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Mobilidade ativa é toda a forma de transporte que não é motorizada, geralmente ligada à energia produzida pelo corpo humano

Mobilidade ativa é o ato de se mover usando a energia do próprio corpo. Essa ação está na sociedade desde os princípios da humanidade, exercendo seu papel antes mesmo dos carros serem o centro das atenções. Desde o ciclismo até mesmo a caminhada diária, toda a atividade de locomoção que acontece por meio de energia humana faz parte da mobilidade ativa.

Apesar da mobilidade ativa estar de forma intrínseca no dia a dia humano, ela não é tão discutida e valorizada. Isso porque, muitas pessoas optam por usar suas bicicletas, seus patins ou skates como meio de transporte para o trabalho ou a escola. Porém, a construção das cidades está diretamente voltada ao transporte motorizado feito por carros.

Ainda que exista uma grande discussão sobre como tornar os automóveis mais sustentáveis, a verdade é que a opção mais eco-friendly sempre esteve nos pés das pessoas. A mobilidade ativa está ligada à emissão zero de carbono no planeta, e também a diversos benefícios para a saúde física e psicológica do ser humano.  

Como a cidade dificulta a mobilidade ativa?

As cidades são cercadas e atravessadas por ruas espaçosas, feitas para o conforto dos automóveis e a segurança de quem está dentro do carro. Mas, e aquele que está do lado de fora do automóvel? Milhares de indivíduos andam pelas calçadas todos os dias, a caminho da escola, do trabalho, do mercado e da farmácia. Essas pessoas correm os mais diversos riscos.

No Brasil, grande parte da reclamação de pedestres está ligada ao local que eles estão designados: a calçada. Em algumas regiões as calçadas são pequenas, apresentam falhas, não são acessíveis e também podem ter buracos. Isso dificulta cada vez mais o interesse do indivíduo de praticar a sua mobilidade ativa.

O mesmo cabe para meios de transportes não motorizados, como bicicletas, skates, patins e cadeiras de rodas. A falta de uma ciclovia ou uma ciclofaixa, ou da proteção dessas áreas, pode diminuir consideravelmente o número de pessoas adeptas à mobilidade ativa no dia a dia. Isso cria não apenas uma sociedade sedentária, como também barra soluções acessíveis para a emissão de carbono.

Quais os benefícios da mobilidade ativa?

Os benefícios da mobilidade ativa são vários, e eles podem se apresentar tanto na saúde humana quanto na saúde do planeta. A adoção de uma rotina de caminhadas ou de ciclismo pode melhorar a vida das pessoas significativamente. Por isso, é tão importante que a mobilidade ativa seja estimulada.

Benefícios físicos e mentais

  • Ajuda a manter um peso saudável e perder gordura corporal
  • Prevenir várias condições, incluindo doenças cardíacas, AVC, tensão arterial elevada, câncer e diabetes tipo 2
  • Melhora a aptidão cardiovascular
  • Fortalece os seus ossos e músculos
  • Melhora a resistência muscular
  • Aumenta os níveis de energia
  • Melhora o seu estado de espírito, cognição, memória e sono
  • Reforça o sistema imunitário
  • Reduz o estresse e tensão
  • Aumenta a resistência, força e aptidão aeróbica;
  • Melhora a postura e coordenação
  • Reduz a ansiedade e a depressão.

Benefícios ambientais

Ao escolher ir a uma localidade andando ou por um transporte não motorizado, o indivíduo está optando pela mobilidade ativa. Essa decisão faz toda a diferença quando se trata da questão ambiental no transporte. 

Existe um grande caminho de emissão de carbono relacionado ao uso de automóveis como meio de transporte. O gasto de gasolina, a manutenção do carro privado ou público, ônibus ou táxis, tudo isso coopera cada vez mais para o acúmulo de gases estufa na atmosfera. E apesar da ideia de carros elétricos ser promissora, ela não é tão acessível.

Levando em consideração que um carro emite cerca de 150 gramas de dióxido de carbono por quilômetro. E que todos os anos mais de 7 milhões de pessoas morrem em decorrência da poluição do ar. Uma boa opção para reduzir essas emissões seria o investimento em mobilidade ativa. Afinal, por ser mais acessível, teria uma maior alcance entre a população.

