O que são energias renováveis e seus benefícios

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Uma das formas mais eficientes de compensar e realizar a neutralização de carbono é por meio de energias renováveis

energias renovaveis
Imagem de Red Zeppelin no Unsplash

Energias renováveis, energias alternativas ou energias limpas são três nomes possíveis para qualquer energia obtida por meio de fontes renováveis, que não geram grandes impactos ambientais negativos. Consumir energia 100% limpa é o jeito mais eficiente de compensar as emissões de CO2. A fonte de energia mais usada ainda é o carvão, com o consumo mundial de mais de 28% contra quase 13% de energias renováveis, como hidrelétrica, solar e eólica.

O Brasil possui uma matriz energética predominantemente renovável devido às hidrelétricas, apesar do crescimento do uso de termelétricas abastecidas por combustíveis fósseis. No Brasil, o setor energético corresponde a 30% das emissões de CO2, ficando atrás, por uma pequena porcentagem, apenas da mudança no uso do solo e da agricultura, que têm as maiores contribuições para o aquecimento global.

Os investimentos e tecnologias em energia renovável estão crescendo cada vez mais. Cerca de 90% das novas energias geradas no ano de 2015, por exemplo, vêm de fontes renováveis. Aquele foi o ano da energia renovável; o investimento foi de US$ 286 bilhões principalmente em energia solar, biocombustíveis e eólica. O uso de energias limpas evitou o lançamento de 1,5 gigatonelada (Gt) de CO2 em 2014; mesmo assim, 32,3 Gt de CO2 foram gerados pelos combustíveis fósseis (carvão, óleo e gás natural) no mesmo ano.

Empresas que produzem energia limpa, como projetos de aproveitamento do biogás em aterros, projetos de energias eólica, solar, biomassa, entre outras, podem vender sua produção pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), na forma de créditos de carbono, pela quantidade correspondente às emissões evitadas. Para realizar a neutralização de carbono, o responsável pode comprar esses créditos de carbono proveniente de energias renováveis.

Principais tipos de energias renováves

Biomassa

Biomassa é toda matéria orgânica, derivada de plantas ou de animais, disponível de forma renovável. Ela pode ser oriunda de restos de madeira, de sobras agrícolas, de resíduos urbanos orgânicos, de esterco… E a bioenergia é a energia derivada da conversão da biomassa em combustível. A energia proveniente da biomassa corresponde aos biocombustíveis etanol, biodiesel, biogás. O Brasil também é um dos maiores produtores de etanol e o uso do bagaço da cana-de-açúcar para as usinas termelétricas também está crescendo. Em comparação com a gasolina, o biocombustível (etanol) emite até 82% menos dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. A biomassa pode ser uma das grandes fontes de energias renováveis se for cultivada de maneira sustentável, ou pode ser uma grande destruidora se manejada de forma incorreta.

Energia geotérmica

É a utilização da energia térmica do interior da Terra. Essa fonte de energia renovável pode ser usada diretamente (sem a produção de energia em usinas, utilizando apenas o calor gerado pelo solo) ou indiretamente (quando o calor é encaminhado para uma indústria que o transforma em energia elétrica). O crescimento por ano é de 3%, mas é viável somente em regiões com potencial geológico para isso (em especial aquelas próximas a vulcões). Dependendo da técnica utilizada, esse tipo de energia também pode emitir diretamente sulfeto de hidrogênio, dióxido de carbono, amônia, metano e boro, que são substâncias tóxicas.

Hidrelétrica

O Brasil é o segundo país do mundo com maior capacidade e geração de energia hidráulica, atrás apenas da China. As hidrelétricas usam uma elevação para aumentar a força da água e girar as turbinas para produzir energia elétrica. Apesar de ser considerada uma fonte de energia limpa devido à sua baixa emissão de gases de efeito estufa (GEEs), as grandes hidrelétricas causam significativos impactos ao meio ambiente; a solução seria investir em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) que possuem menor impacto. Saiba mais na matéria: "O que é energia hidrelétrica?".

Energia dos oceanos

Esse tipo de energia renovável pode ser proveniente principalmente de marés (maremotriz) ou das ondas (ondomotriz). A fonte energética ainda é pouco utilizada, pois para ser eficiente e economicamente viável, a costa precisa ter características específicas, como marés maiores que três metros. O preço do kW é alto, tornando esse tipo de energia não atrativa comparada como outras fontes.

Energia solar

A energia proveniente do sol é a energia renovável mais promissora para o futuro e a que recebe mais investimentos. A radiação solar pode ser capturada por placas fotovoltaicas e ser convertida em energia térmica ou elétrica. Quando painéis estão localizado em construções, como casas ou indústrias, os impactos ambientais são mínimos. Esse tipo de energia é uma das mais fáceis de ser implantada nos próprios estabelecimentos que querem a reduzir das suas emissões de CO2. Painéis podem ser adquiridos por pessoas físicas e empresas e instalados nos telhados de seus estabelecimentos, por exemplo. Saiba mais sobre essa fonte de energia renovável: "Energia solar: o que é, vantagens e desvantagens".

Energia eólica

O Brasil tem um grande potencial eólico, por isso nós ingressamos no ranking dos dez países mais atraentes do mundo para investimentos no setor. A emissão de CO2 dessa fonte de energia alternativa é mais baixa que a da energia solar e é uma opção para o país não depender somente das hidrelétricas. Os investimentos em parques eólicos são uma ótima opção para neutralização de carbono emitidos por empresas, atividades, processos, eventos, etc. Saiba mais: "O que é energia eólica?".

Energia nuclear

A energia nuclear não é considerada uma energia renovável, e sim uma energia alternativa de baixa emissão de carbono. Entre as energias apresentadas aqui, a nuclear é a que menos emite CO2, entretanto existem muitas desvantagens do seu uso. A possibilidade de utilização levanta um debate global sobre as prioridades de cada país. Por exemplo, os Estados Unidos deixaram de emitir 64 bilhões de gases de efeito estufa com o uso de energia nuclear, mas corre riscos, como quando ocorrem vazamentos e contaminações - casos famosos se deram em Chernobyl, na Ucrânia, e em Fukushima, no Japão. Os riscos e impactos desse tipo de acidente são imensos. Sem contar que, mesmo que não haja qualquer problema, os resíduos nucleares têm disposição muito difícil.

Comparações

Analisando o ciclo de vida da energia renovável, incluindo manufatura, instalação, operação e manutenção, fica claro como a quantidade de CO2 emitido pelas diversas fontes é mínima comparada a fontes tradicionais. Um relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) mostra a quantidade de CO2 emitida pelas principais fontes de energia:

  • Carvão - 635 a 1.633 gramas de CO2 equivalente por quilowatt-hora de geração (gCO2eq/kWh)
  • Gás Natural - 272 a 907 gCO2eq/kWh
  • Hidrelétrica - 45 a 227 gCO2eq/kWh
  • Energia geotérmica - 45 a 90 gCO2eq/kWh
  • Energia solar - 32 a 90 gCO2eq/kWh
  • Energia eólica - 9 a 18 gCO2eq/kWh
  • Energia nuclear - 13,56 gCO2eq/kWh

A palavra chave para a neutralização é adaptação. Empresas podem investir em energia limpa de projetos certificados, garantindo a qualidade e a procedência na hora da compra, protegendo o consumidor. No Brasil, o caso da energia não é tão problemático, já que nossa matriz é principalmente proveniente de hidrelétricas, considerada uma energia renovável, apesar das controvérsias. Mas vale lembrar que existem energias capazes de diminuir ainda mais as emissões, pois produzem menos CO2 que as hidrelétricas, como a solar e eólica!

Veja o vídeo (em inglês) sobre energias renováveis:

Podem reduzir milhões de dólares com gastos na saúde

Energias renováveis como aqueles provenientes de usinas eólicas e solares ajudam a reduzir o impacto humano nas mudanças climáticas, principalmente no aquecimento global, ao evitar emissões nocivas oriundas de usinas termelétricas movidas a carvão, por exemplo. Um estudo publicado pela Nature Climate Change, indica que fontes renováveis também poupam muitos gastos com saúde que seriam ocasionados por doenças provocadas pela poluição.

Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, estimaram que medidas de eficiência energética e fontes de energia de baixo carbono podem economizar de US$ 5,7 milhões a US$ 210 milhões dependendo da região (o estudo foi feito em seis regiões do Meio-Atlântico e dos Grandes Lagos, nos Estados Unidos). Esses benefícios dependem dos tipos de energia de baixo carbono envolvidas e da densidade da população da área ao redor da usina de carvão (que seria substituída por outras fontes menos danosas).

Fontes de energias renováveis e medidas de eficiência energética (que evitam desperdício de energia), além de reduzirem emissões de dióxido de carbono (CO2) que agravam mudanças climáticas, reduzem poluentes do ar como óxido nitroso (N2O) e dióxido de enxofre (SO2), que podem ser muito danosos (veja mais sobre alguns deles: "Poluição: o que é e quais os tipos existentes").

Produção contínua

Uma medida inovadora da pesquisa foi tentar "precificar" os prejuízos, dando uma medida concreta para análise. Usando alguns diferentes modelos para estimar as consequências das emissões de uma usina de energia para a saúde pública, o estudo mostra que construir captadores eólicos e implementar medidas de eficiência energética são as ações que produzem os maiores benefícios à saúde. Isso ocorre porque as usinas eólicas costumam operar em horários e épocas que não são os de pico de consumo, como de noite e durante primavera e outono - sendo capazes de evitar a emissão de grandes proporções de poluentes, segundo o líder do estudo, Jonathan Buonocore.

Em países como os Estados Unidos, em que há muitas termelétricas a carvão, há um problema: quando há demanda por energia em horários que não são os de pico, apenas as usinas termelétricas estão funcionando e, consequentemente, poluindo. Usinas que utilizam fontes de baixo carbono, como solar e a gás natural, não funcionam à noite.

Quando os consumidores estão usando muita eletricidade, como no meio de um dia quente de verão, as fontes de baixo carbono operam, mas à noite a maioria é de termelétricas. Por isso é que é importante, segundo o estudo, focar em usinas eólicas e em um mondo de armazenar e transmitir de forma eficiente a energia gerada por esse meio sustentável.

Os impactos totais à saúde aumentam à medida em que mais pessoas são expostas à poluição do ar; assim, os benefícios são ainda maiores em locais com uma grande população, segundo Buonocore.

O estudo desvendou que usinas eólicas construídas nas proximidades de Cincinnati e Chicago produziram U$ 210 milhões anuais em benefícios à saúde; em Nova Jérsei, uma região com menor densidade populacional, os benefícios foram da ordem de U$ 110 milhões.

O diretor do Laboratório de de Energias Renováveis da Universidade de Califórnia-Berkeley, Daniel Kammen que não é ligado ao estudo, teceu elogios à publicação, mas acredita que ela não enfoca as desigualdades ambientais do sistema. O estudo assume que todos os estadunidenses são iguais, mas Kammen afirma que algumas pessoas são mais vulneráveis que outras, especialmente as comunidades que estão localizadas nas proximidades das usinas.

Confira o vídeo (em inglês) sobre o impacto das energias renováveis na saúde.


Fontes: Climate Central, IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) e IEA (International Energy Agency)

Veja também:

 

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