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Amizade é algo comum do círculo social humano, porém, a ciência acredita que ela pode ser resultado de semelhança genética entre as pessoas

A amizade é considerada uma relação interpessoal essencial para a rotina humana. É comum que as pessoas compartilhem afeto com seus semelhantes durante a vida. A primeira amizade começa ainda na infância, com o colega de classe que participa de brincadeiras e divide brinquedos.

Ao longo do tempo, essas relações vão se estreitando e ganhando características próprias. Quando se chega à adolescência, as amizades passam a ter um carácter mais íntimo e duradouro. Deste momento até o resto da vida adulta, os ser humano passa a escolher seus amigos de acordo com os traços de personalidade.

Homofilia

Existe um termo científico que trata exatamente desta situação, ele se chama homofilia. A homofilia é a tendência dos seres humanos de fazer amizade com aqueles que eles se identificam. As características são as mais diversas, desde ancestralidade, escolhas políticas, gosto musical e até mesmo traços físicos semelhantes. 

Esse termo tem chamado cada vez mais a atenção dos cientistas. Eles acreditam que as semelhanças entre amigos vai muito além de uma questão social. Segundo alguns estudos, a escolha de amizade pelas pessoas é algo com forte influência genética, e que demonstra uma característica evolutiva desde o princípio. 

Ratos formam “amizade genética” entre si

A Universidade de medicina de Maryland, nos Estados Unidos, realizou algumas pesquisas em ratos que ligaram a amizade entre os animais a fatores genéticos. Os pesquisadores responsáveis por esse estudo afirmam que essa descoberta pode ser um passo importante para saber se amizades humanas funcionam da mesma forma.

Tudo surgiu quando a doutora Michy Kelly, professora responsável pela pesquisa, precisou ficar de olho em um rato que tinha deficiência da proteína PDE11. Rapidamente, ela descobriu que esse fator fazia com que o animal se restringisse a fazer amizade com os outros, adotando um comportamento antissocial. 

A proposta foi levada para a universidade de Maryland, e os pesquisadores realizaram estudos com cheiros de ratos amigos e ratos estranhos. Os ratos que apresentaram qualquer tipo de amizade mostraram uma facilidade maior em reconhecer o cheiro do colega depois de um tempo. 

Com o avanço dos estudos, os pesquisadores passaram a colocar ratos com deficiência de PDE11 e os considerados “normais” juntos. A premissa deste teste era descobrir como eles iriam se relacionar entre si. O resultado foi o esperado, aqueles sem PDE11 escolheram fazer amizade com os seus semelhantes, e os “normais” também.

Ainda não foi possível mapear como esses ratos conseguem encontrar essa “amizade genética”. Os estudiosos responsáveis começaram a inserir novas fases aos testes, reduzindo a capacidade de cheiro e de movimento dos animais, para entender se esses são os principais meios. 

Entretanto, essa não é a única pesquisa que procurou saber se a amizade é algo que vai além da questão social. Um outro estudo revelou que:

Há similaridade genética entre amigos

Dois pesquisadores, Nicholas Christakis e James Fowler, realizaram uma grande busca em dados do Framing Heart Study nos Estados Unidos. A busca teve como objetivo fazer uma análise a longo prazo de doenças cardiovasculares no país, e os exames foram realizados de dois em dois anos em todos os pacientes voluntários. 

Nicholas e James escolheram esses dados devido a sua dimensão significativa, que os permitiu fazer uma melhor análise da situação. Desta forma, os dois pesquisadores reuniram todos os 450.000 genomas das 2.000 pessoas envolvidas no estudo. Eles correlacionaram as semelhanças entre os quase 1.400 pares de amigos encontrados dentro do grupo de pesquisa. Depois, buscaram semelhanças entre os mais de um milhão de pares de pessoas desconhecidas.

Eles começaram a notar que, em média, os amigos mostravam ter uma maior semelhança genética do que qualquer outra relação analisada. Isso não foi o suficiente para os estudiosos, que acreditavam que essa genética da amizade ia muito além de traços de ancestralidade. Por isso, optaram pela avaliação de um estudo com pouca variação ancestral. 

Com o desenrolar das pesquisas, eles passaram a notar que um dos genes comuns entre amigos era o senso de cheiro. Isso porque as pessoas costumam habitar locais que agradam seu olfato. Logo, a amizade surgiria nesses lugares onde alguns indivíduos se sentem mais confortáveis com o cheiro.

Essa similaridade genética não é tão grande, mas já é significativa, e se resume a 1% dos genomas humanos. Fator que se assemelha à proximidade de um indivíduo com um primo de quarto grau. 

Diferença no sistema imunológico

Apesar das similaridades, Nicholas e James descobriram que os amigos do grupo de estudo não tinham as mesmas características em seus sistemas imunológicos. Para explicar esta situação, ambos afirmam que existe a possibilidade de que o ser humano tende a procurar amizades que possam oferecer apoio e segurança em casos de doenças. Quando um sistema imune é diferente de outro, é possível que uma doença que atinja um amigo não atinja o outro, o que aumenta a resistência do grupo a epidemias. 

Traços evolutivos

Os pesquisadores também afirmam ter feito outra descoberta durante o estudo. Segundo eles, os traços genéticos que são compartilhados pelos amigos, como a preferência de cheiro, são passados à frente na linha da evolução. Ou seja, as semelhanças genéticas entre uma comunidade de amigos são mais propensas a serem escolhidas no processo evolutivo do ser humano. 

Desta forma, quando uma nova geração nascer, elas podem apresentar os genes de seus antepassados. Genes esses que eram compartilhados pelo círculo de amizade de seus pais, avós e tataravós. Mostrando que a evolução do ser vivo não está condicionada apenas ao meio físico e ecológico, mas também ao social.