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Cientistas observaram que o sistema imunológico feminino produz uma resposta mais regulada, semelhante a de pacientes jovens que, na maioria das vezes, têm um melhor desfecho clínico

Imagem de engin akyurt em Unsplash

Pesquisa coordenada pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP abriu caminhos para entender por que a taxa de mortalidade da covid-19 é menor entre as mulheres. Por meio de análise de dados genômicos presentes em bancos de dados internacionais, os cientistas observaram que o sistema imunológico feminino produz uma resposta mais regulada, semelhante a de pacientes jovens que, na maioria das vezes, têm um melhor desfecho clínico. Já os homens possuem um perfil de expressão genética que mais se assemelha aos idosos. Os detalhes do estudo foram publicados na plataforma MedRxiv e ainda não foram revisados por outros cientistas.

Os pesquisadores utilizaram dados de outros estudos depositados no GEO Database (Gene Expression Omnibus). As informações foram obtidas por meio da análise transcriptômica (abordagem que investiga quais genes serão expressos para se defender do ataque de um patógeno) de cerca de mil amostras de secreções de nasofaringe (swab) e de leucócitos do sangue periférico de pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 e de pacientes-controle.

“Com os dados genômicos em mãos, agrupamos os pacientes de acordo com o sexo, idade e carga viral. E a informação mais relevante que encontramos foi a de que homens e mulheres modulam de uma forma diferente os genes do sistema imune”, relata ao Jornal da USP Paula Paccielli Freire, bióloga do ICB e primeira autora do estudo.

As investigações mostraram que as mulheres ativam as citocinas de forma intensa, mas não a ponto de causar danos aos órgãos. Além disso, apresentam um melhor controle da ativação de genes pró-inflamatórios, tais como o CXCL8 (e seus receptores CXCR1 e CXCR2) e a Interleucina-1β. Esses são considerados genes-chave das vias imunológicas.

O professor Otávio Marques, do Departamento de Imunologia e Farmacologia do ICB e primeiro autor do estudo, contou ao Jornal da USP no Ar que a IL-1β já é considerada um alvo terapêutico importante. “Ao bloquear a IL-1β, aumenta-se a chance de sobrevivência, apontam estudos recentes.”

Análise global

Olhar com mais atenção para os diferentes genes expressos nos homens e nas mulheres não foi o ponto de partida da pesquisa. Como relatou Paula aoJornal da USP, a ideia inicial era fazer uma abordagem global em diferentes grupos de pacientes: homem e mulher; idoso e jovem; e alta e baixa cargas virais, utilizando ferramentas de bioinformática. “Queríamos verificar o perfil transcricional do sistema imune”, explica Paula. Ou seja, queriam ver quais genes do sistema imune são transcritos durante a infecção pelo SARS-CoV-2. “Mas os primeiros resultados não traziam nada além do que já se sabe sobre a doença.”

Os pesquisadores decidiram, então, mudar a estratégia da investigação e traçaram outros caminhos. O objetivo era encontrar padrões e vias de sinalização interessantes. “Comparamos pacientes infectados e saudáveis, descrevemos todos os genes envolvidos no processo e detalhamos as diferenças entre eles ”, descreve a bióloga.

Paula observou que as amostras se agrupavam de acordo com o perfil de expressão de genes: os homens estavam mais próximos aos idosos e, as mulheres, aos jovens. “Marques e eu comentamos esses achados com o professor José Alexandre Marzagão Barbuto, sem nenhuma pretensão”, revela Paula. “Foi ele que nos alertou que ali tinha algo importante para ser analisado.”

Na última etapa, Paula fez a análise de comparação – também chamada análise de clusterização – somente entre homens e mulheres doentes. Os resultados mostraram que o padrão de expressão genética confere mais proteção às mulheres durante a infecção pelo SARS-CoV-2. “Mas por que isso acontece ainda é algo que precisa ser investigado”, finaliza Marques.



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