Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

Desigualdade econômica é a disparidade de renda e riqueza entre classes sociais

Desigualdade econômica é a disparidade de renda e riqueza distribuída entre classes sociais. Ela fica bem nítida ao observar que uma pequena parcela da população concentra a maior parte do dinheiro, enquanto boa parte da sociedade é pobre e passa por diversas consequências advindas da instabilidade financeira. Suas causas e consequências são diversas, incluindo uma relação com gênero e raça.

O que causa a desigualdade econômica?

A desigualdade econômica está relacionada a diversos fatores, incluindo questões políticas, sociais, de gênero e de raça. Uma das questões principais é o não interesse em uma distribuição de renda equilibrada, que leva à consequente disparidade.

Salários determinados pelo mercado

Os salários são definidos de acordo com as habilidades exigidas para um trabalho e pela demanda e oferta do mercado. Nesse sentido, se há muitos trabalhadores disponíveis para um mesmo cargo que exige certa habilidade específica, o salário oferecido será baixo. Não há, nesse caso, interesse em distribuição de renda igualitária. Isso faz com que haja desigualdade de renda que, por sua vez, impacta e influencia na desigualdade econômica

Educação afeta os salários

Geralmente, indivíduos com diferentes níveis de educação ganham salários diferentes, pois o nível de educação costuma ser proporcional ao nível de habilidade – algo exigido pelo mercado. Em uma sociedade em que as oportunidades são desiguais, certa classe social poderá ascender com mais facilidade, tendo acesso à educação e, consequentemente, salários maiores.

A educação, no Brasil, não é ofertada de forma igualitária. Um grupo de pesquisadores analisou a infraestrutura das escolas de Educação Básica brasileiras e constatou que 44,5% têm infraestrutura considerada elementar (água, sanitário, energia, esgoto e cozinha), 40% têm infraestrutura básica e apenas 15,5% têm infraestrutura mais sofisticada. 

Desigualdade de gênero

A desigualdade de gênero é consequência de uma sociedade patriarcal e machista que subjuga mulheres e privilegia homens. Bem como as outras formas de desigualdade, é um processo sutil e complexo, variando politicamente e historicamente de acordo com a sociedade. Essa desigualdade leva, entre outras consequências, a uma lacuna no mercado de trabalho e salários desiguais.

Em um regime patriarcal, atribui-se tarefas domésticas às mulheres, deixando-as distante do mercado de trabalho e com dificuldade de se inserirem nele. Quando inseridas, a desigualdade prevalece. Dados do IBGE, mostram que a taxa de frequência média no ensino médio é 10% mais alta entre mulheres do que entre homens. Mas no mercado de trabalho elas não se sobressaem e nem mesmo se igualam: a média salarial dos homens é de R$ 2.306, enquanto a das mulheres é de R$ 1.764 (dados dos anos de 2015 e 2016).

Desigualdade racial 

Outro fator relacionado à desigualdade econômica é a desigualdade racial, que é resultado de uma estrutura de poder que coloca uma etnia ou raça acima das outras de forma hierárquica. Junto à desigualdade racial há o racismo, discriminação e segregação racial. Tudo isso deriva de um processo histórico, social e político que se difere dependendo da sociedade.

O Brasil, por exemplo, é marcado pela colonização que explorou negros africanos e indígenas por meio da escravidão. Por muito tempo, as teorias científicas e sociológicas desenvolvidas no país procuraram afirmar que uma raça era melhor que a outra. Mesmo com a ciência avançando e destruindo tais argumentos e com o estabelecimento de políticas de ações afirmativas, a desigualdade racial ainda impera, sendo os negros e indígenas menos favorecidos.

Refletindo esse contexto, a disparidade econômica entre raças é grande. Dados do IBGE mostram que trabalhadores brancos possuem renda 74% superior, em média, em relação a pretos e pardos. Essa diferença de renda prevalece mesmo se os indivíduos tiverem o mesmo nível de educação. 

