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Comunicação afetiva contribui para o nosso bem-estar físico e mental. Entenda por quê

Comunicação afetiva, ou comunicação afetuosa, é um conjunto de comportamentos verbais e não verbais pelos quais transmitimos uma mensagem. Basear a comunicação no afeto é uma habilidade linguística, cooperativa e empática, atrelada também ao desenvolvimento das competências socioemocionais.

Como todos os comportamentos interpessoais, a comunicação afetuosa tem antecedentes fisiológicos, correlatos e consequências, muitos dos quais têm implicações para o bem-estar físico e psíquico das pessoas.

Estudos revelam que a ausência de comunicação afetiva prejudica não só as relações interpessoais, mas também a nossa saúde mental, elevando os níveis de estresse e causando danos psicológicos que, muitas vezes, exigem tratamento especializado.

Por se tratar de uma habilidade aprendida e desenvolvida ao longo da vida, a privação de afeto na comunicabilidade pode se tornar um círculo vicioso. Pense, por exemplo, em um indivíduo que passou a infância em um ambiente com predomínio de comportamentos verbais agressivos.

A tendência é que, ao atingir a idade adulta, ele reproduza o modelo de comunicação não afetuoso com que está habituado. Daí a importância de estimular o afeto na comunicação desde cedo, em um esforço conjunto que inclua escola, família, políticas públicas e mídias convencionais.

O impacto da comunicação afetiva no bem-estar físico e mental

A comunicação afetuosa inclui comportamentos verbais (dizer “Eu te amo” ou “Você significa muito para mim”), não verbais (oferecer abraços e/ou beijos) e atividades de apoio (fazer favores para alguém). É por meio desses comportamentos que as pessoas formam e mantêm relacionamentos íntimos.

Como um comportamento adaptativo, desenvolvido ao longo da evolução humana, a comunicação afetiva contribui para a saúde e o bem-estar ao moderar os processos fisiológicos associados ao gerenciamento e recuperação do estresse.

Se você for como a maioria das pessoas, provavelmente diria que ouvir as palavras “Eu te amo” de seu cônjuge ou de outra pessoa importante o faz se sentir bem. Talvez você possa até descrever as sensações de calor, conforto e proteção que experimenta ao ouvir essa expressão.

Embora a maioria de nós ficasse contente simplesmente em desfrutar dos sentimentos positivos que a afeição romântica nos traz, pesquisadores da Arizona State University, nos Estados Unidos, têm trabalhado para identificar o que acontece no corpo para provocá-los. Em outras palavras, eles tentam explicar por que a comunicação afetuosa é tão boa para o nosso bem-estar físico e mental.

Hormônios respondem ao afeto

Uma resposta possível é que receber expressões de afeto reduz os hormônios em nosso corpo que ficam elevados durante os períodos de estresse. Assim, a comunicação afetuosa é benéfica porque nos deixa menos estressados. Para examinar essa possibilidade, os pesquisadores Kory Floyd e Sarah Riforgiate recrutaram 20 casais para relatar seus níveis de comunicação afetuosa um com o outro.

Os cônjuges indicaram a frequência com que expressaram três tipos diferentes de afeto um para o outro: declarações verbais (como dizer “Eu te amo” ou “Eu me importo com você”); gestos não verbais diretos (como beijar, segurar as mãos ou abraçar); e comportamentos de apoio social (como ouvir uns aos outros ou ajudar uns aos outros com problemas).

Durante o estudo, um cônjuge de cada casal também coletou várias amostras de saliva ao longo de um dia normal de trabalho. Os participantes depositaram o fluido em frascos de plástico etiquetados que foram enviados a um laboratório. Os pesquisadores analisaram a saliva para os níveis de dois importantes hormônios do estresse, cortisol e sulfato de desidroepiandrosterona (DHEA-S), ambos produzidos pela glândula adrenal do corpo.

Mais afeto, menos estresse

Depois de comparar os níveis de hormônio dos participantes com os relatos de comunicação afetuosa, os pesquisadores descobriram que, quanto mais as pessoas recebiam expressões de afeto de seus cônjuges, mais saudáveis ​​eram seus níveis de hormônio do estresse.

Essa descoberta corrobora o que vários outros estudos descobriram nos últimos anos: dar e receber comunicação afetiva é bom para você fisicamente. O estudo foi baseado na teoria da troca afetiva de Floyd, segundo a qual a comunicação afetuosa evoluiu entre os humanos porque contribui para a segurança física e o bem-estar.

Se a comunicação afetuosa estiver relacionada aos hormônios do estresse mais baixos, como indica o estudo, o aumento do comportamento afetuoso em relacionamentos íntimos pode melhorar as condições de saúde exacerbadas pelo estresse, como hipertensão, níveis elevados de açúcar no sangue e colesterol alto.

