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A cana-de-açúcar é uma planta utilizada para produção de álcool e açúcar. Conheça seu impacto no mundo e no Brasil

A cana-de-açúcar é uma gramínea do gênero Saccharum cultivada em todo o mundo. Ela é uma planta de clima tropical e é perene, o que significa que não precisa ser replantada todos os anos. Ao ser colhida, a cana-de-açúcar é cortada logo acima do nível da raiz para que novos brotos cresçam e fiquem prontos para serem colhidos novamente entre 10 a 12 meses.

A planta é utilizada para produzir açúcar, caldo de cana, bebidas alcoólicas, produtos medicinais e biocombustíveis, como o etanol e o biometanol, tendo sido importante para o desenvolvimento da economia no País. No entanto, seu ciclo de produção teve como base o escravismo, foi responsável por grande parte do desmatamento da Mata Atlântica e trouxe outras consequências socioambientais negativas para o Brasil.

Saiba mais sobre a cana-de-açúcar, seus usos, impactos e benefícios:

Cana-de-açúcar no mundo

Presume-se que o hábito de mastigar cana-de-açúcar para obter seu sabor doce tenha começado ainda na pré-história, mas as primeiras indicações de sua domesticação começam mais tarde, por volta de 8.000 a.C. A planta se espalhou da região da Polinésia para o mundo e se tornou uma cultura global.

Por muito tempo, um dos derivados da cana, o açúcar, foi uma raridade luxuosa. Ele era consumido apenas pelas classes privilegiadas da Europa, que o utilizavam como especiaria e medicamento.

Entre 1455 e 1480, a planta começou a ser cultivada para produzir açúcar em grande escala e apenas no século 18 passou a ser um alimento trivial. Desde então, a modernização do cultivo se acelerou e, hoje, a cana-de-açúcar é cultivada em dezenas de países.

Cana-de-açúcar no Brasil

Durante o século 15, a cana-de-açúcar foi trazida para as Américas, chegando primeiro ao Brasil por meio dos comerciantes portugueses. O primeiro plantio foi um presente do governador das Ilhas Canárias para Cristóvão Colombo.

Durante aproximadamente 400 anos de colonização do continente americano a produção de açúcar foi a principal e mais rentável atividade agroindustrial. Havia milhares de engenhos espalhados pelas colônias portuguesas, inglesas, francesas, holandesas, espanholas e dinamarquesas que escravizavam milhões de pessoas, que passavam por uma jornada de completa submissão ao ritmo da produção, além de relações de trabalho marcadas pela violência.

O Brasil foi visto com condições favoráveis para o cultivo da planta: solo fértil, temperaturas quentes, relevos planos e mão de obra indígena abundante. Assim, os canaviais começaram a ser implementados, inicialmente em porções litorâneas, e depois também no interior do País, concentrando-se sobretudo em áreas do Nordeste e Sudeste.

A cana produzida para exportação era cultivada em monocultura, em grande escala e tinha o escravismo como base das relações sociais de produção. Os escravos, primeiramente indígenas e posteriormente africanos, cultivavam, cortavam e levavam a cana ao engenho, onde ela era moída e o caldo era fervido até formar uma garapa para ser cristalizado e dar origem aos torrões de açúcar exportados para a Europa.

Depois de algumas oscilações da indústria açucareira brasileira, com a urbanização europeia e o crescimento populacional, em meados do século 20, os engenhos foram substituídos pelas usinas sucroalcooleiras.

De acordo com o Knoema, atlas mundial de dados, o Brasil ainda é o maior produtor de cana do mundo. Só em 2019, por exemplo, foram produzidas mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Dessa quantidade, originaram-se milhões de toneladas de açúcar e bilhões de litros de etanol.

Impactos socioambientais do ciclo produtivo do açúcar

As consequências socioambientais do ciclo produtivo do açúcar no Brasil foram diversas. A escravização e a aculturação provocaram modificações e até mesmo extinção das tradições culturais dos indígenas. Muitas vezes, por meio de violência, os povos originários eram expulsos das terras consideradas boas para o plantio da cana. Doenças europeias, como varíola e sarampo, infectaram os indígenas causando milhares de mortes.

A fauna e a flora também foram impactadas. Animais do domínio biótico euroasiático foram introduzidos no País modificando a fauna brasileira, tais como porcos, galinhas, ovelhas, cabras e bois. Os bois eram utilizados como força motriz para a moenda nos engenhos, sendo necessários aproximadamente 100 animais, com expectativa de vida que não passava de dois anos.

Para limpar o terreno para o plantio, a queimada era uma das práticas mais utilizadas. Em solos de floresta tropical, esse processo destruiu as micorrizas, associação entre fungos e raízes de algumas plantas, importantes para absorção de água e sais minerais.

