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A religião é uma prática social pública de indivíduos com os mesmos costumes, crenças e valores morais

Religião é um sistema de regras e valores morais estabelecido por meio de crenças que caracterizam um grupo de indivíduos. Um aspecto importante das religiões é servirem de ponte entre o mundo humano e o espiritual. As crenças mencionadas são introduzidas por meio de narrativas que procuram atribuir sentido à vida. Elas também explicam a origem das coisas, como o mundo e o universo. 

O que difere a religião de uma crença particular é o seu caráter público. Ou seja, a religião só é religião enquanto constituída por um grupo expressivo de seguidores. Esses seguidores devem apresentar um comportamento organizado e hierárquico.

A religião se divide em três categorias. Há as mundiais, que são aquelas que possuem seguidores por todo o mundo. Também há as indígenas, caracterizadas por serem menores e restritas a uma nação ou cultura específica. Por fim, temos o novo movimento religioso, que são as religiões que surgiram recentemente.

Foto de Pok Rie no Pexels

Origem do termo

Há uma disputa entre estudiosos romanos sobre a origem do termo “religião” (religio em latim). O famoso orador e filósofo Cícero relaciona a palavra com religere, que significa “ler novamente”, ação muito exercida pelas pessoas religiosas. Já o autor Lactâncio atribui a origem do termo ao verbo religare, que significa “reconectar”. Assim, os fiéis se religariam ao seu deus por meio da fé. O teólogo Santo Agostinho, por sua vez, diz que a palavra “religião” vem de religere (reeleger). Isso porque os religiosos, ao exercerem sua religião, estariam reelegendo a Deus, do qual eles haviam se separado. 

Tipos de religião

No que diz respeito à fé em divindades, a religião pode ser classificada como:

  • Ateia, quando não se crê em nenhuma divindade. Por mais que o ateísmo seja definido muitas vezes como a ausência de religião, ele pode, na verdade, ser uma característica da religião. Esse é o caso do budismo, confucionismo e taoísmo.
  • Agnóstica, quando se afirma ser impossível saber, por meio da razão, se existem ou se não existem divindades. Religiões assim foram criadas por humanistas, como August Comte, fundador da Religião da Humanidade.
  • Deísta, quando se crê na existência de um ou mais deuses. O judaísmo, cristianismo e o islamismo são exemplos de religiões deístas e são também as maiores do mundo.

Entre o Deísmo, há ainda dois tipos de religião:

  • As monoteístas, que creem em um Deus supremo. Esse é o caso das religiões deístas citadas acima e também da umbanda e do candomblé. Essas duas últimas, embora possuam outras figuras divinas, acreditam em um Deus acima de todos os outros.
  • As politeístas, que creem em mais de um deus. O hinduísmo, algumas religiões tradicionais africanas e as religiões da Grécia e Roma antiga são exemplos de politeísmo.
Foto de Karolina Grabowska no Pexels

O papel social da religião

Indivíduos religiosos diferem daqueles que não são por uma série de razões, que podem tanto ser negativas como positivas. Um estudo realizado em 2018 observou que as pessoas que seguiam alguma religião na China, um país majoritariamente ateu, eram mais felizes que aquelas que não seguiam nenhuma religião. Segundo esse estudo, religiões como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo aproximam seus fiéis, o que fazem com esses tenham mais interações sociais e desenvolvam amizades baseadas nos valores morais em comum. O impacto disso é, como Feinian Chein, coautor do estudo, contou ao The Academic Times, que “a religião claramente importa na China de um modo que ficamos bastante surpresos pelo tamanho do efeito que descobrimos”.

Além do aspecto social, a religião também influencia positivamente a vida das pessoas de uma maneira mais intrínseca, pois muitas religiões incluem a prática da meditação, que auxilia no bem-estar do indivíduo. Em adição, a religião também pode ajudar pessoas de classes econômicas mais baixas, pelo seu efeito de “cura” nas situações de dificuldade que enfrentam.

Para além do bem-estar

No entanto, é também necessário que atentemos nos efeitos psicológicos do fanatismo religioso. Enquanto a religião pode ser um caminho para tratar a depressão, por incentivar relacionamentos entre pessoas da mesma crença e criar uma rotina ligada às práticas religiosas que pode servir de motivação para o indivíduo, ela também está ligada a transtornos mentais sérios. Um estudo mostra sua relação com pacientes psicóticos, esquizofrênicos e bipolares, que apresentam delírios ligados à sua crença religiosa.

Além da interação com a saúde mental, a religião também é vista muitas vezes em oposição à ciência. Um estudo, no entanto, mostra que estudantes de áreas como biologia, física e química não são menos religiosos que estudantes de áreas não científicas. A pesquisa mostrou que, na verdade, o que torna alguém menos religioso é estudar áreas que incluem investigação e averiguação dos fatos, em contraponto aos estudantes de áreas aplicadas, como a enfermagem e a educação.

Outro ponto importante a ser abordado é a conexão entre a religião e o preconceito. Como mostrou o estudo publicado na revista Psychology of Religion and Spirituality, pessoas que acreditam que Jesus era branco têm mais chances de desenvolver atitudes racistas. Outro estudo aponta para a maior discriminação contra muçulmanos nos Estados Unidos do que contra árabes, evidenciando que o preconceito contra uma religião é mais predominante do que contra uma etnia.

O que podemos apreender dos pontos positivos e negativos das organizações religiosas é que elas são formadas por pessoas, e pessoas podem ser extremistas ou tolerantes. É essencial que sempre procuremos abraçar a diversidade e respeitar diferentes culturas, para que todos possam coexistir pacificamente.