Em uma série de estudos randomizados e controlados, Floyd e seus colegas demonstraram exatamente esse efeito. Eles acreditam que, na verdade, o incentivo para aumentar a comunicação afetuosa nas famílias e nos relacionamentos românticos pode, algum dia, ser um componente comum da terapia relacional.

Toque e gestos de carinho também fazem parte da comunicação afetiva

Em artigo publicado no periódico The Conversation, Kory Floyd explica que a comunicação afetuosa se manifesta de diversas maneiras. Durante a pandemia do novo coronavírus, os protocolos de contenção da Covid-19, como o distanciamento social, restringiram algumas dessas manifestações de afeto.

Como um estudioso da comunicação afetiva, ele aproveitou a oportunidade para analisar os efeitos dessas restrições no bem-estar psíquico das pessoas. Suas observações corroboram os resultados de estudos anteriores: a privação afetiva prejudica os seres humanos.

Fome de toque

Mesmo com o distanciamento social, as pessoas ainda podem dizer “eu te amo”. Elas também podem compartilhar mensagens de texto afetuosas e postagens nas redes sociais – e, graças a plataformas como Zoom e Skype, podem ouvir e ver as pessoas que amam à distância. A única experiência que as mídias digitais não são capazes de facilitar, no entanto, é o toque.

Floyd explica que o que as pessoas sofreram durante a pandemia foi a “fome de toque”, um termo coloquial para o que os cientistas sociais chamam de “privação de afeto”, um estado em que os indivíduos desejam ou precisam de mais afeto do que recebem.

Semelhante à fome normal, a fome de toque serve como um alerta de que algo importante está faltando. Nesse caso, o que falta é a sensação de segurança, de intimidade e de cuidado que vem com o contato tátil. E essa ausência pode ter muito mais impacto na nossa psique do que poderíamos imaginar.

Toque previne problemas de saúde

A psicóloga Ruth Feldman demonstrou que o toque é fundamental para o desenvolvimento físico e cognitivo saudável desde a infância. Durante a idade adulta, o toque afetuoso contribui tanto para a saúde psicológica quanto para a capacidade do corpo de controlar o estresse e reduzir a inflamação.

Para você ter uma ideia, o toque afetuoso pode elevar a capacidade de resposta aos tratamentos para demência. O toque é tão poderoso, na verdade, que até mesmo imaginá-lo pode reduzir o estresse e a dor, de acordo com as psicólogas Brittany Jakubiak e Brooke Feeney.

Quando as pessoas se sentem privadas do toque, portanto, é compreensível que seu bem-estar seja prejudicado. Mesmo em tempos normais, a fome de toque está associada a maior estresse, ansiedade e solidão, sono de baixa qualidade e redução da satisfação e proximidade nos relacionamentos românticos.

Em um contexto de pandemia, a restrição ao toque explica por que tantas pessoas experimentam sentimentos exacerbados de angústia e sofrimento associados ao isolamento social.

A psicóloga biológica Karen Grewen e seus colegas mostraram que abraçar o parceiro reduz a extensão em que situações estressantes elevam a pressão arterial e os batimentos cardíacos, enquanto a psicóloga Sheldon Cohen e sua equipe descobriram que abraçar protege o corpo contra o estresse de uma exposição viral.

Respondendo à falta de toque afetuoso

Floyd garante que nem todo mundo precisa da mesma quantidade de toque afetuoso, da mesma forma que precisamos de quantidades diferentes de comida ou sono. Como tantas outras necessidades básicas, a exigência de toque varia de pessoa para pessoa, de acordo com os estudiosos da comunicação Laura Guerrero e Peter Andersen.

Aliás, o toque pode ser desconfortável para pessoas com problemas físicos, como artrite reumatoide, ou condições de saúde mental, como transtorno do espectro do autismo. Indivíduos que sofreram traumas, como abuso sexual, também podem experimentar incômodo quando tocados.

Também é importante notar que nem todas as formas de toque são igualmente benéficas. Alguns toques superficiais, como um aperto de mão, podem ser bastante benignos, enquanto o toque agressivo ou abusivo geralmente precipita prejuízos à saúde em longo prazo.

Para aqueles que sentem falta do toque, no entanto, a pesquisa sugere alguns substitutos eficazes. Compartilhar afeto com um animal de estimação, por exemplo, contribui muito para o alívio do estresse. A automassagem, como nas mãos ou no pescoço, pode ter efeitos calmantes e redutores da dor.

Até mesmo abraçar um travesseiro reduz a experiência de estresse no cérebro. Esses são todos substitutos imperfeitos para a comunicação afetiva, definitivamente. Mas diante de situações extremas, como uma pandemia, eles podem ser úteis para aplacar um pouco da nossa “fome de toque”.