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O especismo é uma forma de discriminação que acontece entre diferentes espécies de animais. Por ser algo tão comum, muitas pessoas sequer conseguem pensar criticamente sobre isso. Na sociedade contemporânea, por exemplo, persiste a ideia de que a espécie humana é superior a outras espécies e, por isso, os humanos subjugam e exploram outros animais para o seu próprio benefício.

A origem do especismo

O termo “especismo” foi cunhado pelo psicólogo Richard Ryder que diz utilizar a palavra para “descrever a discriminação abrangente praticada pelo ser humano contra outras espécies e para traçar um paralelo com o racismo. Especismo e racismo são ambas formas de preconceito baseadas nas aparências – se o outro indivíduo tem um aspecto diferente então é considerado moralmente inadmissível.”

O psicólogo ainda completa: “especismo e racismo (e na verdade sexismo) ignoram ou subestimam as semelhanças entre o discriminador e aqueles contra quem discrimina e ambas as formas de preconceito expressam o descaso egoísta pelos interesses de outros e por seus sofrimentos.”

Não é uma questão de ódio, afinal, não é preciso odiar para discriminar. Trata-se apenas de não dar importância a algumas espécies, sem nenhum motivo aparente ou bem embasado, e, ainda, considerar válido ferir outros animais se isso trouxer algum benefício.

Especismo antropocêntrico

Um exemplo claro do especismo acontece entre os seres humanos e outros animais e também é chamado de especismo antropocêntrico.

O termo “antropocentrismo”, segundo o dicionário Michaelis, remete ao “sistema filosófico ou crença religiosa que considera o ser humano como o fato central ou mais significativo do Universo ou, ainda, como objetivo de toda a realidade”.

Uma pessoa pode agir de maneira não antropocentrista, mas ainda assim ser especista. Um exemplo disso são os seres humanos que dão bastante valor a certas espécies, sem necessariamente sobrepôr os humanos sobre os não humanos (ou seja, estão sendo não antropocentristas), mas que, ao mesmo tempo, consideram outros animais como passíveis de serem explorados para o benefício da sua própria espécie (e, assim, são especistas).

No Brasil, como em outros países ocidentais, as vacas fazem parte da indústria alimentícia, sendo criadas e exploradas para fornecer carne e leite. Ao mesmo tempo, cães e gatos são considerados seres especiais para os quais muitas pessoas dedicam bastante atenção, carinho, tempo e dinheiro.

Além disso, sob essa lógica, matam livremente os insetos, sem qualquer motivo aparente ou por ousarem habitar o mesmo ambiente que os humanos. Ao denominar essas espécies como como “pragas” ou “vermes”, determinam também o seu genocídio, simplesmente por não serem favoráveis aos desejos da espécie humana.

O que há de diferente entre uma espécie e outra?

A ideia de uma espécie ser diferente da outra em termos morais é o que alimenta o especismo. Certas pessoas afirmam que os humanos têm o direito de discriminar animais não humanos simplesmente por eles não serem humanos.

Nessa linha de pensamento, fatores que diferenciam a nossa espécie, como a capacidade de linguagem e a racionalidade, teriam um valor moral, fazendo com que a vida humana valha mais que outras vidas. Mas isso não passa de uma questão biológica – tal como utilizam o sexo feminino e masculino para diferenciar e discriminar (que é o que corrobora com o sexismo, por exemplo).

Não há razões lógicas que justifiquem o motivo dessa discriminação, assim como não há razões para xenofobia, sexismo e racismo. Os animais, bem como os humanos, sentem dor, prazer, medo e alegria, mas pouco se discute sobre isso.

Os bezerros, por exemplo, são afetados pela dor emocional ao se separarem das mães em indústrias de leite. As vacas podem passar pelo Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT) e os porcos pela Síndrome do Estresse Suíno (PSS).

O que faz com que diferenciemos as espécies e aceitemos o especismo é uma questão que pode ser avaliada por diferentes pontos de vista, tais como o sociológico e filosófico. A filosofia avalia o tema sob o ponto de vista da moral citado anteriormente, enquanto a sociologia entende que o especismo está ligado às crenças da sociedade.

No livro intitulado Por que amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas?, a psicóloga social Melanie Joy explica que temos percepções muito diferentes dos animais. Essas variações na percepção definem um esquema, sendo que esse esquema é “uma estrutura psicológica que dá forma a – e é formada por – nossas crenças, ideias, percepções, experiências, e que organiza e interpreta imediatamente a informação que recebemos”.

Para cada animal, temos um esquema diferente. E, dependendo desse esquema, nós podemos reconhecer a espécie como uma praga, um bicho de estimação ou mesmo como comida.

Em boa parte do ocidente, a vaca é vista como comida. Mas em comunidades hindus, por exemplo, a vaca é símbolo do divino, é sagrada e deve ser protegida.

Os esquemas, segundo Joy, são construídos ao longo da vida, não nascemos com eles. Por isso, se na sociedade em que vivemos as vacas são vistas como alimentos, tendemos a crescer acreditando nisso sem sequer nos questionarmos a respeito.

Sob o ponto de vista sociológico, o especismo é uma ideologia. A partir de nossa educação e vivências sociais, aprendemos a ver as características humanas como o padrão ideal. Se os animais não possuem essas características, passam a ser considerados inferiores e disponíveis a serviço da espécie humana.

Para ir contra o especismo e a exploração animal, existe o movimento denominado antiespecismo.

Antiespecismo

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Imagem de Bekky Bekks no Unsplash

O antiespecismo se opõe ao especismo. Isso significa que o movimento é contra todas as formas de discriminação às espécies não humanas. Nesse cenário, há também o veganismo, uma filosofia de vida baseada na alimentação e no consumo de produtos que respeitem os animais.

Além dessa similaridade com o veganismo, o movimento antiespecista busca ajudar os animais, assim como os seres humanos são ajudados, pensando em todas as espécies como igualmente importantes.

Isso não significa que devemos tratar os animais como tratamos os humanos, mas sim que não deveríamos trazer desvantagens para as outras espécies não humanas. Isso poderia contribuir para a conservação de ecossistemas e espécies diversas, impactando positivamente o meio ambiente.


Fontes: Animal ethics, Britannica, Scielo, Vegpedia.


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