Além disso, as técnicas e conhecimentos oriundos da Europa muitas vezes eram inadequados ao ambiente tropical. Dessa forma, a produção de derivados da cana causou modificações contínuas no território brasileiro. A retirada da cobertura vegetal foi um dos efeitos mais nítidos e atingiu primeiramente a Mata Atlântica.

Para os senhores de engenho, a Mata Atlântica era o local no qual obtinham a madeira necessária para as construções do engenho e para alimentar as fornalhas e também era onde encontravam os melhores solos para o cultivo da cana-de-açúcar.

Dados

De acordo com um levantamento e estimativa de Gelze Rodrigues e Jurandyr Ross, considerando a produção de 600 toneladas de biomassa por hectare, estima-se que nos períodos colonial e imperial o volume de biomassa eliminado devido ao plantio da cana-de-açúcar tenha sido entre 185.850.000 a 450.000.000 toneladas, sendo que grande parte foi queimada nas fornalhas dos engenhos.

O impacto na área é ainda maior ao se considerar que a biodiversidade dessa floresta dificilmente é recuperada após ação antrópica.

Desde o período colonial, as florestas da Mata Atlântica foram reduzidas a 7% de sua cobertura original, com áreas específicas com apenas 1% da cobertura remanescente. Isso aconteceu, principalmente, devido à extração predatória do pau-brasil, a produção cafeeira, a extração de madeira e também ao ciclo da cana-de-açúcar.

Usos da cana-de-açúcar

Cana-de-açúcar
Imagem de PublicDomainPictures por Pixabay 

Grande parte da cana-de-açúcar é destinada ao setor sucroalcooleiro – dedicado à produção de etanol e açúcar. Para processá-la, inicia-se com a moagem que faz escorrer o açúcar em estado líquido, também chamado de caldo de cana. Ao ferver este caldo, o excesso de água evapora se transformando em açúcar. Se ele for fermentado, vira álcool.

Da cana-de-açúcar também retiram a cera, que tem propriedades importantes para a utilização nas indústrias alimentícia, farmacêutica, química, cosmética e de limpeza. Ela é extraída da torta de filtro, um resíduo da indústria de cana, e pode ser uma alternativa às ceras vegetais, animais e sintéticas.

Os resíduos de cana-de-açúcar também são utilizados para fins distintos. Comumente, a vinhaça, um resíduo que sobra depois da destilação do caldo de cana fermentado, é utilizada na área de cultivo como fertirrigação.

Entretanto, estudos já mostraram que esse uso traz efeitos negativos ao meio ambiente, causando, por exemplo, contaminação de lençóis freáticos com potássio, salinização do solo, lixiviação de metais e sulfatos, liberação de odores nocivos e emissão de gases de efeito estufa como óxido nitroso (N2O).

Por outro lado, outros estudos já reconhecem a possibilidade de utilizar os resíduos da cana-de-açúcar para a produção de biogás, que pode ser usado, por exemplo, para cogeração de energia nas caldeiras da usina (confira estudos a respeito: 1, 2).

Benefícios da cana-de-açúcar na alimentação

Apesar de servir como matéria-prima para diversos produtos, a cana-de-açúcar também pode ser ingerida pura e é benéfica para a saúde. Ela é rica em vitaminas e minerais, sendo amplamente utilizada na Ayurveda e em tratamento de doenças, como inflamação e hemorragia.

Possui polifenóis benéficos para a saúde

Os polifenóis são compostos vegetais que fazem muito bem à saúde. Eles podem agir como antioxidantes, reduzir a inflamação e ajudar na prevenção de doenças. Um estudo mostrou que o melaço de cana-de-açúcar pode ser utilizado como fonte potencial de polifenóis.

Pode ajudar no colesterol

A cana-de-açúcar possui policosanóis, que estão presentes principalmente na cera. Um estudo feito com policosanóis administrados por via oral em coelhos constatou uma diminuição significativa do nível de colesterol total e do colesterol LDL.

Pode prevenir a trombose

Em um estudo feito com camundongos, a ingestão de D-003, uma mistura natural de ácidos alifáticos da cera de cana-de-açúcar, diminuiu significativamente o tamanho do trombo venoso experimentalmente induzido.

Pode aliviar a insônia

O octacosanol é uma substância presente na cana-de-açúcar que tem função antioxidante e propriedades anti-inflamatórias e anti-coagulantes. Um estudo publicado na revista Scientific Reports examinou o efeito do octacosanol em ratos privados de sono por estresse. A conclusão é que a substância alivia o estresse e restaura o sono afetado por ele, podendo funcionar para aliviar a insônia.

Além disso, outra pesquisa constatou que o octacosanol pode ajudar a prevenir o Parkinson.