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Estudos mostram que a mudança climática está diretamente relacionada ao surgimento de novas pandemias

A mudança climática pode ser uma das responsáveis pelo surgimento de pandemias. Um estudo publicado na revista Nature, aponta que mais de 15 mil vírus vão se espalhar e se cruzar entre espécies nos próximos 50 anos. Para os especialistas, o aquecimento global pode colocar em risco a vida de animais e a saúde humana por ser um fator impulsionador de zoonoses.

Isso acontece porque as mudanças climáticas forçam a migração de animais para novos habitats. Ao se deslocarem para sobreviver, esses animais levam consigo suas doenças e parasitas. Por sua vez, eles entram em contato com novos hospedeiros. 

A transmissão de vírus e doenças de uma espécie para outra aumenta o risco de contágio entre animais e seres humanos. Esse processo pode ser chamado de alastramento de zoonoses, um evento bastante conhecido por ser responsável pelo surgimento de pandemias, como a da Covid-19.

Biodiversidade e desmatamento

Outro estudo, publicado na revista Frontiers in Veterinary Science, já vem apontando que zoonoses são mais comuns em áreas de desmatamento e plantações de monocultura. Ou seja, conforme a biodiversidade do local diminui, a probabilidade do surgimento de epidemias na região só aumenta. 

Quando um ecossistema se encontra saudável, é porque ele está repleto de espécies nativas da região, que favorecem o equilíbrio ecossistêmico – com a presença de predadores e presas que mantêm as populações estáveis. Depois que a floresta é desmatada para dar lugar à plantação de óleo de palma, soja ou outro tipo de monocultura, as espécies comuns do local param de prosperar. 

O estudo, publicado pela Frontiers, aponta que entre 1990 e 2016, conforme as plantações foram se expandindo rapidamente, a cobertura da floresta foi diminuindo na mesma velocidade. Com a depredação da biodiversidade, os animais fogem para as cidades ou para outros habitats.

Como consequência dessa mudança repentina, eles passam a viver com espécies que não estão em seu dia a dia. Elas não estão acostumadas com os mesmos vírus e patógenos. Isso gera uma explosão de epidemias que podem acabar com diversos grupos de animais, incluindo os humanos.

pandemia

Futuro da Terra

Por este motivo, cientistas acreditam que os próximos anos da vida terrestre não serão apenas os mais quentes, como também os mais “doentes”. Afinal, os pesquisadores apontam que pelo menos 10 mil tipos de vírus, capazes de infectar humanos, estão circulando em populações de animais selvagens. 

De acordo com o artigo da Nature, cerca de 3.139 mamíferos terão que se retirar de seu habitat natural devido à mudança climática ou alteração nos usos de terra até 2070. Além disso, os dados apontam que até mesmo com um aumento de temperatura relativamente baixo, existirão pelo menos 15 mil transmissões entre espécies até esse período.

Prevenção de pandemias

Na verdade, acredita-se que essa transição ecológica e alastramento de zoonoses já esteja acontecendo agora. Afinal, existem diversos ecossistemas que não estão sendo monitorados, e têm se perdido para o desmatamento e as queimadas. 

O estudo aponta a necessidade de criar meios de evitar o surgimento de pandemias como a do coronavírus. Não é preciso apenas a criação de medicamentos, testes e vacinas, mas sim a prevenção do alastramento de doenças entre espécies diferentes. 

Para isso é preciso lutar pela preservação do habitat de animais, a regulação estrita da troca de vida selvagem, uma melhora na biossegurança, a redução significativa da temperatura terrestre e das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. Esses são apenas alguns exemplos do que pode ser feito para preservar a biodiversidade da natureza e evitar que o futuro da humanidade seja repleto de pandemias.