Armazenamento de dados digitais causa poluição e desperdício de energia

eCycle

Tecnologia utilizada por empresas para manter servidores tem geradores a diesel como principal fonte de energia

Em 2006, uma das maiores redes sociais da atualidade, o Facebook, quase parou de funcionar. Isso devido à imensa quantidade de informações armazenadas por seus usuários nas máquinas da empresa. Por conta da enorme carga elétrica, os computadores de armazenamento começaram a superaquecer as portas ethernet e outros componentes essenciais para o funcionamento do site.

Na época, o Facebook contava com 10 milhões de membros e possuía apenas um servidor principal. Hoje em dia, o site gera informações de bilhões de pessoas e requer data centers (centros de processamento de dados) com uma capacidade muito mais alta de armazenamento, além de mais servidores e sistemas de ventilação. Outros sites importantes, como iTunes e Yahoo, também possuem tais centros para armazenar essa explosão de informações.

Ruim para o meio ambiente

Segundo o The New York Times, no entanto, usar centros de processamento não é nada sustentável. A maioria dos data centers, localizados em prédios anônimos e vigiados, consome e desperdiça enormes quantidades de energia. As empresas deixam suas máquinas funcionando na capacidade máxima 24 horas por dia, mas os servidores normalmente não alcançam nem 50% dessa capacidade para suas funções cotidianas. Para evitar qualquer queda de energia, são utilizados geradores movidos a diesel (comprovadamente cancerígeno - confira mais na matéria "Alta exposição a emissões de diesel causa câncer de pulmão, avalia agência").

Há data centers do Vale do Silício que estão no Inventário de Contaminação Tóxica do Ar do Estado da Califórnia. Em todo o mundo, cerca de 30 milhões de watts de eletricidade são consumidos nesses locais, o que equivale à potência de 30 usinas nucleares, segundo a análise do periódico americano. Apenas os Estados Unidos são responsáveis por ¼ dessa quantia.

A pedido do The New York Times, a empresa de consultoria McKinsey & Company analisou o consumo de energia de 20 mil servidores e 70 data centers de bancos, empresas de mídia, agências militares e governamentais, entre outros. A conclusão foi que apenas 6% a 12% da eletricidade utilizada é gasta para os servidores trabalharem. O restante é para mantê-los funcionando sem carga e evitar que algum aumento repentino interrompa suas operações. O que nos levar a crer que os data centers são responsáveis, não só pela poluição digital, mas também possuem impactos ambientais negativos no mundo real.

Cliques e armazenamentos pesados

O desperdício e uso ineficiente dessa energia é devido à alta demanda de usuários que querem uma rápida resposta do sistema a cada clique. A maior parte das empresas tem receio de que, se essa necessidade dos usurários não for atendida, seus negócios poderiam ser colocados em risco. Além disso, muitos data centers utilizam baterias à base de chumbo-ácido, muito semelhantes às de automóveis. Empresas como Facebook e Google usam sistemas de refrigeração para reduzir o consumo de energia. O Google consome 30 milhões de watts e o Facebook, o dobro, 60 milhões.

Cada vez mais os usuários armazenam arquivos pesados, como vídeos e e-mails com foto, sem saberem que, apesar de se tratarem de dados digitais, esses arquivos têm uma correspondência no mundo material e necessitam de milhares de data centers para chegarem ao seu destino.

Segundo a empresa de análise e pesquisa de mercado, International Data Corporation, existem mais de três bilhões de data centers no mundo para suportar tamanha atividade digital. Só em 2010, os EUA utilizaram 76 milhões de kilowatts/hora, o equivalente a 2% de toda eletricidade do país. A indústria de papel consumiu, no mesmo ano, 67 milhões de kilowatts/hora, segundo o instituto de pesquisa Electric Power Research Institute.

Especialistas acreditam que a solução é juntar todos os data centers grandes, centralizados e bem organizados como uma nuvem. Estes dependeriam de uma tecnologia chamada virtualização, que permite que diferentes servidores se unam em fontes flexíveis que possam ser distribuídas aos usuários. Mas, muitas empresas ainda tentam operar seus data centers sem utilizar a nuvem, pois não são muito familiarizados com este tipo de tecnologia ou se mostram céticos. Essas empresas são as maiores usuárias de data centers.

Segundo o Uptime Institute, a nuvem apenas muda a localização dos aplicativos, mas, de qualquer forma, eles irão passar pelos centros de processamento de dados. Para que isso melhore, os consumidores e usuários precisam mudar seu comportamento e expectativas em relação a esses serviços e as empresas, procurarem alternativas mais sustentáveis.

Um bom primeiro passo pode ser limpar sua caixa de email. Que tal?


Com informações do Observatório da Imprensa


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