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Em entrevista à ONU News, chefe de Serviços Espaciais da UIT destaca crescente demanda por comunicações fora da Terra e necessidade de coordenação internacional; ele falou de impactos da criação de bases permanentes na Lua e de uma economia espacial marcada por turismo, mineração e centros de dados em órbita

Por ONU News | Desde o início da era dos satélites, as frequências de rádio moldaram silenciosamente a jornada da humanidade no espaço sideral. Hoje, elas continuam sendo a base de cada comando de satélite, transmissão científica e sistema de navegação operando em órbita.

Em entrevista à ONU News, o chefe de Serviços Espaciais da União Internacional de Telecomunicações, UIT, Alexandre Vallet, enfatizou que as ondas radiofônicas não são apenas ferramentas técnicas, mas a “corrente sanguínea” da atividade espacial moderna.

A Apollo 8, a primeira missão tripulada à Lua, entrou em órbita lunar na véspera de Natal, em 24 de dezembro de 1968 | Foto: Nasa

Dilemas da exploração lunar

O especialista afirmou que a demanda por frequencias de rádio deve aumentar com o advento de uma nova era de exploração lunar, com projetos liderados por Estados Unidos e China, que pretendem criar bases permanentes na Lua.

“Para a próxima conferência sobre os regulamentos de rádio, no final de 2027, discutiremos o estabelecimento, pela primeira vez, de um quadro regulamentar para a gestão do espectro de rádio da Lua”. 

Segundo ele, isto incluirá encontrar um “bom equilíbrio entre a necessidade de ligações de comunicação e a necessidade de proteger o espectro para fins científicos”.

Vallet comentou que a exploração pelas grandes potências pode abalar aquilo que foi uma “decisão visionária” tomada nos anos 70: a criação da Zona Protegida da Lua, impedindo que o silêncio natural que existe no lado escuro do astro sofra interferência de sinais de rádio ou satélite. 

A vantagem desta área, sempre protegida da luz da Terra, é a possibilidade de ouvir as frequências baixas, geradas durante os estágios iniciais de formação do universo. Esse tipo de observação não é possível na Terra, devido a atmosfera e ao ruído excessivo de frequências de rádio. 

Vallet mencionou que já existem projetos para instalar radiotelescópios na Lua para aproveitar esse potencial cietífico. 

Frequências de rádio apoiando o monitoramento climático

Para que o Tratado Internacional das Regulações de Rádio se mantenha atualizado, a UIT convoca, a cada quatro anos, uma conferência internacional com todos os seus Estados-membros, na qual o documento é revisado.

Nos últimos anos, a crescente urgência das mudanças climáticas intensificou a demanda por observação confiável baseada em satélites. De acordo com Vallet, na última revisão, a comunidade internacional tomou medidas decisivas para fortalecer essas capacidades.

Ele disse que “devido aos requisitos emergentes para o monitoramento climático, adicionamos recentemente frequências extras para este fim”.

Essas novas alocações apoiam sensores espaciais altamente sensíveis, projetados para rastrear condições atmosféricas e mudanças ambientais. Ele explicou que esses sensores são bastante sensíveis à interferência de rádio e por isso a UIT criou regras adicionais para protegê-los. 

Asteroide entre estrelas | Foto: ONU News

Economia espacial mais “diversificada”

O chefe de Serviços Espaciais explicou que sem esse tipo de coordenação, interferências e conflitos operacionais poderiam comprometer tanto a segurança quanto a inovação em diversas áreas.

Vallet afirmou que, atualmente, a humanidade está caminhando em direção a uma economia espacial mais “diversificada”, que incluirá Data Centers espaciais para impulsionar a inteligência artificial, aumento no turismo espacial, manufatura em órbita, mineração espacial e outras tecnologias futuristas. 

Para ele, tudo isso exigirá frequências de rádio para comunicação e comando das espaçonaves. Nesse sentido, as conferências mundiais sobre a Regulação de Rádio serão essenciais para identificar necessidades e promover negociações sobre como as frequências serão alocadas e protegidas.

Entenda as comunicações espaciais através das órbitas

Diferentes zonas orbitais dependem de partes específicas do espectro de rádio, cada uma cumprindo papéis únicos que sustentam a conectividade global.

  1. A órbita geoestacionária, posicionada a aproximadamente 36 mil km acima da Terra, ancora a radiodifusão global e as comunicações de longa distância. 
  2. A órbita terrestre média, entre 8 mil e 20 mil km de altitude, suporta sistemas de navegação, posicionamento e cronometragem que sustentam a aviação, o transporte marítimo, as transações financeiras e os serviços de emergência. Embora muitas vezes passem despercebidos pelo público, esses sistemas formam uma camada crucial da infraestrutura moderna.
  3. A órbita terrestre baixa, entre 200 e 2 mil km de altitude, emergiu como um centro de inovação, abrigando constelações de satélites que suportam internet de alta velocidade, monitoramento ambiental e transmissão de dados em tempo real.
  4. As órbitas altamente elípticas também desempenham um papel estratégico ao permitir a cobertura em regiões polares, onde o monitoramento climático e os interesses geopolíticos estão aumentando rapidamente.

Juntas, essas camadas orbitais formam uma arquitetura de comunicação complexa, sustentada por frequências de rádio cuidadosamente coordenadas.

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Este texto foi originalmente publicado pela ONU News, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.


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