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Sistema desenvolvido em 2018 por pesquisadores dos EUA avalia impactos à saúde e ao meio ambiente de quase 6 mil alimentos

O Índice de Saúde Nutricional (HENI), ou Health Nutritional Index, é uma ferramenta baseada nos impactos à saúde para avaliação nutricional de alimentos e dietas. O sistema foi desenvolvido em 2018 por pesquisadores da área de Ciências da Saúde Ambiental da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Segundo os estudiosos, os índices nutricionais existentes anteriormente não davam conta de quantificar os diversos efeitos dos principais grupos de alimentos e nutrientes na saúde humana. Para vencer esse desafio, o novo sistema de pontuação se baseia na carga de saúde, em anos de vida, ajustados por incapacidade, utilizando evidências epidemiológicas da Carga Global de Doenças (GBD) para classificar e avaliar itens alimentares e dietas.

Assim, o Índice de Saúde Nutricional analisa os efeitos na saúde de oito grupos de alimentos principais (nozes, castanhas e sementes; grãos inteiros; frutas; vegetais; leite; bebidas adoçadas com açúcar; carne vermelha; carnes processadas) e seis nutrientes (ômega-3, cálcio, fibras, ácidos graxos poli-insaturados, gordura trans e sódio), identificados pelo GBD como fatores de risco dietéticos.

Combinando taxas de incidência específicas de doenças e dados como idade, sexo e fatores de risco, os pesquisadores classificam cerca de 6 mil alimentos de acordo com sua capacidade de prolongar ou encurtar a vida de um indivíduo.

Para os cálculos, também são utilizados bancos de dados como o o Food Patterns Equivalents Database (FPED), o Food and Nutrient Database for Dietary Studies (FNDDS) e o USDA National Nutrient Database for Standard Reference (SR).

Além dos impactos na saúde, o índice também classifica os alimentos e dietas de acordo com seus impactos ambientais (ou seja, a pegada de carbono que você produz ou deixa de produzir quando opta por determinados alimentos).

Entendendo os impactos no dia a dia

Em artigo para o portal The Conversation, Olivier Jolliet e Katerina S. Stylianou, pesquisadores responsáveis pela elaboração do índice, explicam em detalhes como funciona e para que serve o Índice de Saúde Nutricional.

Na teoria, todos nós sabemos que nossas escolhas alimentares afetam nossa própria saúde e também a do nosso planeta. Mas, no dia a dia, é difícil saber até que ponto as escolhas individuais, como comprar verduras variadas no supermercado ou pedir uma porção de asa de frango em um bar, se traduzem em saúde pessoal e ambiental.

O objetivo do índice é, justamente, preencher essa lacuna. A ideia é identificar alimentos sustentáveis que, ao mesmo tempo, promovam a saúde humana de verdade, para além da visão simplista que opõe a carne (como vilã) aos vegetais (como mocinhos).

Para isso, eles identificaram 15 fatores de risco dietéticos baseados na saúde nutricional com 18 indicadores ambientais para avaliar, classificar e priorizar mais de 5.800 alimentos individuais. Com o estudo, a equipe pretendia elucidar duas questões importantes: mudanças drásticas na dieta são realmente necessárias para melhorar nossa saúde individual e reduzir os impactos ambientais? E toda a população precisa se tornar vegana para fazer uma diferença significativa para a saúde humana e do planeta?

Quais alimentos ajudam a prolongar – ou a encurtar – a sua vida?

Em um estudo publicado na revista científica Nature Food, os pesquisadores forneceram alguns dos primeiros números concretos para avaliar a carga de saúde de várias escolhas alimentares, avaliando os alimentos individuais com base em sua composição para calcular os benefícios ou impactos líquidos de cada item.

Posteriormente, o Índice Nutricional de Saúde transforma essas informações em minutos de vida perdidos ou ganhos por porção de cada alimento consumido. Um exemplo? A equipe descobriu que comer um único cachorro-quente pode custar 36 minutos da sua “vida saudável”. Por outro lado, uma porção de 30 gramas de nozes proporciona 25 minutos extras de vida saudável – ou seja, um aumento considerável na expectativa (e na qualidade) de vida. Saiba mais clicando na matéria abaixo:

O estudo também mostrou que substituir apenas 10% da ingestão calórica diária de carne bovina e carnes processadas por uma mistura diversa de grãos inteiros, frutas, vegetais, nozes, legumes e frutos do mar selecionados poderia reduzir, em média, a pegada de carbono na dieta de um consumidor americano em um terço, além de adicionar 48 minutos saudáveis ​​de vida por dia. A troca parece valer a pena, não?

Como é calculado o Índice Nutricional de Saúde?

