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Homeostase é o processo de estabilidade fisiológica de um organismo vivo, enquanto a alostase caracteriza os mecanismos que garantem esse equilíbrio

O termo “homeostase” é utilizado para indicar a propriedade de um organismo de permanecer em equilíbrio, independente das alterações que acontecem no meio externo. Cunhada pelo médico e fisiologista Walter Cannon, a palavra deriva dos radicais gregos homeo (o mesmo) e stasis (ficar) e foi inspirada na ideia de meio interno fixo proposta por Claude Bernard. Já o conceito de “alostase” foi concebido por Peter Sterling e Joseph Eyer e caracteriza os mecanismos e ferramentas que garantem o estabelecimento e a manutenção da homeostase.

A homeostase é garantida por determinados processos fisiológicos, que ocorrem nos organismos de maneira coordenada. Os mecanismos que controlam temperatura corporal, pH, volume dos líquidos corporais, pressão arterial, batimentos cardíacos e concentração de elementos no sangue são as principais ferramentas alostáticas utilizadas no controle do equilíbrio fisiológico. Em geral, esses mecanismos funcionam por meio de um feedback negativo, que atua na redução de um determinado estímulo, garantindo o equilíbrio adequado para o corpo.

O controle da temperatura é um exemplo de feedback negativo. Quando praticamos uma atividade física, a temperatura do nosso corpo tende a subir. No entanto, essa alteração é captada pelo sistema nervoso, que desencadeia a liberação do suor, responsável por esfriar nosso corpo à medida que evapora.

Resposta ao estresse: homeostase e alostase

Diante de uma situação cotidiana, um ser vivo pode expressar diversos comportamentos, que variam de acordo com fatores genéticos, experiências anteriores, capacidades de resposta física e fisiológica. Dessa maneira, um grande número de inter-relações se forma buscando a resposta mais apropriada para aquela determinada situação que rompeu a homeostase. As respostas podem ser fisiológicas, produzidas pelo sistema nervoso, ou comportamentais, relacionadas à saúde.

Cada espécie desenvolve seus próprios mecanismos de adaptação, mas cada ser pode ter expressões distintas dentro de uma mesma espécie. Frente a um estímulo, o padrão comportamental de determinada espécie pode ser o mesmo (por exemplo, a fuga diante de um predador), ativado pelos mesmos sistemas fisiológicos (como a secreção de adrenalina), porém sempre acompanhado de características próprias do indivíduo.

Sob estresse crônico induzido pela presença de predadores, as aves de rapina desenvolveram um conjunto de respostas fisiológicas adaptativas para evitar serem comidas por eles. O aumento das taxas metabólicas e a alocação de recursos para apoiar funções de emergência são exemplos de ferramentas alostáticas adotadas por essas aves.

Outras aves não apresentam esse tipo de comportamento diante de seus predadores, tendo desenvolvido outras ferramentas de defesa para lidar com eles. Portanto, os organismos, de acordo com suas diferenças e experiências anteriores, lidam de modo distinto com os estímulos capazes de romper a homeostase.

Historicamente, o termo homeostase foi usado para definir a “estabilidade do sistema fisiológico que mantém a vida”. Esse processo se mantém rígido e dentro de pequena amplitude. Quando ultrapassados, seus limites provocam rompimento do equilíbrio, levando à incompatibilidade com a vida. Já o conceito de alostase, concebido por Peter Sterling e Joseph Eyer, pode ser definido como “o ajuste orgânico aos eventos previsíveis e imprevisíveis”.

Uma resposta fisiológica sempre ocorre em reação a um estímulo que gera ruptura da homeostase. Sendo assim, uma ação sobre o indivíduo, seja ela de origem psicológica ou física, terá como resposta o desvio da homeostase e uma consequente reação alostática para retomar o equilíbrio.

O estresse é um exemplo de estímulo comum no cotidiano das pessoas e corresponde a um evento real ou imaginário que ameaça a homeostase, exigindo uma resposta alostática do organismo. Do ponto de vista da Epidemiologia Social, os fatores de estresse se originam de processos sociais tais como educação, condições ambientais, condições de trabalho, salário, apoio e acesso à saúde. Esses fatores geram consequências ou se juntam a outros já incorporados ao cotidiano do indivíduo.

Carga alostática

A quantidade de energia metabólica necessária para que determinado mecanismo fisiológico mantenha a homeostase é chamada de carga alostática. A descompensação da homeostase devido à sobrecarga alostática em alguma ferramenta de defesa do organismo pode causar diversos danos à saúde. Em outras palavras, quando o corpo gasta mais energia do que deveria para reverter o estímulo que rompeu seu equilíbrio,ocorre uma sobrecarga alostática, o que aumenta o risco de doenças.

As expectativas de resposta a um estímulo podem ser positivas, negativas ou neutras. Quando as respostas são positivas e encerram um ciclo de agressões, retornando à homeostase, a saúde do indivíduo não é colocada em risco. O contrário, quando a carga alostática é mantida por períodos longos ou a resposta adaptativa que encerraria o ciclo de agressões não ocorre, temos a sobrecarga alostática e o consequente dano à saúde.

Esse dano pode se manifestar de vários modos, tendo como pano de fundo a perda de tecidos (degeneração), hipersensibilidade, sobrecarga funcional (hipertensão) ou transtornos psíquicos (ansiedade, depressão). Os estresses diários podem ser relacionados com o início ou piora de sintomas causados por esses danos.

Importância da homeostase e da alostase

Manter o meio interno em equilíbrio é essencial para o funcionamento adequado dos sistemas que compõem o corpo de qualquer ser vivo. As enzimas, por exemplo, são substâncias que atuam como catalisadores biológicos, acelerando a velocidade de várias reações. Para desempenhar sua função, necessitam de um ambiente adequado, com temperatura e pH dentro de uma faixa de normalidade. Portanto, um corpo em equilíbrio é um corpo saudável.



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