sociais e econômicos. Ao reduzir a quantidade de predadores, por exemplo, a atividade pesqueira modifica a cadeia trófica e os fluxos de biomassa no ecossistema.

Diferente do que algumas pessoas possam imaginar, a pesca não inclui somente atividades tradicionais como aquelas realizadas por costumes indígenas. Algumas técnicas de pesca são extremamente destrutivas, e podem incluir o uso de dinamites, cianetos e arrasto em habitat inadequado.

As indústrias pesqueiras geram poluição aquática principalmente com o processamento de pescado. Nessa etapa, há uso de gases refrigeradores que destroem a camada de ozônio; despejo de antibióticos e hormônios; disseminação de doenças e espécies exóticas; e descarte de redes de plástico que demoram para se decompor e prendem animais não alvo, como mamíferos e tartarugas, efeito conhecido como pesca fantasma.

Outro problema é a evasão de espécies de cativeiros. Cerca de 50 mil salmões cultivados na Tasmânia no final do ano de 2020 escaparam para o mar gerando preocupação em ambientalistas. Os peixes escaparam depois de um incêndio nos tanques de cultivo e passaram a representar um perigo de longo prazo às outras espécies. Para corroborar com a preocupação dos ambientalistas, um estudo do Institute for Marine and Antarctic Studies (IMAS) descobriu que 15% dos salmões que escapam vivem de peixes selvagens.

Satélites encontram empresas que pescam em alto mar

Uma equipe de pesquisadores, usando dados de satélite, identificou empresas que pescam em alto mar — águas que estão fora da jurisdição nacional, onde a pesca tem gerado temores sobre violações ambientais e trabalhistas.

As empresas coreanas Sajo Group e Dongwon, proprietária da subsidiária americana Starkist, estavam entre as dez maiores empresas em alto mar, junto com um punhado de empresas chinesas e uma empresa americana com sede no Havaí.

A possibilidade de monitorar a atividade pesqueira pode trazer otimismo, mas, ainda assim, as previsões para as populações marinhas não são nada otimistas. Nesse cenário, é melhor reduzir o consumo de produtos de origem animal, seja este terrestre ou aquático. E, quem sabe, aderir ao estilo plant based.

A única forma de salvar a vida marinha é deixando de consumir animais?

A a vida marinha está colapsando ainda mais rápido que a terrestre. É o que aponta o relatório da ONU sobre biodiversidade. Segundo o levantamento, os impactos da pesca são piores que a poluição, a degradação e a acidificação do oceano. A solução seria pararmos imediatamente de consumir peixes. Há quem se ofenda com essa afirmação pensando que isso poderia prejudicar pequenas famílias pesqueiras.

Entretanto, como mencionado em artigo escrito por George Monbiot ao The Guardian, uma investigação do Greenpeace revelou que 29% da cota de pesca do Reino Unido é propriedade de cinco famílias, todas as quais figuram na lista rica do Sunday Times. Uma única multinacional holandesa, operando um vasto navio de pesca, detém mais 24% da cota inglesa. As embarcações menores — com menos de 10 metros de comprimento — representam 79% da frota, mas têm direito a apanhar apenas 2% dos peixes.

O mesmo se aplica em todo o mundo: enormes navios de nações ricas retiram os peixes das nações pobres, privando centenas de milhões de pessoas de sua principal fonte de proteína, enquanto exterminam tubarões, atuns, tartarugas, albatrozes e golfinhos. A piscicultura costeira tem impactos ainda maiores, já que peixes e camarões se alimentam dos produtos dos ecossistemas costeiros.

Na contramão desse sistema, pesquisadores aprofundam os estudos sobre piscicultura terrestre. Na Alemanha, por exemplo, já existe a instalação Fresh Cooperation que produz peixes, funcionando com eletricidade de fontes renováveis e alimentos livres de componentes de peixes capturados na natureza. Essa instalação não captura populações de peixes selvagens. No entanto, há desafios no setor, como a mortalidade em massa e carne de peixe contaminada com sabor de terra devido às condições biológicas das instalações baseadas em terra.

Além disso, questiona-se a viabilidade econômica dessas instalações, as condições biológicas de produção de peixes em ambientes terrestres são difíceis de controlar e os peixes muito jovens são sensíveis à má qualidade da água. Nos piores casos, milhares de filhotes morrem repentinamente, o que pode levar a grandes perdas e inviabilizar o lucro.

Um projeto europeu denominado DigiRAS objetiva estudar uma série de desafios ligados à piscicultura terrestre, examinando as comunidades microbianas nas águas das instalações e monitorando o comportamento dos peixes. A equipe almeja encontrar estratégias para melhorar a qualidade da água e colaborar com o bem-estar dos peixes. Por enquanto, a única forma possível de frear a destruição da vida marinha ainda é boicotando o consumo de animais.


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Escrito por:
Stella Legnaioli