O Índice Nutricional de Saúde é baseado na Carga Global de Doenças, um estudo global abrangente que foi desenvolvido com a ajuda de mais de 7 mil pesquisadores em todo o mundo. A Carga Global de Doenças determina os riscos e benefícios associados a vários fatores ambientais, metabólicos e comportamentais, incluindo 15 fatores de risco dietéticos.

A equipe da Universidade de Michigan coletou esses dados epidemiológicos de nível populacional e os adaptou para o nível de alimentos individuais. Levando em consideração mais de 6 mil estimativas de risco específicas para cada idade, sexo, doenças e fatores de risco, bem como o fato de que há cerca de meio milhão de minutos em um ano, eles calcularam o prejuízo à saúde que acompanha um grama de comida para cada um dos fatores de risco dietéticos.

Exemplificando: os pesquisadores descobriram que, em média, 0,45 minutos são perdidos por grama de qualquer carne processada consumida nos Estados Unidos. Em seguida, esse número é multiplicado pelos perfis alimentares correspondentes que foram desenvolvidos anteriormente.

No cachorro-quente, por exemplo, o maior problema é justamente a carne processada (ou, como você deve conhecer, a salsicha). Em média, um único sanduíche desse tipo contém 61 gramas de carne processada – quantidade que, segundo o índice, corresponde a 27 minutos de vida saudável perdidos.

Os demais fatores de risco associados ao lanche (gorduras trans e sódio, por exemplo) elevam ainda mais esse número. No entanto, as fibras e as gorduras poli-insaturadas, que são benéficas para a saúde, contrabalanceiam o resultado final, que é de 36 minutos.

Esse cálculo foi repetido para mais de 5.800 alimentos e pratos mistos. Em seguida, compararam-se as pontuações dos índices de saúde com 18 métricas ambientais diferentes, incluindo pegada de carbono, uso da água e impactos na saúde humana induzidos pela poluição do ar.

Por fim, usando esse nexo saúde e meio ambiente, os pesquisadores codificaram por cores cada item alimentar: verde, amarelo ou vermelho. Como um semáforo, os alimentos verdes têm efeitos benéficos à saúde e baixo impacto ambiental e devem ser privilegiados na dieta, enquanto os vermelhos devem ser reduzidos.

Resultados: o que comer e o que evitar

Quando se trata de sustentabilidade ambiental, os pesquisadores encontraram variações surpreendentes. Para os alimentos “vermelhos”, a carne bovina tem a maior pegada de carbono em todo o seu ciclo de vida – duas vezes mais alta que a carne de porco ou cordeiro e quatro vezes a de aves e laticínios.

Do ponto de vista da saúde, eliminar a carne processada e reduzir o consumo geral de sódio proporciona o maior ganho de vida saudável em comparação com todos os outros tipos de alimentos. Portanto, uma dica é reduzir o consumo de alimentos com alto teor de carne bovina e processada, seguidos de carne de porco e cordeiro.

Entre os alimentos à base de plantas, os vegetais cultivados em estufa tiveram uma pontuação baixa nos impactos ambientais, em virtude das emissões de combustão do aquecimento.

Segundo os pesquisadores, os alimentos que você pode considerar em uma dieta são aqueles que têm altos efeitos benéficos para a saúde e baixo impacto ambiental. As opções “verdes” mais interessantes incluem grãos inteiros, frutas, vegetais, nozes e legumes, além de peixes e frutos do mar de baixo impacto ambiental.

Vários aspectos devem ser considerados

No entanto, o estudo também mostra que, quando se trata de sustentabilidade alimentar, não basta considerar apenas a quantidade de gases de efeito estufa emitidos – a chamada pegada de carbono. Técnicas de economia de água, como irrigação por gotejamento e reutilização de água cinza – ou águas residuais domésticas, como as de pias e chuveiros – também podem representar passos importantes para reduzir a pegada hídrica da produção de alimentos.

Uma limitação de estudo é que os dados epidemiológicos ainda não permitem diferenciar alimentos que pertencem ao mesmo grupo, como uma maçã e uma melancia.

Além disso, vale notar que os alimentos sempre devem ser considerados dentro do contexto de uma dieta individual. Se você se alimenta excessivamente de frutas e não consome a quantidade diária adequada de proteínas, por exemplo, as frutas deixam passam a ser nocivas à sua saúde, em vez de benéficas.

Ao mesmo tempo, o Índice de Nutrientes para a Saúde tem potencial para ser adaptado regularmente, incorporando novos conhecimentos e dados à medida que eles se tornam disponíveis. Já dá para começar a fazer a sua parte, limitando o consumo de carnes processadas. Saiba mais sobre os problemas associados a esse tipo de alimento no vídeo abaixo, disponível no canal do Portal eCycle.