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Inversão dos polos magnéticos da Terra é a mudança de orientação do campo magnético terrestre

Imagem de Aaron Burden em Unsplash

A inversão dos polos magnéticos da Terra, também chamada de inversão geotérmica, é a mudança de orientação do campo magnético terrestre de tal forma que o Norte e o Sul magnéticos são invertidos. Durante a mudança, há um declínio da intensidade do campo magnético, que se recupera rapidamente após a nova orientação ser estabelecida. Estudos afirmam que esse evento costuma ocorrer em uma escala de tempo de dezenas de milhares de anos, sendo extremamente prejudicial para a vida na Terra.

A última inversão dos polos magnéticos da Terra ocorreu há aproximadamente 42 mil anos e gerou graves consequências para o planeta, como destruição da camada de ozônio, tempestades elétricas que varreram os trópicos, ventos solares que causaram auroras boreais, invasão da América do Norte pelo ar ártico, aumento do tamanho das geleiras e mudanças dos padrões climáticos.

Durante a ocorrência desses eventos, a vida na Terra foi exposta a uma grande quantidade de luz ultravioleta. No último deles, os Neandertais e a megafauna foram extintos, enquanto os seres humanos modernos ficaram dentro de cavernas para se proteger.

Por que ocorre a inversão dos polos magnéticos da Terra?

O polo norte magnético, sentido em que a agulha da bússola aponta, não tem localização fixa. Na realidade, ela normalmente oscila perto do polo norte geográfico — o ponto em torno do qual a Terra gira — ao longo do tempo em função dos movimentos dentro do núcleo do planeta.

Por razões que ainda não estão totalmente entendidas, os movimentos dos polos magnéticos às vezes podem ser mais extremos do que uma simples variação. Uma das migrações mais notáveis desses polos aconteceu há aproximadamente 42 mil anos e é conhecida como o evento Laschamps, em homenagem à cidade francesa onde foi descoberto.

O evento Laschamps tem sido observado em todo o mundo, inclusive a ocorrência foi verificada na Tasmânia, Austrália. Contudo, não estava claro se essas mudanças magnéticas tiveram algum efeito no clima e na vida no planeta. Nesse sentido, uma pesquisa reuniu várias evidências, demonstrando que os efeitos foram globais e de grande alcance. 

Árvores kauri

Para investigar o que ocorreu, pesquisadores analisaram as antigas árvores kauri da Nova Zelândia, que foram preservadas em turfas e outros sedimentos por mais de 40 mil anos. Usando os anéis de crescimento anual das árvores kauri, eles criaram uma escala de tempo detalhada de como a atmosfera terrestre mudou durante esse período.

As árvores revelaram um aumento prolongado nos níveis de radiocarbono atmosférico causado pelo colapso do campo magnético da Terra quando os polos inverteram. Isso forneceu uma maneira de vincular com precisão registros muito dispersos geograficamente. Usando a escala de tempo criada, os pesquisadores mostraram que os cinturões de chuva do Pacífico tropical e os ventos ocidentais do Oceano Antártico mudaram abruptamente ao mesmo tempo, gerando condições áridas em locais como a Austrália.

Por sua vez, uma variedade de megafauna foi extinta. Mais ao norte, a vasta camada de gelo Laurentide cresceu rapidamente no leste dos Estados Unidos e no Canadá, enquanto na Europa os Neandertais foram extintos.

Modelo climático

Trabalhando com um programa computacional que simulava interações globais entre a química e o clima, eles investigaram o impacto de um campo magnético mais fraco e as mudanças na força do Sol. Vale ressaltar que, durante a inversão magnética, a intensidade do campo caiu para menos de 6% do que é hoje. Uma bússola daquela época teria dificuldade em encontrar o norte.

Sem nenhum campo magnético, nosso planeta perdeu completamente sua proteção contra a radiação cósmica e muitas partículas espaciais entraram na parte superior da atmosfera. Além disso, o Sol experimentou vários “grandes mínimos solares”, durante os quais a atividade foi muito menor, mas também mais instável, mandando inúmeras explosões solares que permitiram que poderosos raios cósmicos ionizantes atingissem a Terra.

Os modelos mostraram que essa combinação de fatores teve um efeito amplificador. Raios cósmicos de alta energia da galáxia e também enormes explosões de raios de erupções solares foram capazes de penetrar na alta atmosfera, carregando as partículas no ar e provocando mudanças químicas que causaram a perda de ozônio estratosférico, elemento formador da camada de ozônio.

As simulações entre química e clima são consistentes com os movimentos ambientais observados em muitos arquivos de mudanças climáticas naturais. Essas condições também teriam espalhado os espetáculos de luzes da aurora pelo mundo. Por fim, os pesquisadores indicaram que as mudanças e os altos níveis de radiação ultravioleta levaram os primeiros humanos a buscar refúgio em cavernas, o que explica o florescimento repentino da arte rupestre em todo o mundo há 42 mil anos.

Há chances de ocorrer uma nova inversão dos polos magnéticos da Terra?

Segundo especialistas do Modelo Magnético Mundial, o polo norte magnético da Terra está mudando rapidamente. No entanto, eles sugerem que não há indícios de que uma inversão dos polos magnéticos esteja acontecendo. Os especialistas afirmam que essa movimentação do polo norte magnético da Terra afeta as bússolas, impactando apenas a navegação e a aviação na região do Ártico.


Fontes: Inversão dos Polos Magnéticos, BBC e A Reversão do Campo Magnético Solar


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eCycle