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Pneu pode ser um dos principais motivos pela poluição dos oceanos

Pneumático, mais conhecido como pneu, é um tubo de borracha cheio de ar e ajustado ao aro da roda de um veículo, que permite a sua tração e, ao mesmo tempo, absorve os choques com o solo sobre o qual o veículo trafega.

O pneu é considerado uma das maiores invenções na história humana e deriva da invenção da roda, documentada pela primeira vez como uma inovação humana no período Neolítico (aproximadamente 3500 a.C.). Inicialmente as rodas eram usadas na agricultura, mas se desenvolveram como uma parte principal do transporte.

O primeiro pneu era composto de tiras de couro enroladas em uma roda de madeira. Porém, mesmo no início de sua utilização, ele apresenta um dos principais problemas de seu correspondente recente — o desgaste. 

A presença de seu eixo central significa que a roda se desgasta com o tempo. Mesmo com a substituição do couro ao metal, para a utilização da borracha atribuída aos inventores britânicos Thomas Hancock e Charles Goodyear, em 1835, a invenção ainda possui os mesmos defeitos e características iniciais. 

Pneu ecológico: o que é e por que optar por ele?

O que compõe um pneu?

Os carros foram inventados no final de 1800 e os pneus pneumáticos (cheios de ar) surgiram pouco depois. Na época, a borracha usada na sua fabricação era extraída, principalmente, de seringueiras — o que contribuiu para um desmatamento em massa no mundo inteiro. 

Porém, a alta demanda de carros alavancou a produção de uma borracha sintética, inventada pelo químico alemão Fritz Hofmann, em 1909. Em um ano, o material começou a ser utilizado na produção global de pneus

Atualmente, esses produtos são compostos de cerca de 19% de borracha natural e 24% da borracha sintética — um tipo de polímero plástico. O resto é uma mistura de metal e outros compostos.

De onde deriva a poluição dos pneus? 

Em geral, a própria produção do pneu já possui impactos ambientais. Além do desmatamento derivado da busca por borracha, também existem os danos resultantes dos combustíveis fósseis, usados na fabricação da borracha sintética. Estima-se que os pneus de carros modernos requerem cerca de 7 galões de óleo para serem produzidos, enquanto os de caminhões consomem 22 galões.

Com o tempo, os pneus perdem a pressão naturalmente, promovendo o aumento do atrito entre a estrada e o próprio pneu. Este atrito aumentado resulta em maior arrasto, reduzindo a vida útil do produto enquanto simultaneamente aumenta o gasto de combustível. 

Porém, o maior impacto ambiental dos pneus deriva da constante liberação de micropartículas de plástico, conhecidas como partículas de desgaste de pneus e estradas (Tyre and Road Wear Particles ou TRWP). Essas partículas, que possuem menos de um milímetro, são classificadas como microplásticos devido a sua composição química e tamanho. 

De acordo com um relatório realizado por um time de especialistas da Imperial College London, o desgaste dos pneus nas cidades pode representar um risco quatro vezes maior para o ambiente do que outros microplásticos.

O pneu e os microplásticos 

Os microplásticos, como o próprio nome diz, são pequenas partículas de plástico. Esse tipo de material é um dos principais poluentes dos oceanos. Alguns pesquisadores consideram que o tamanho máximo dos microplásticos é de 1 milímetro, enquanto outros adotam a medida de 5 milímetros.

Porém, os microplásticos de pneus são ainda menores e contribuem para a poluição PM2.5 – partículas tão pequenas que podem ser inaladas e causar problemas de saúde respiratória.

Globalmente, acredita-se que cada pessoa é responsável por cerca de 1 quilo de poluição microplástica derivada dos pneus por ano. Estima-se que entre 8% e 40% destas partículas chegam às águas superficiais, como o mar, rios e lagos, através do escoamento das superfícies das estradas, descarga de águas residuais ou mesmo através do transporte aéreo.

Devido à impossibilidade de degradação desse material, ele se acumula no meio ambiente, interagindo com outros poluentes e organismos biológicos. 