Segundo o IBGE, o diferencial de salário por raça é maior do que por sexo e isso acontece devido à segregação ocupacional, oportunidades educacionais desiguais e remunerações inferiores em ocupações semelhantes. Entre os anos de 2012 e 2018, para cada R$ 1.000 recebidos por homens brancos, foram pagos R$ 758 para mulheres brancas, R$ 561 para homens pretos ou pardos e R$ 444 para mulheres pretas ou pardas. 

Consequências da desigualdade econômica

Fome e pobreza

A desigualdade econômica faz com que a riqueza seja concentrada nas mãos de poucas pessoas. A concentração da renda no Brasil é uma das mais altas do mundo, deixando o país em segundo lugar em má distribuição de renda entre sua população (de acordo com dados de 2019). No Brasil, o 1% mais rico concentra 28,3% da renda total do país. Em outras palavras, quase um terço da renda está nas mãos dos mais ricos.

Em 2020, no Brasil, o número de bilionários saltou 44%, passando de 45 bilionários para 65, sendo que, juntos, eles detêm mais de 219 bilhões de dólares (o equivalente a 1,2 trilhão de reais). Ao mesmo tempo, a fome no Brasil também avançou. Segundo dados da Rede Penssan, no ano de 2020,  a segurança alimentar brasileira caiu de 77,1% para 44,8%. Em 2021, pelo menos 15% da população passou a conviver com a falta diária de ter o que comer.

A desigualdade econômica, ao aumentar a pobreza, a fome e afetar as condições de saúde das classes desfavorecidas, traz malefícios diversos à vida da população. A fome, por exemplo, tem consequências na saúde física e na saúde mental, podendo causar depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. Ela também aumenta o risco de doenças crônicas e causa desnutrição.

A fome e a pobreza aparecem junto ao aumento da criminalidade, da violência, dos prejuízos diversos às classes desfavorecidas e também do impedimento do progresso econômico e social.

Criminalidade

A desigualdade econômica pode aumentar a criminalidade. Uma pesquisa realizada entre 1968 e 2000 concluiu que a desigualdade é o fator mais próximo e consistentemente relacionado ao crime.

Há várias explicações possíveis para isso. Segundo estudiosos, os indivíduos desfavorecidos têm maior probabilidade de sofrer de ressentimento e hostilidade como resultado da posição econômica, competição por empregos e recursos escassos. Além disso, a desigualdade aumenta o incentivo para cometer crimes. Os indivíduos podem se encontrar em situação de pobreza tão extrema que recorrem a formas ilegais de obtenção de recursos. 

Sem progresso econômico

No âmbito econômico, há um ciclo: a disparidade de renda leva a menos investimentos em educação que, consequentemente, leva a menos progresso e desenvolvimento econômico. Um estudo, que cobriu dados de 30 anos dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), acompanhou o aumento da desigualdade nos 25 anos anteriores à crise econômica de 2008. Com base na análise, os pesquisadores concluíram que a desigualdade de renda tem um impacto negativo e estatisticamente significativo no crescimento subsequente.

A análise mostra que o aumento das disparidades de renda impedem o desenvolvimento de habilidades entre os indivíduos com histórico de educação parental mais pobre. Em outras palavras, há uma tendência de redução do crescimento econômico, uma vez que as famílias mais pobres (que são grande parte da população) não investem em educação superior.

Desigualdade econômica aumenta o tráfico de animais e a propagação de vírus

Estudos também relacionam a desigualdade econômica ao comércio de vida selvagem, uma das principais causas da perda de espécies e biodiversidade. Um artigo publicado no Science Advances, mostrou que, nas últimas décadas (1998 – 2018), aproximadamente 421 milhões de animais selvagens ameaçados foram comercializados. A rede de comércio global estava mais conectada em condições de maior desigualdade internacional de riqueza, em um contexto que importadores ricos têm uma vantagem econômica maior sobre as nações exportadoras mais pobres. 

Os pesquisadores alertam sobre os ricos desse comércio, pois ele está diretamente relacionado à propagação de doenças como a Covid-19. Nesse sentido, eles apontam que os esforços atuais para desacelerar o comércio global não serão suficientes. Para conter o problema, será preciso diminuir o mercado pagando aos países para que protejam os animais em vez de vendê-los.