Cápsulas de café espresso: convenientes, mas cuidados são necessários

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Fazer um café nunca foi tão prático, porém alguns modelos de cápsulas apresentam riscos para a saúde humana e a natureza

Cápsulas de café

Encontrar cápsulas de café nunca foi tão fácil. Existem diversas marcas no mercado, com diferentes preços e sabores, e a variedade atinge também o material com o qual cada uma delas é produzida. O sistema desenvolvido pela empresa Keurig popularizou o modelo das cápsulas e abalou a forma tradicional de se fazer café, permitindo que o famoso café espresso, escrito na grafia original italiana, ou expresso, em bom português, seja apreciado em casa. O novo método é bem prático: basta colocar uma pequena cápsula lacrada e cheia de café em uma máquina. O mecanismo retira a tampa e esguicha a quantidade necessária de água quente no café - também há modelos com chá e cafés saborizados ou com leite. Em poucos instantes, é possível saborear a bebida.

Os potinhos produzidos pela empresa norte-americana são de plástico, assim como as cápsulas de café Dolce Gusto. Já as cápsulas da Nespresso, pioneira do setor no Brasil, são de alumínio, modelo que reduz danos. Outra marca de destaque no mercado brasileiro de cápsulas de café é a Três Corações, que também possui uma máquina própria.

Uma vantagem das cápsulas de alumínio é que elas são recicláveis, mas precisam ser entregues nos postos de reciclagem apropriados, que são restritos. Se forem jogadas no lixo comum serão de difícil reciclagem, devido a seu tamanho limitado.

Os modelos de cápsulas feitas com plástico preocupam críticos e cientistas. Nos EUA, as cápsulas de café já são o segundo modo mais popular de se consumir a bebida no país, segundo o jornal Seattle Times. A facilidade para se fazer o café e a possibilidade de se tomar um espresso (ou algo próximo a ele) em casa são grandes atrativos. No entanto, é preciso estar atento aos impactos ambientais dessa escolha.

O jornalista Murray Carpenter, em seu livro Caffeinated, calculou que o total de cápsulas de café K-Cups (as da Keurig) produzidas em 2011 daria para dar a volta ao mundo mais de seis vezes. Além disso, a crescente demanda pelo método levantou preocupações de críticos e cientistas sobre a composição do material usado na fabricação das cápsulas de café, pois poderiam ser prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Esse é o grande dilema.

Cápsulas de café

O especialista em recursos sênior do National Resources Defense Council (Conselho de Defesa de Recursos Naturais) dos EUA, Darby Hoover, afirmou que a maior parte das cápsulas de café não é reciclada devido ao pequeno tamanho. Os modelos de plástico são dominantes no país, mas também por lá há opções de alumínio ou biodegradáveis.

Apesar da concorrência, Sandy Yusen, porta voz da Keurig, que é líder do setor nos Estados Unidos, alega que encontrar o substituto para o plástico é algo muito difícil porque o café é um alimento perecível e, dessa forma, o composto da embalagem deve evitar a luz solar, umidade e o contato com oxigênio para conservar o produto.

Risco à saúde

Ao ser questionado sobre o material plástico que gera preocupação por conta de contaminação, o porta voz afirma que os materiais utilizados nos K-Cups são seguros e livres de BPA e que atendem ou excedem padrões aplicáveis nos EUA. No entanto, a empresa não quis informar quais os tipos de plásticos usados na embalagem do produto, o que dá brecha para o possível uso do poliestireno, composto que é altamente prejudicial à saúde (ele é um possível carcinogênico).

Além de investir em praticidade, é preciso considerar o conjunto de fatores agregados ao uso de cápsulas de café, sejam elas Nespresso, Dolce Gusto, Três Corações ou de outras marcas. Os materiais de composição variam e é importante analisar se são recicláveis, se há postos de coleta na sua região e se há riscos à saúde envolvidos. As próprias marcas, conforme aumenta a concorrência no setor, precisam se preocupar com o material usado para a composição de suas cápsulas.

O que fazer com as cápsulas usadas?

A destinação a ser dada às cápsulas de café é uma questão que precisa ser pensada tanto pelos consumidores quanto pelos produtores. Esse é um mercado em expansão, com possibilidades de crescimento, e com isso aumenta a importância de pensar sobre o impacto do produto no meio ambiente. Além das cápsulas descartáveis, há ainda opções em que você compra uma única cápsula reutilizável, que pode ser abastecida várias vezes. É uma forma de utilizar a máquina de café espresso e reduzir o impacto ambiental. Saiba mais na matéria "O que fazer com cápsulas de café usadas?" e confira dicas de artesanato com cápsulas de café espresso usadas.

Outra possibilidade é optar por um modelo mais sustentável de fazer café, como o Moka, feito com a cafeteira italiana, que também é super fácil, prático e tem pouquíssimo impacto ambiental - além disso, o café produzido por esse método tem um sabor forte e encorpado, parecido com o expresso. Você também pode resgatar o café de coador, mas trocando os filtros de papel por um coador de aço. Independente do método escolhido, a borra de café é um excelente adubo natural.

Confira abaixo como se dá a preparação do café com as K-Cups:

K-Cups

Veja também:


 

Comentários  

 
0 #1 2014-10-31 08:39
Gostaria de mais informações. O poliestireno é o material do isopor (poliestireno expandido). Onde há dados de que seja possível cancerígeno? Se for, por que é permitido colocar todo tipo de alimento em contato com ele, nas famosas bandejinhas? E se fosse, os índices de cânceres seriam gigantescos, não?

Quanto ao alumínio, se de fato for reaproveitado e reprocessado, estaria ok. Mas se for jogado fora (por estar misturado com plástico, o que dificulta muito o reprocessamento ) aí também não é viável, pois a extração de bauxita destrói montanhas mundo afora.
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