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Biologia e comportamento machista podem explicar por que mulheres vivem mais que homens

Por que mulheres vivem mais que homens? Esse questionamento tem rondado a cabeça das pessoas há bastante tempo. Mesmo com algumas exceções, as mulheres apresentam maior expectativa de vida em grande parte das décadas estudadas. Ao contrário do que se acreditava, a longevidade feminina não se explica apenas por diferenças de comportamento, mas também por divergências biológicas. 

No Brasil, a diferença na expectativa de vida de mulheres e homens é notável. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida da população masculina é de 73 anos, enquanto a mulher brasileira vive até os 80 anos. A disparidade de longevidade é de quase dez anos entre homens e mulheres.

Dos séculos passados até os dias de hoje, a expectativa de vida do ser humano mudou muito. Acredita-se que o aumento na longevidade tenha acontecido devido às melhorias nas condições de vida e ao avanço da medicina. No entanto, a diferença de gênero permanece, e muitos cientistas ainda se questionam: por que mulheres vivem mais que homens?

Essa é uma área de estudo que ainda precisa ser aprofundada. No entanto, já é possível entender alguns motivos pelos quais mulheres vivem mais que homens. Com base em alguns estudos e análises feitas ao decorrer dos anos, nota-se um conjunto de razões que contribuem para esse fator. 

Confira a seguir alguns dos motivos pelos quais mulheres vivem mais que homens:

Por que mulheres vivem mais que homens?

Biologia

Diferença de cromossomos

Existem evidências que mostram que a diferença de cromossomos entre homens e mulheres afeta sua longevidade. Um bom exemplo é a diferença na distribuição  de gordura no corpo masculino e feminino. Os homens são propensos a terem mais gordura visceral ao redor de seus órgãos, enquanto mulheres tendem a ter mais gordura embaixo da pele. 

Essa diferença é determinada pela quantidade de estrogênio e presença do segundo cromossomo X em mulheres. A importância dessas gorduras para a expectativa de vida se dá pelo fato de que a gordura que fica ao redor dos órgãos pode apontar doenças cardiovasculares.

Mulheres ficam doentes com mais frequência 

Um estudo, publicado pela revista Gender Medicine, revelou que apesar dos números de mortalidade feminina serem menores, as mulheres passam mais tempo doentes em sua vida. Devido à maior quantidade de dias doentes, mais visitas ao médico e ao hospital, elas criam uma resistência que as protege. 

Esse fator ainda precisa ser estudado com profundidade, no entanto, já apresenta uma resposta plausível para o por que mulheres vivem mais que homens?

Alterações nas proteínas do sangue 

Ao observar o sangue de homens e mulheres entre 65 e 95 anos, pesquisadores do  Institute for Aging Research descobriram mais uma questão biológica que pode afetar a longevidade masculina. De acordo com o estudo, homens são mais propensos a terem alterações em suas proteínas do que mulheres.

Na pesquisa foram notadas 600 mudanças nos níveis de proteína de homens, enquanto as mulheres apresentaram apenas 277 mudanças significativas. Para os pesquisadores, a estabilidade da biologia feminina pode explicar o porquê de mulheres viverem mais que homens.

Memória 

Michael Ullman, um professor de neurociência na Georgetown University, descobriu que o sexo biológico de uma pessoa pode afetar significativamente sua memória declarativa. Ou seja, a habilidade de relembrar coisas de eventos específicos ou onde deixou um objeto, como as chaves do carro. 

Em seu estudo, Ullman notou que tanto os homens quanto as mulheres tiveram uma pontuação parecida em testes de memória. Até os 70 anos, quando as mulheres passaram a ter uma vantagem considerável. Para o professor, os efeitos positivos da educação na memória eram mais notáveis em mulheres. 

Essa questão é decisiva na longevidade de uma pessoa quando a perda de memória se transforma em um risco para sua saúde. Esquecer eventos importantes ou onde deixou certos objetos, pode ser o causador de acidentes fatais. 

Covid-19 e outras infecções 

Em um estudo, notou-se que homens depois dos 65 anos começam a perder células que produzem anticorpos em seu sangue. De acordo com a pesquisa, as mulheres não passam pelo mesmo processo. 

Para os pesquisadores, isso está associado a casos graves da covid-19. Afinal, a perda de anticorpos faz com que esses homens sejam propensos a desenvolver inflamações sanguíneas com o passar do tempo. Isso faz com que eles sejam grupos de risco tanto para covid-19, como para outras infecções causadas por vírus. 

Questões de comportamento 

Hábito de fumar 

É cientificamente comprovado que homens fumam mais que mulheres durante a vida. Esse hábito é influenciado por questões de gênero e contato com cigarros desde muito cedo. Devido a isso, é possível explicar por que mulheres vivem mais que homens, já que eles fumam mais e sofrem mais com as consequências disso.  

Lesões

Uma pesquisa a respeito da mortalidade de gênero mostrou que as mortes masculinas ligadas a lesões por violência têm crescido cada vez mais nos últimos anos. Essa questão está relacionada não apenas com o fato de homens serem mais propensos a se envolverem com violência, mas também de irem ao médico com menos frequência.

Violência  

Diversos pesquisadores apontam que homens são mais propensos a se engajarem em atitudes violentas. Além disso, eles são as maiores vítimas de seus atos de violência

Esse fator pode ser notado pela quantidade de pessoas que estão no sistema carcerário do país. No Brasil, segundo Ministério da Justiça, os homens são 95,52% da população carcerária. Além disso, as atitudes violentas do gênero masculino podem ser explicadas por anos de estereótipos e normas que alimentam a desigualdade de gênero.

Acompanhamento médico escasso 

Em estudo publicado em 2021, provou-se que o homem vai em menos consultas e segue menos recomendações médicas que a mulher. Segundo a pesquisa, cerca de 45% dos entrevistados, homens de mais de 18 anos, não participaram de nenhum tipo de consulta ou check-up médico no ano anterior. 

Esse hábito alimenta mais ainda a ideia de que mulheres vivem mais do que homens. 

Mulheres vivem mais que homens no mundo todo 

Os dados são parecidos em todo o mundo, mulheres vivem mais que homens. Mesmo que cada país tenha seus números específicos, a maioria apresenta altos níveis de mortalidade masculina. 

No entanto, em países desenvolvidos, a disparidade na mortalidade é bem menor. Esse dado indica que a diferença de longevidade entre os gêneros pode ter solução. O investimento em educação e cuidados com a saúde dos homens é uma das alternativas.

Buscar entender o porque mulheres vivem mais que homens é o primeiro passo. Lutar contra a evasão escolar  e incentivar campanhas de saúde masculinas são apenas algumas das ações necessárias para mudar essa realidade.