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Geoengenharia é uma área do conhecimento que se presta a desenvolver tecnologias para compensar os impactos das mudanças climáticas; mas ela apresenta controvérsias

Geoengenharia, também chamada de engenharia climática ou intervenção climática, é um conjunto de tecnologias emergentes que podem atuar no meio ambiente compensando parcialmente alguns dos impactos das mudanças climáticas.

Ela engloba duas principais categorias. Ambas são consideradas por estudiosos como formas de evitar os perigos do aquecimento global, mas também podem ter impactos no meio ambiente.

A primeira categoria é a geoengenharia de carbono, também chamada de remoção de dióxido de carbono, que visa sugar o carbono da atmosfera. A segunda é a geoengenharia solar, que busca refletir mais luz do sol para resfriar o planeta.

Geoengenharia de carbono

As atividades humanas têm impactado negativamente o meio ambiente. Os gases do efeito estufa, liberados na queima de combustíveis fósseis, têm feito com que a temperatura da Terra aumente de forma acelerada.

Vários estudos indicam a necessidade de limitar o aquecimento global a menos de 2º C para evitar mudanças climáticas perigosas e irreversíveis. Nesse contexto, cientistas apontam que reduzir a emissão de gases do efeito estufa é boa parte da solução para manter a temperatura global abaixo desse nível.

Assim, há algumas propostas de geoengenharia para remoção de carbono. Entenda algumas:

Captura de carbono

Geoengenharia
Imagem de Chris LeBoutillier no Unsplash

Também conhecido como captura e armazenamento de carbono, o enterro de carbono envolve bombeamento de CO2 pressurizado em estruturas geológicas adequadas no subsolo ou no oceano profundo.

A ideia é que o CO2 seja separado de outros gases industriais para ser posteriormente bombeado por meio de dutos para formações geológicas e armazenado por longos períodos de tempo.

Fertilização oceânica

A fertilização dos oceanos aumentaria a absorção de CO2 do ar pelo fitoplâncton, micro-organismo que reside na superfície do oceano ou bem próxima a ela.

Com essa proposta, espera-se que o fitoplâncton, depois de florescer, morra e afunde no fundo do oceano, levando consigo o CO2 que havia fotossintetizado em novos tecidos.

Essa ideia também é chamada de bioengenharia, mas apresenta uma grande controvérsia em relação ao seu impacto ambiental. A fertilização envolveria a dissolução de ferro ou nitratos nas águas superficiais das regiões oceânicas para promover o crescimento do fitoplâncton onde a produtividade primária é baixa.

Autoridades do tema dizem que essa proposta levaria décadas para se concretizar. Além disso, alguns estudos sugerem que provavelmente a fertilização não teria o efeito desejado e poderia ser prejudicial, pois o crescimento desenfreado de fitoplâncton pode levar a um aumento de toxinas e à diminuição do oxigênio dissolvido, prejudicando outros organismos e criando “zonas mortas”.

Geoengenharia solar

Uma das principais categorias da geoengenharia é a solar. Apesar de seu objetivo ser combater as mudanças climáticas, refletir os raios solares não resolvem diretamente a causa raiz da crise climática.

Ainda assim é uma tecnologia defendida para ser utilizada com o objetivo de diminuir o aumento da temperatura global. Veja algumas propostas de geoengenharia solar:

Injeção de enxofre estratosférico

A injeção de aerossóis, formando uma camada de enxofre na estratosfera, aumentaria a dispersão da radiação solar iniciante.

Quanto mais radiação é espalhada na estratosfera por meio dos aerossóis, menos radiação é absorvida pela troposfera — nível mais baixo da atmosfera — com isso, o clima se torna mais ameno. A geoengenharia defende que a injeção de enxofre imitaria os efeitos atmosféricos que seguem as erupções vulcânicas, também tornando o clima da Terra mais ameno.

A erupção do Monte Pinatubo em 1991 é citada como a inspiração para essa proposta. Quando aconteceu, ela depositou grandes quantidades de material particulado e dióxido de enxofre na atmosfera. Foi relatado que essa camada de aerossol reduziu as temperaturas médias em todo o mundo em cerca de 0,5ºC.

Isso, entretanto, não resolveria os níveis crescentes de CO2 que tem contribuído com a acidificação dos oceanos. Além disso, é uma medida arriscada, porque o dióxido de enxofre pode causar aumento da chuva ácida.

Clareamento de nuvem

Clareamento de nuvem ou branqueamento de nuvem é uma proposta da geoengenharia que busca reduzir a quantidade de radiação solar que atinge a superfície da Terra.

Para isso, dispositivos de pulverização gigantescos seriam colocados em terra e montados em navios oceânicos. Eles expulsariam uma névoa de gotículas de água do mar pressurizada e sais dissolvidos a altitudes de até 300 metros.

À medida que as gotas de água evaporam, cristais permaneceriam para refletir a radiação solar incidente. Esses cristais também serviriam como núcleos de condensação e formariam novas gotículas de água que, por sua vez, aumentariam a cobertura geral das nuvens marinhas, refletindo mais radiação solar.

No entanto, trata-se de uma técnica limitada às áreas oceânicas. Além disso, sua aplicação em larga escala poderia causar fortes perturbações atmosféricas e oceânicas regionais ou locais, incluindo impactos potencialmente significativos na biodiversidade de ecossistemas terrestres e marinhos.

Em resumo, apesar de visar a restauração climática ou ao menos a mitigação das mudanças, a geoengenharia traz preocupações em relação à sua eficácia e seus impactos ambientais. A principal questão é o fato da tecnologia não estar relacionada à raiz do problema.

Uma alternativa para combater as mudanças climáticas seria, por exemplo, reduzir o consumo de carne de origem animal que, por sua vez, reduz a emissão de gases do efeito estufa. Saiba mais sobre esses temas nas matérias: