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Preconceito linguístico é uma forma de discriminação relacionada às variedades línguisticas de classes mais desafavorecidas

Preconceito linguístico é um ato ou pensamento discriminatório relacionado à maneira que um indivíduo se expressa com a linguagem. Ele geralmente está ligado à classes sociais desfavorecidas, já que a desigualdade acaba gerando menos educação formal para esses indivíduos. Desta forma, são discriminados aqueles que a alta sociedade considera não saber o português formal. 

O preconceito linguístico pode acontecer em qualquer localidade. Dois exemplos práticos que podem ajudar a entender são:

  1. Um vendedor se muda do Maranhão para São Paulo. Ele encontra um emprego em uma rede de supermercados. Enquanto trabalha lá, este vendedor enfrenta problemas pois seu chefe vive o provocando sobre a maneira como ele expressa algumas palavras. Levando em conta que a pronúncia e o nome de certos objetos podem mudar de acordo com a região.
  2. Um jovem imigrante se muda para os Estados Unidos. Refugiado de guerra, ele aprendeu o que sabe da língua inglesa trabalhando no país. No entanto, devido à barreira linguística e cultural, ele não tem a pronúncia de um nativo americano. Desta forma, ele percebe que as pessoas costumam rir de seu sotaque.

Nas duas situações, os envolvidos sofrem algum tipo de discriminação pela maneira como falam. Em ambos os exemplos, as pessoas que praticam o preconceito linguístico se entendem como superiores, por assumir que sabem a forma “correta” de usar a língua.  

indígena
Preconceito e diversidade étnica lado a lado na cidade mais indígena do País

Causas relacionadas

Alguns fatores podem levar as pessoas a praticarem preconceito linguístico. Isso porque ele surge da construção de um padrão imposto por uma elite econômica e intelectual. Essa elite entende tudo fora desse padrão como um erro. Existem alguns outros preconceitos que estão diretamente relacionados ao preconceito linguístico

Classe social

Essa talvez seja a causa mais comum de preconceito linguístico. Isso porque a população mais pobre tem um acesso mais limitado à educação e cultura, o que por muitas vezes resulta em um diferencial do que é colocado como padrão pela elite. Desta forma, essas pessoas acabam sofrendo discriminação por dominarem apenas variedades línguisticas mais informais.

Essa questão acaba acentuando as diferenças e desigualdades de classe. Pois, as pessoas que têm menos acesso à educação, acabam enfrentando dificuldade em encontrar empregos. Isso tudo cria um ciclo vicioso de pobreza atenuado pelo preconceito linguístico.

Região

A questão da classe social está envolvida em muitos cenários. Como no preconceito linguístico por região. Afinal, pessoas que habitam as regiões mais ricas do país vão acreditar dominar de uma educação superior, e eventualmente podem praticar discriminação contra individuos de regiões mais pobres. 

Um exemplo é o preconceito linguístico contra pessoas que tem sotaque da região norte, nordeste e centro-oeste do Brasil. Por muito tempo, foi pregado que as regiões sul e sudeste do país dominavam o português formal e que cabe na norma padrão.

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Cultura

Cada lugar tem sua cultura diferente, porém, a elite intelectual da sociedade costuma pregar que as variedades linguísticas de sua cultura são as mais corretas. Desta maneira, tudo aquilo que provém de culturas menos favorecidas, seja pela discriminação histórica ou pela pobreza, é considerado inferior.

Um exemplo da situação é a relação da sociedade com estilos musicais como o funk e o rap. Devido a linguagem desses estilos diferir da normal padrão do português, e ser comum entre classes sociais mais baixas, existe um grande movimento contrário aos gêneros. Muitas pessoas pregam que o funk, por exemplo, não se encaixa como cultura ou gênero musical. Em decorrência do preconceito linguístico contra quem trabalha nessa indústria.

Racismo

O racismo se dá como uma forma de preconceito em decorrência a percepções sociais baseadas em diferenças biológicas entre os povos. Pessoas negras e orientais sofrem com discriminação no Brasil e em diversos outros lugares no mundo. Essa violência também reflete na linguagem usada por essas pessoas, que também sofrem de preconceito linguístico.

Diversas palavras da cultura negra são usadas como zombaria ou significados distorcidos, em uma forma de preconceito linguístico. O mesmo acontece com a cultura oriental, quando um indivíduo se aproveita da diferença linguística dessas pessoas para fazer piadas e até mesmo diminuir a sua cultura.

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LGBTQIA+

Ao decorrer dos séculos, a sociedade excluiu pessoas da comunidade LGBTQIA+ de situações cotidianas. Isso fez com que esses indivíduos tivessem que se adaptar, criando um linguajar diferente para se proteger e garantir afeto dos seus. 

A comunidade criou um dialeto chamado de pajubá, que está bastante presente no dia a dia de pessoas LGBTQIA+ brasileiras. Quando a sociedade zomba e diminui o valor da variedade linguística desses indivíduos, ela pratica uma forma de preconceito linguístico. Essa discriminação trabalha como uma microagressão, que afeta milhares de vidas em todos os lugares.

O resultado do preconceito linguístico é a acentuação de todos esses preconceitos relacionados acima. Uma pessoa de baixo poder socioeconômico que sofre dessa discriminação em uma entrevista de emprego, vai seguir desempregada. Desta forma, ela não poderá mudar sua vida e ter contato com a educação e a cultura.

Um indivíduo que sofre de preconceito linguístico em decorrência do racismo ou da xenofobia, vai continuar sendo relacionado aos estereótipos preconceituosos. Tornando todo o processo, um ciclo vicioso, onde o discriminado continua sofrendo.

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Língua viva

O português é uma língua viva, assim como muitas outras faladas no mundo. O ponto principal para ser uma língua viva é que ainda exista uma grande comunidade de pessoas que a falam diariamente, e a usam como linguagem nativa ou não. 

Uma língua viva também está em constante mudança. O que significa que o português que se fala nos dias atuais, não é o mesmo que se falava dez, vinte ou cem anos atrás. Isso porque, as palavras vão mudando, devido a sotaques, piadas, palavras estrangeiras e até mesmo mudanças no acordo ortográfico

Julgar uma pessoa pela maneira como ela fala se caracteriza como preconceito linguístico. Além disso, também ignora o fato de que, para pessoas de anos passados, o português falado nos últimos anos não é o correto. 

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Saiba como agir 

A atitude correta sempre é não julgar um indivíduo pela sua linguagem. A forma como uma pessoa se expressa com a língua diz muito a respeito dela, como ela foi educada, criada e qual o ambiente ela cresceu. Cada ser humano tem sua diferença, por isso, é preciso respeitar a diversidade linguística de cada um.

Em algumas situações é melhor não corrigir, e se você achar necessário, faça-o sem usar da humilhação. Sempre de maneira educada, sem culpabilizar a pessoa ou fazer com que ela se sinta errada. 

Uma forma nova de ensino, que ajuda no fim do preconceito linguístico é a adequação linguística. O princípio desse ensinamento não é estabelecer um “certo” ou “errado” na linguagem geral, e sim ensinar que existe uma variedade de situações em que algumas formas linguísticas são mais apropriadas. 

Por exemplo, é possível ensinar um jovem que ao se comunicar com seus amigos, é aceitável que ele fale gírias e de uma forma informal. Mas ao entrar em contato com um superior, como um chefe no emprego ou o diretor de uma universidade, é ideal que se use uma linguagem mais formal e padrão.


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