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A Reserva Biológica de Sooretama é um dos últimos refúgios de Mata Atlântica do Espírito Santo

Imagem editada e redimensionada de Daniele Longui, está disponível no Wikimedia e licenciada sob CC by 3.0

A Reserva Biológica de Sooretama foi criada em 1982 para preservar a Mata Atlântica remanescente no Espírito Santo. O local é o resultado da união da Reserva Florestal Estadual de Barra Seca com o Parque de Refúgio de Animais Silvestres Sooretama. O atrativo está localizado entre os municípios de Linhares, Jaguaré, Sooretama e Vila Valério, a 130 km de Vitória. A visitação à Reserva é permitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apenas para fins educacionais e de pesquisa.

A Reserva pode ser considerada como um dos últimos refúgios de Mata Atlântica do Espírito Santo e de espécies como a onça-pintada, o tatu-canastra, a harpia e a anta. Por isso, esse complexo está presente na lista da Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade e é considerado uma das áreas chaves para a preservação de aves pela organização Birdlife International.

A Reserva Biológica de Sooretama faz parte de uma área chamada de “Hiléia Baiana”, que vai do extremo sul da Bahia ao norte do Espírito Santo. Nela, podem-se encontrar vestígios da flora e fauna amazônicas em plena Mata Atlântica, apesar dos 1.500 km que as separam.

Espécies amazônicas encontradas em Sooretama

Embora as florestas da Amazônia e da Mata Atlântica estejam separadas geograficamente, existem indícios de que essas duas regiões já estiveram ligadas no passado. Registros de pólen fóssil e estalactites e estalagmites indicam a presença dessas áreas florestais há cerca de 900 a 20 mil anos onde hoje se encontra a Caatinga.

De acordo com uma pesquisa feita pelo professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia, Henrique Batalha Filho, existiram contatos históricos entre os dois biomas em dois momentos distintos. Essa proximidade fez com que muitas espécies amazônicas fossem observadas na Reserva Biológica de Sooretama. Uma delas é a tartaruga-de-patas-malhadas (Rhinoclemmys punctularia). Até então, acreditava-se que o gênero só era encontrado nas Américas Central e do Sul – e nesta, apenas na Amazônia. Mas ela pode ser vista também em Sooretama.

Outro exemplo é o surucuá-de-coleira (Trogon collaris), uma ave amazônica que habita as regiões norte do Espírito Santo e sul da Bahia. No mapa de ocorrência, ela existe em praticamente toda a Amazônia. Além dela, outros pássaros amazônicos podem ser vistos em Sooretama, como o flautim-marrom (Schiffornis turdina) e a maior ave de rapina do Brasil, a harpia ou gavião-real (Harpia harpyja).

Ameaças à Reserva

A Reserva Biológica de Sooretama sofre ameaças com a proximidade a centros populacionais e estradas, rota de escoamento de produtos da região. Estima-se que mais de 20 mil animais silvestres sejam atropelados por ano no trecho de aproximadamente 25 km na BR-101, que corta a Reserva e seu entorno. Ao todo já foram contabilizadas cerca de 150 espécies diferentes de vertebrados atropelados, entre anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Muitas delas estão ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, a onça-parda e a anta.

Além disso, a BR-101 pode ser vista como um vetor de ocupação do entorno, intensificando o uso do solo, colocando pressão sobre a floresta, gerando desmatamento dos fragmentos próximos à Reserva e a competição pelo uso dos recursos hídricas. A caça comercial também pode ser citada como uma grave ameaça para a fauna local.

Portanto, a Reserva Biológica de Sooretama é um dos últimos refúgios de Mata Atlântica do Espírito Santo. Por isso, é importante que o poder público adote medidas que minimizem os impactos ambientais causados por essa rodovia. Além disso, a criação de campanhas de conscientização também pode auxiliar na preservação dessa região.



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