Minhoca: importância ambiental na natureza e em casa

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Minhocas desempenham papel importante no ambiente e você pode criá-las em casa

As minhocas fazem um trabalho de fragmentação da matéria orgânica que permite que todo o ciclo de vida se renove e, facilitando a decomposição pelos micro-organismos, elas contribuem para a geração de húmus, enriquecimento do solo, diminuição do lixo destinado a aterros e lixões e diminuição da emissão de gases do efeito estufa. As minhocas são seres higiênicos e você pode cultivá-las em casa (até mesmo em apartamentos) como animais domésticos, por meio da compostagem, ou vermicompostagem.

Entenda a importância das minhocas para o meio ambiente e porque é importante e benéfico tê-las em casa.

Tipos de minhocas

As minhocas pertencem à ordem Oligochacta, que inclui mais de 8000 espécies de 800 gêneros diferentes. Com exceção de ambientes de climas extremos como desertos e de temperaturas muito baixas, as minhocas estão presentes no mundo inteiro, principalmente em florestas e pastagens naturais. Entretanto, algumas espécies também habitam ambientes aquáticos.

As diversas espécies de minhocas possuem distintos tamanhos. Em média, uma minhoca pode variar de alguns milímetros a dois metros de comprimento. No entanto, há registros de minhocas pertencentes à espécie Microchaetus sp. medindo sete metros de comprimento e 75 milímetros de diâmetro.

minhocas

As populações de minhocas variam de apenas alguns indivíduos por metro quadrado a mais de mil, dependendo das condições do solo como pH, a capacidade de retenção de umidade, chuvas e temperatura ambiente. Mas, o mais importante para a manutenção da vida de uma minhoca é a disponibilidade de matéria orgânica. Isso porque as interações entre a matéria orgânica e os micro-organismos fornecem alimento para as minhocas.

Alguns tipos de minhocas podem se reproduzir por partogênese, ou seja, sem necessidade de acasalamento, o que aumenta o seu potencial para se espalhar para novos locais.

Enquanto algumas minhocas não resistem a climas abaixo de 0°C, outras não suportam temperaturas acima de 30 e 35ºC.

Embora todas as espécies de minhocas contribuam para a fragmentação da matéria orgânica, elas diferem muito nas maneiras pelas quais fazem essa decomposição. Algumas espécies de minhocas limitam suas atividades a decomposição da camada de serrapilheira na superfície do solo e raramente penetram no solo mais do que superficialmente. O principal papel dessas espécies é a fragmentação de matéria orgânica em partículas finas, o que facilita a atividade microbiana.

Outras espécies vivem logo abaixo da superfície do solo a maior parte do ano, exceto quando o clima é muito frio ou muito seco; não tem tocas permanentes; e ingerem matéria orgânica e materiais inorgânicos. Há também as espécies que habitam o solo com tocas permanentes e profundas. Estas espécies vivem principalmente a base de matéria orgânica, mas também ingerem quantidades consideráveis ​​de materiais inorgânicos e os misturam completamente no solo como um todo. Estas últimas espécies são de importância primordial na pedagogênese (formação do solo).

Tempo de vida da minhoca

O ciclo de vida de muitas espécies de minhocas ainda não foi bem estudado. Há informação de qualidade e disponível apenas sobre cerca de 39 espécies de minhocas, sendo 12 pertencentes a ambientes de clima temperado, 7 africanas e 20 espécies de ecossistemas tropicais como os do Brasil.

O tempo de vida de uma minhoca varia entre dez e 12 anos. Entretanto, no ambiente selvagem, as minhocas costumam viver no máximo até uma ou duas estações do ano devido à sua suscetibilidade a uma ampla gama de predadores.

Minhocas e a fertilidade do solo

As minhocas são extremamente importantes para a formação do solo. Por meio da ingestão, elas proporcionam a fragmentação da matéria orgânica e sua mistura com os minerais presentes no solo.

Por meio da alimentação da matéria orgânica, as minhocas melhoram a atividade microbiana, que, por sua vez, também acelera as taxas de degradação e estabilização do húmus - matéria orgânica presente em vários tipos de solos, que é essencial para a vida na Terra. Para entender melhor o que é húmus e sua importância dê uma olhada na matéria : "Húmus: o que é e quais são suas funções para o solo".

Minhocas e a movimentação do solo

Como Darwin bem observou, uma minhoca é capaz de movimentar grandes quantidades de solo de camadas mais profundas para a superfície. Por ano, as minhocas podem movimentar uma quantidade de duas a 250 toneladas de hectares de solo. Essa movimentação é muito importante para manter o solo homogêneo e fértil.

Aeração e drenagem do solo

A atividade das minhocas aumenta tanto a porosidade quanto a disponibilidade de ar (oxigênio) no solo. Os buracos feitos por elas também são importantes para melhorar a drenagem e aumentar a taxa de infiltração de água.

Minhocas disponibilizam nutrientes para o solo

Durante a alimentação das minhocas, a proporção carbono/nitrogênio na matéria orgânica cai progressivamente, mas a maior parte do nitrogênio é convertida na forma de amônio ou nitrato. Ao mesmo tempo, outros nutrientes como fósforo e potássio, são convertidos em uma forma disponível para as plantas.

Sem o trabalho de decomposição das minhocas e, principalmente, de micro-organismos, os nutrientes ficariam eternamente presos na matéria orgânica morta e não retornariam ao ciclo da vida, se tornando escasso e inviabilizando a vida na Terra como a conhecemos.

A importância das minhocas na composteira de casa

A maior parte do lixo produzido em casa (cerca de 60%) é de origem orgânica; ou seja, restos vegetais e, em parte, animais. Esse tipo de lixo, se destinado para aterros e lixões, acaba aumentando a demanda por espaços subutilizados e contribui para a emissão de gases do efeito estufa.

Uma composteira caseira contendo micro-organismos decompositores e minhocas especializadas em compostagem doméstica evita a emissão de gases do efeito estufa, a demanda por espaços em aterros e lixões e ainda produz um rico húmus que pode ser utilizado como substrato para plantas, entre outros benefícios. Para isso basta cultivar minhocas (e micro-organismos benignos e invisíveis a olho nu presentes no húmus) por meio do lixo de origem vegetal. As minhocas digerem a matéria orgânica para os micro-organismos, que, por sua vez, farão todo o trabalho de decomposição e impedimento de emissão de gases de efeito estufa como o metano. Para entender melhor como funciona esse processo dê uma olhada na matérias:

Qual é a melhor minhoca para a composteira?

Como vimos, há muitas espécies de minhoca. Somente as terrestres compõem cerca de 4 mil espécies de minhocas, divididas em três grupos ecológicos: anécicas, endogeicas e epigeicas.

As minhocas mais adequadas para a composteira fazem parte do grupo das epigeicas, que são aquelas que vivem próximas à superfície, sendo as espécies mais utilizadas de nome científico E. andrei e E. fetida, pois não abrem galerias no solo e alimentam-se basicamente de resíduos orgânicos, vantagens para a criação em cativeiro.  

O grupo das minhocas anécicas é formado pelas espécies que vivem em galerias verticais. E o grupo das minhocas endogeicas é formado por espécies que vivem em perfis de solo mais profundos ainda - grupos pouco vantajosos para a criação em cativeiro.



Veja também:



 

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