Com uma cidade estruturada para atender as demandas da mobilidade ativa dos indivíduos, as pessoas se sentiriam cada vez mais seguras na prática. O aumento da adesão dessa atividade pode ter um grande impacto positivo se tratando das políticas mundiais contra a mudança climática.

Como implementar a mobilidade ativa nas cidades?

Criação de ciclovias

Criação de ciclovias seguras é uma forma de investir na mobilidade ativa de uma cidade. É comum que seja reservado aos ciclistas apenas uma ciclofaixa curta próxima as avenidas cheias de carro. Isso representa um perigo, já que o risco do ciclista sofrer um acidente se torna bem maior.

Com uma ciclovia, a pessoa que tem como meio de transporte a bicicleta estará mais segura. Isso porque a ciclovia, diferente da ciclofaixa, precisa de uma separação física da área em que os carros passam. Com a criação de ciclovias adequadas ao redor da estrutura urbana, as pessoas podem começar a se sentir mais seguras ao se locomover com meios de transportes não motorizados.

Melhora no espaço do pedestre

O cuidado com as calçadas também é um incentivo a mobilidade ativa do pedestre. Não apenas aqueles que fazem caminhadas, mas também para indivíduos que têm algum tipo de deficiência na locomoção. Muitas vezes essas pessoas se restringem de andar pelas ruas pelo medo de sofrerem algum acidente nas calçadas desgastadas.

Para mudar esse cenário, a ideia é investir em melhorias na estrutura da calçada. Seja em buracos, defeitos, em rampas e na adaptação das calçadas para deficientes visuais.

Aumento do tempo do semáforo

O aumento do tempo do semáforo é benéfico principalmente para indivíduos com dificuldade na locomoção, como idosos, crianças, cadeirantes e outras pessoas com deficiência. Em alguns semáforos o tempo oferecido para o pedestre atravessar é tão curto, que é quase impossível alguém com essas dificuldades se locomover pela região.

Investimento na acessibilidade urbana

Um ponto muito importante para a mobilidade ativa é a acessibilidade. Uma pessoa com deficiência encontra obstáculos diariamente ao tentar se locomover pela cidade. Pode ser por causa de uma rua sem rampa ou uma calçada sem acesso para deficientes visuais, que elas encontrarão dificuldades exercendo a sua mobilidade ativa

A criação de um ambiente abrangente para pessoas com deficiência, PCDs, é um dos passos para a inclusão dessas pessoas no dia a dia de uma cidade. 

Criação de espaços de lazer 

Com o surgimento dos automóveis, das avenidas e das estradas, se tornou cada vez mais difícil a criação de um espaço de lazer para as pessoas na rua. As brincadeiras de criança que eram feitas pelas ruas foram cessando, tirando das novas gerações a experiência de criar um laço de lazer com o espaço urbano. 

Desta forma, a casa e a escola foram reduzidas aos únicos espaços que esses indivíduos podem habitar e se expressar. Sem correr o risco de sofrer algum acidente ou serem vítimas do trânsito. A retomada dessas áreas pode ser fundamental para trabalhar a socialização das novas gerações.

Qual o cenário da mobilidade ativa no Brasil?

No Brasil, cerca de 13 mil ciclistas morreram nos últimos 10 anos, de acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares e do Sistema de Informação de Mortalidade. Já quando se fala de pedestres, eles são quase 19% das mortes no trânsito no país todo. Esses dados mostram como a estrutura urbana está despreparada para a proteção da mobilidade ativa.

Apesar do número de mudanças nesse cenário ter crescido, em relação ao passado, as coisas ainda estão bem lentas. Nos últimos anos o número somado de ciclovias em todas as capitais do país aumentou em 133%. O que ainda é considerado um número baixo se relacionado a países como Amsterdam, que apenas em sua capital de 800 mil habitantes, tem 500 km de ciclovias. 

A mobilidade ativa se mostra uma solução para problemas como a emissão de carbono na atmosfera, mas ela ainda enfrenta os próprios obstáculos. Enquanto ainda houver dificuldades na realização dessa atividade, será difícil para a sociedade colher os benefícios deixados pela mobilidade ativa.