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Jorge Hallak e Thiago Afonso Teixeira comentam estudo que procurou entender como a pandemia afetou a vida sexual dos profissionais da área da saúde que estiveram na linha de frente do combate à doença

De acordo com um novo estudo, profissionais de saúde relataram reduções na libido e na satisfação sexual durante a pandemia de covid-19. A pesquisa foi realizada entre os profissionais do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP. O levantamento procurou entender como a pandemia afetou a vida sexual dos profissionais da área da saúde que estiveram na linha de frente do combate à doença.

“As respostas foram muito impactantes do ponto de vista de piora de toda a esfera sexual, tanto do homem quanto da mulher”, contou ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição o professor Jorge Hallak, do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina e do Grupo de Estudo em Saúde Masculina do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Dos aproximadamente 1.300 participantes do estudo, cerca de 45% relataram uma piora na qualidade de suas vidas sexuais durante a pandemia. Entre os fatores listados para justificar a piora estão a queda da libido, a falta de ter uma vida noturna que possibilitasse a satisfação, o aumento da frequência masturbatória e o isolamento do parceiro.

“Em termos de piora da satisfação sexual, foi muito próximo dos valores [entre os gêneros]”, ilustra Thiago Afonso Teixeira, doutor em Urologia pela FMUSP e um dos responsáveis pelo estudo. Na queda de libido, os números têm uma variação maior, sendo que aproximadamente 42% dos homens relataram uma diminuição do desejo sexual, enquanto só 25% das mulheres relataram essa queda. “A grande diferença foi que, aparentemente, o sexo biológico masculino foi um pouco melhor protegido dessa queda da piora da qualidade de vida sexual, aparentemente as mulheres sofreram mais”, afirma Teixeira. 

Segundo Hallak, essa queda na qualidade de vida sexual dos profissionais da saúde pode ser justificada pelo nível de estresse sofrido por eles durante a pandemia. Por estarem na linha de frente de combate, vendo o efeito da pandemia em primeira mão, a sensação de impotência, a ansiedade e o estresse impactaram o psicológico desses profissionais. “Apesar de estarem mais acostumados a ver o sofrimento humano, não tem como ficar isolado disso tudo e foram momentos traumáticos e continua sendo para quem está ainda lidando com a doença diariamente”, conclui o especialista.