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Mesmo distantes do conflito, crianças muito pequenas são afetadas por notícias que devem ser evitadas e dosadas; para as maiores, muita conversa e explicação

Por Rubens Avelar, do Jornal da USP | A guerra entre Rússia e Ucrânia invade todas as telas, está na televisão, celular, rádio e afeta todo o mundo globalizado. Se a guerra é difícil para adultos, como ficam as crianças expostas, mesmo que de longe, aos horrores de uma guerra? Especialista em Desenvolvimento Infantil, a professora Maria Beatriz Martins Linhares, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, apresenta formas de proteção contra os males, mas destaca a oportunidade de, didaticamente, ensinar valores humanos às crianças.

A guerra, avalia a professora, é uma situação de violência extrema (física, emocional, psicológica, sexual, de privação e abandono) que gera ambiente “altamente ansiogênico”, tanto para adultos quanto para crianças. O caos da guerra traz ameaças com consequências emocionais profundas de ansiedade, de medo, de depressão que, nas crianças, se traduzem em comportamento agressivo, isolamento e até regressão de habilidades já conquistadas.

“Não se tem como preparar uma criança para a guerra”, afirma, adiantando que as crianças precisam de desafios e não ameaças para crescer. Assim, com relação às notícias, a professora diz que o melhor é não expor as crianças. Para as muito pequenas, “devemos evitar” exposição de qualquer mídia, ainda mais as que contêm notícias de guerra, com agressão e mortes.

Quanto às maiores, entre 4 e 6 anos, Maria Beatriz orienta a dosagem dos contatos com conteúdos violentos. Quando não puderem ser evitadas, as notícias devem ser conversadas com a criança. A professora lembra que, mesmo sendo fato ruim, é possível aproveitar a oportunidade para conversar sobre a guerra, verificando o que a criança sabe, pensa, sente. É oportunidade de “dizer às crianças que às vezes as pessoas se agridem, são violentas, não têm compreensão, não sabem conversar”, enfatiza.

A guerra, para a professora, pode despertar as crianças para questões “sobre valores humanos”, como a solidariedade e a empatia, temas que podem ser trabalhados com a criança tendo como contraponto a situação violenta e agressiva. Podem ensinar as crianças a desenvolver a empatia (se colocando no lugar do outro que sofre), a entender a importância de compartilhar, dividir, pensar no outro, cooperar, se reunir em grupos, de trabalhos comunitários, de doação. Ao mostrar a desproteção, a guerra “pode também ajudar na proteção ao desenvolvimento humano e a gente começa esse ensinamento na infância”, argumenta Maria Beatriz.

Este texto foi originalmente publicado pelo Jornal da USP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.