“Os microplásticos que entram em zonas úmidas construídas para sistemas de drenagem de águas pluviais depositam-se nos sedimentos e formam um biofilme, levando à sua acumulação ao longo do tempo, removendo-os do escoamento de águas pluviais”, disse Shima Ziajahromi, da pesquisa da Imperial College London.

Felizmente, em 2020, quatro estudantes em parceria com a Imperial College London e a Royal College of Art, foram responsáveis pela criação de uma tecnologia capaz de captar os microplásticos de pneus durante seu percurso. O dispositivo usa uma placa de cobre para criar um campo elétrico que atrai a poeira do pneu enquanto é alimentado pelo alternador do carro. 

“Então, podemos limpar as placas e colocá-las em uma vasilha de armazenamento”, disse Siobhan Anderson, diretora científica e co-fundadora do The Tyre Collective

Confira o vídeo, em inglês, que demonstra o funcionamento da tecnologia:

Efeitos na saúde humana e animal

Por muito tempo, o papel dos pneus como contribuintes à poluição foi subestimado.

Para compreender a extensão da poluição causada pelo desgaste do produto, cientistas tiveram de descobrir formas de identificar os produtos químicos associados aos pneus em amostras de água. Após identificá-los, foram capazes de encontrar essas partículas em 97% das amostras de rios e estuários testadas na Europa, Estados Unidos e Japão.

Um estudo de 2022 evidenciou o efeito dos microplásticos de pneus em animais marinhos. A pesquisa focou em duas espécies presentes em estuários do Atlântico Nordeste — os bivalves Scrobicularia plana e Hediste diversicolor. Além de observar que esses animais podem consumir concentrações desse material, os especialistas notaram que o seu consumo na espécie Scrobicularia plana pode causar diminuição do teor de proteínas e aumento do estresse oxidativo. 

Por outro lado, os microplásticos de pneus são pequenos o suficiente para adentrar a via respiratória de seres humanos. E, embora os efeitos dessas pequenas partículas não possuam tantas pesquisas, especialistas acreditam que a exposição a esses materiais pode possuir um efeito prejudicial na saúde humana e animal. 

Evidências científicas comprovam, por exemplo, que os microplásticos podem contribuir para uma série de impactos negativos à saúde, incluindo problemas cardíacos, pulmonares, de desenvolvimento, reprodutivos e de câncer. 

“Estamos cada vez mais preocupados com o impacto do desgaste dos pneus na saúde humana. Como algumas dessas partículas são tão pequenas que podem ser transportadas pelo ar, é possível que simplesmente caminhar na calçada nos exponha a esse tipo de poluição. É essencial entendermos melhor o efeito dessas partículas em nossa saúde”, disse a professora Terry Tetley do Imperial’s National Heart and Lung Institute.

pneu
Microplásticos de pneus: ameaça poluente

Descarte de pneu 

Adicionalmente, o descarte de pneus também pode contribuir para a poluição. No Brasil, esse descarte é possibilitado através da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que faz com que os fabricantes sejam responsabilizados pela destinação correta do produto. 

Entretanto, o funcionamento da PNRS parte do princípio de que o consumidor também compartilhe com parte da responsabilidade, tendo que encaminhar o produto ao fabricante — o que muitas vezes não acontece. 

Ou seja, quando o pneu atinge a sua vida útil, ele é muitas vezes descartado incorretamente após liberar centenas de microplásticos no meio ambiente. Em aterros sanitários e lixões, esses produtos, além de contribuírem para a superlotação dos locais, também continuam liberando produtos químicos no ar, no solo e na água — que alteram o ecossistema.

A sua exposição ao Sol, por exemplo, pode resultar na liberação de metano — um dos principais gases do efeito estufa. Além disso, o formato do produto é bem propício para a proliferação de doenças, como a dengue. 

Portanto, é importante realizar o descarte correto dos pneus. Confira como na nossa matéria: “Saiba onde descartar pneu usado”. 


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