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Processo de reciclagem celular pode ser o caminho para a longevidade

A longevidade é uma das grandes obsessões do ser humano. Viver mais tempo e envelhecer com saúde são dois desafios constantemente enfrentados pela medicina e pela ciência, que já conseguiram grandes avanços, com ganhos para a expectativa de vida. Mesmo assim, ainda se sabe muito pouco sobre o processo de envelhecimento em si.

O “segredo” da longevidade

O “segredo” da longevidade, na verdade, pode ser mais simples do que se imagina. Tudo indica que envelhecer com saúde está diretamente ligado a uma alimentação equilibrada e à prática de exercícios físicos.

A Academy of Nutrition and Dietetics recomenda que as pessoas ajustem seus hábitos alimentares para atender às necessidades nutricionais de seus corpos durante todas as fases da vida:

  • Da adolescência aos 20 anos: construa a densidade óssea consumindo alimentos e bebidas ricos em cálcio, como o gergelim e seus derivados (tahine) e folhas verde-escuro, como a rúcula.
  • Dos 20 aos 30 anos: reduza o risco de doenças crônicas comendo mais fibra alimentar. Mulheres em idade fértil devem incluir fontes de folato, como os feijões e a beterraba.
  • Dos 30 aos 40 anos: continue a comer uma variedade de alimentos nutritivos, especialmente muitas frutas e vegetais.
  • Dos 40 aos 50 anos: ajuste seus hábitos alimentares saudáveis e continue a incorporar atividade física regular conforme seu corpo muda. Concentre-se em maneiras de limitar os alimentos e bebidas com adição de açúcar, sal e gordura saturada.
  • Mais de 60 anos: continue a incluir uma variedade de alimentos ricos em proteínas para manter a força óssea e incorpore atividades de fortalecimento para manter os músculos.

Mais que benefícios à saúde, a prática regular de atividades físicas durante toda a vida está associada a menos gastos com saúde na vida adulta. Uma pesquisa publicada no The Conversation analisou dados do estudo do Instituto Nacional do Câncer e descobriu que adultos que mantiveram ou aumentaram sua atividade física desde a adolescência até a idade adulta tiveram custos médios anuais de saúde bem mais baixos do que adultos que foram consistentemente inativos ao longo do tempo.

Ao longo da vida, além da saúde física, a saúde mental também precisa ser levada a sério. A redução do estresse, segundo pesquisadores, pode ter um impacto na saúde em geral. Práticas como meditação e yoga são boas opções auxiliares. Para garantir ainda mais bem-estar, segundo um estudo publicado no The Journals of Gerontology, discussões devem ser resolvidas no mesmo dia.

Essa conclusão partiu de uma análise de relatos de discussões contínuas e evitadas. A partir disso, os pesquisadores mediram como o incidente afetou a mudança nas emoções negativas e positivas das pessoas. Concluíram que quem sentiu que o assunto tinha sido resolvido não viveu impactos no seu bem-estar emocional. Mesmo que você dê corda à discussão ou a evite, os pesquisadores aconselham trabalhar sua resposta emocional aos fatores estressantes (tais como as discussões) e, assim, minimizar seus impactos potenciais.

Lixo celular versus longevidade

Um estudo, publicado na revista Nature, conseguiu relacionar o processo de envelhecimento com a velocidade com que os mamíferos conseguem processar o lixo celular: quanto mais rápida for a faxina, maior a longevidade.

A pesquisa, liderada por Salwa Sebti e Álvaro Fernández, pesquisadores de pós-doutorado do Center for Autophagy Research da Southwestern Medical Center da Universidade do Texas, descobriu que ratos com melhores níveis de auto-fagocitose (o processo pelo qual as células descartam substâncias tóxicas ou não desejadas que prejudicam a saúde celular) vivem mais e com uma melhor saúde. Ou seja: quanto mais rápido o corpo reciclar o seu lixo, maior o tempo e a qualidade de vida.

Beth Levine, diretora do Center for Autophagy Research e uma das participantes do estudo, explica que os ratos com fagossomos (que são as células que realizam a limpeza do organismo) mais eficientes viveram cerca de 10% a mais e estavam menos sujeito a desenvolver cânceres, doenças do coração e do fígado relacionadas com o envelhecimento. A conclusão é baseada em vinte anos de estudos realizados no centro de pesquisa, o que permitiu a criação de ratos geneticamente modificados para ter um organismo mais eficiente.

O primeiro passo se deu quando o grupo descobriu a enzima beclin, que ajuda os fagossomos a acelerar sua velocidade, tendo um papel muito importante na auto-fagocitose – e consequentemente no envelhecimento. Desde então, o centro de pesquisa já conseguiu provar que a auto-fagocitose desempenha um papel fundamental para a saúde humana, sendo capaz de prevenir doenças neurodegenerativas, câncer e infecções.

O que ficou claro é que melhorar o rendimento da auto-fagocitose é uma forma importante de expandir a expectativa de vida. O processo perde performance com o envelhecimento, o que contribui para o envelhecimento em si, em um ciclo vicioso.

Agora, os pesquisadores provaram que, além de aumentar a expectativa de vida, ter um mecanismo de faxina corporal, como uma reciclagem do lixo celular, também melhora a qualidade de vida em mamíferos. A resposta veio por meio de alterações genéticas na enzima beclin, que tem seu funcionamento freado por um inibidor chamado BCL2. A alteração genética do beclin fez com que esse inibidor não conseguisse mais se ligar à enzima, permitindo um processo de auto-fagocitose mais rápido e eficiente. Ou seja: uma limpeza profunda e rápida.

A partir daí, eles criaram ratos transgênicos com essa enzima melhorada e observaram seu ciclo de vida. Como esperado, esses ratos tiveram melhores níveis de auto-fagocitose desde o nascimento em todos os seus órgãos. Esses animais tiveram um maior índice de proteção contra uma espécie de Alzheimer presente em ratos e, agora, ficou provado que a melhor limpeza celular fez com que esses animais vivessem mais e melhor.

No experimento, os cientistas deixaram um grupo de 102 ratos mutantes e 68 normais envelhecerem naturalmente. Os normais ficaram velhos e começaram a morrer aos 15 meses. Após 30 meses, todos os ratos normais estavam mortos. Já os mutantes começaram a morrer mais tarde, aos 22 meses, e todos estavam mortos aos 40 meses.

O resultado indica que as alterações realizadas no beclin aumentaram a sobrevida dos ratos em cerca de 5 meses, o equivalente a um aumento de 16% na duração da vida. Em um humano com expectativa de vida de 80 anos, isso seria equivalente a viver cerca de 12 anos a mais.

O estudo aponta um caminho importante para a saúde humana e para o desenvolvimento de novas drogas capazes de melhorar nosso mecanismo de reciclagem celular. Da mesma forma que a ciência pode ajudar a melhorar nosso mecanismo de faxina interior, também o cuidado com a quantidade de lixo que colocamos para dentro do nosso corpo continua sendo importante. O grupo de pesquisadores agora deve trabalhar em remédios capazes de melhorar o mecanismo de auto-fagocitose, em busca de ganhos para a humanidade em qualidade de vida e longevidade.



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