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Pacientes do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP aprendem a montar arranjos florais e vivenciam momentos de bem-estar, beleza e acolhimento, além de se qualificar para uma nova profissão

Por Jornal da USPDesde outubro do ano passado, um projeto com participação de pacientes psiquiátricos vem trazendo beleza e alegria para os frequentadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo. Em tratamento no Hospital Dia, eles vivem momentos de bem-estar e acolhimento, lidando com diversos tipos de flores e aprendendo como fazer arranjos e buquês, ao mesmo tempo que colaboram para a decoração dos ambientes do hospital.

“Não tenho dúvida de que depois de trabalhar alguns momentos com as flores a pessoa vai se sentir mais calma, mais feliz, mais alegre e vai transmitir isso para os outros”, destaca o professor Wagner Gattaz, presidente do Conselho Diretor do IPq. “A busca pela melhoria do ambiente de trabalho beneficia também os profissionais, que revertem esse benefício em cuidados aos nossos pacientes”, explica.

Gattaz é idealizador do projeto Flores no IPq, iniciativa que recebe flores e folhagens utilizadas na decoração de grandes eventos, cerimônias e casamentos, mas que ainda estão em bom estado e podem ter seu ciclo de vida útil prolongado, antes de serem descartadas.

Ele encontrou o empresário Bruno Zani, diretor da Cenográphia Projetos de Festas, e questionou sobre a destinação das flores usadas nos eventos da empresa. Descobriu que ele já doava flores para entidades como o Instituto Flor Gentil, dedicado à elaboração e entrega de arranjos em casas de repouso. A atividade foi suspensa pela pandemia mas, com a retomada de eventos, o IPq foi incluído entre as entidades a receberem doações. “Atuo em um segmento privilegiado, com flores lindas e grandiosas, e compartilhar isso para além das festas, levando beleza e alegria a outras pessoas, me motiva e impulsiona”, ressalta Zani. Segundo ele, seus clientes também gostam de saber que as flores que fizeram parte de um momento especial de suas vidas terão um novo e feliz destino.

Para viabilizar esse trabalho com os pacientes, o IPq contou com o engajamento de Cristina Igue, que cuida do bem-estar ambiental do hospital, e Ana Laura Alves, do Hospital Dia Adultos, responsáveis pela logística de recebimento e distribuição.  As flores chegam em caminhões, são destinadas para os pacientes no momento da terapia ocupacional para aprenderem a fazer arranjos e depois são distribuídas pelo instituto para decoração dos ambientes. “Os pacientes também podem levar os arranjos para casa ou podem vendê-los e com essa verba é possível investir novamente na terapia ocupacional, formando um projeto que gera sustentabilidade”, explica Gattaz.

Reabilitação psicossocial e nova profissão

Os pacientes que participam do projeto Flores no IPqpossuem diferentes diagnósticos psiquiátricos, já estiveram em tratamento e estão a caminho da alta hospitalar. “Eles passam a frequentar o hospital durante o dia e, à noite, eles vão para casa, o que significa que é uma hospitalização parcial que serve para reintroduzir a pessoa na vida social e profissional”, destaca Gattaz. 

No caminho da reabilitação psicossocial, é a equipe de terapia ocupacional que cuida das atividades dos pacientes com as flores, o que inclui a aprendizagem com professores floristas, cedidos pela empresa doadora, que ensinam os pacientes a cuidar das flores e a fazerem os arranjos. “Isso qualifica alguns pacientes a procurar emprego em floriculturas depois de receberem alta, porque estão aprendendo na prática uma nova profissão”, diz o professor. Ele destaca o trabalho da terapia ocupacional como fator importante para mudança de atitude do paciente frente ao mundo e, nesse caso, a inclusão de uma atividade que seja bonita, agradável e faça sentir prazer em produzir alguma coisa.

Com uma carreira reconhecida e premiada na área da psiquiatria, Gattaz afirma que novas ideias como a do projeto com flores são motivadas pela vocação de médico. “O meu papel de aliviar a dor dos meus pacientes, aliviar a dor moral, o sofrimento, a angústia, nós conseguimos de várias formas: a primeira e mais importante é por meio da ciência, com métodos e tratamentos embasados cientificamente. Mas, ao lado disso, também existe o objetivo de proporcionar bons momentos para todos”, conclui. O sucesso da atividade junto aos pacientes, somado à motivação dos profissionais e frequentadores do IPq que apreciam ou mesmo querem trabalhar com as flores são exemplos disso.

Com informações da Assessoria de Imprensa do IPq HCFMUSP