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Manguezal é um ecossistema costeiro que atua como berçário para diversas espécies e protetor contra as mudanças climáticas

Imagem editada e redimensionada de Tarciso Leão, está disponível no Flickr e licenciada sob CC-BY 2.0

O manguezal é um ecossistema típico de regiões tropicais e subtropicais, normalmente definidas como zonas de transição entre o ambiente marinho e o terrestre. Um manguezal é formado por árvores e outras espécies arbustivas que são capazes de resistir ao fluxo marítimo – e, consequentemente, ao sal da água do mar.

O manguezal é a base de um ecossistema biologicamente diversificado, rico e produtivo. Por isso, são lar e local de alimentação de uma série de espécies, muitas das quais estão em extinção. Apesar disso, esse ecossistema costeiro representa menos de 1% de todas as florestas tropicais do mundo. Daí a importância de preservá-lo afinal, ele contribui significativamente para o bem-estar das comunidades costeiras, sendo fonte de renda e de alimentos para milhares de pessoas.

Além disso, o manguezal é de grande importância para a fauna aquática e abriga enorme biodiversidade, com espécies que buscam esse ecossistema para se reproduzirem. O manguezal tem também relevância econômica, com atividades voltadas para a aquicultura, por exemplo. Existem aproximadamente 70 espécies de árvores de mangue identificadas em todo o mundo. Esse tipo de vegetação tem grande relevância para os ambientes litorâneo e marinho.

As árvores de mangue são halófitas, ou seja, plantas que se desenvolvem em condições salgadas. Geralmente lamacento, o solo do manguezal é rico em matéria orgânica, o que permite a adaptação e o desenvolvimento de uma vegetação típica da região. Sua cobertura de costas e pântanos oferece a muitas espécies diversas de pássaros, mamíferos, crustáceos e peixes um habitat único e insubstituível. Além disso, o manguezal preserva a qualidade da água e reduz a poluição por filtragem de materiais em suspensão e assimilação de nutrientes dissolvidos.

Impactos ambientais ao manguezal

A árvore é a base de uma complexa cadeia alimentar marinha e do ciclo alimentar detrítico. À medida que as folhas do manguezal caem nas águas das marés, elas são colonizadas em poucas horas por fungos marinhos e bactérias que convertem compostos de carbono difíceis de serem digeridos em material de detrito, rico em nitrogênio. Os pedaços resultantes, cobertos com micro-organismos, tornam-se alimento para animais menores, como minhocas, caracóis, camarões, moluscos, mexilhões, cracas, mariscos e ostras.

Por sua vez, esses comedores de detritos são alimento para outros animais, como peixes, caranguejos, pássaros e outras espécies na teia alimentar, incluindo o ser humano. Muitas dessas espécies, cuja existência depende de manguezais prósperos, estão em perigo ou ameaçadas. Essa realidade preocupa especialistas, uma vez que o manguezal proporciona inúmeros benefícios para a ecologia marinha, servindo como um verdadeiro berçário para diferentes espécies.

Benefícios do manguezal:

  • É a base de uma complexa cadeia alimentar marinha;
  • Serve como um “berçário” que oferece proteção à prole de diversas espécies que se reproduzem ali;
  • Faz a filtragem e assimilação de poluentes do escoamento das terras altas;
  • Estabiliza sedimentos de fundo;
  • Ajuda a melhorar a qualidade da água;
  • Captura carbono e protege contra mudanças climáticas.

Ação humana é causa da destruição do manguezal

O desenvolvimento e o crescimento populacional continuarão a ter um impacto negativo no habitat dos manguezais, necessário para manter a pesca comercial e recreativa. Com base na análise de fotos aéreas das décadas de 1940 a 1980, um estudo do Indian River, de Sebastian Inlet ao sul até Vero Beach, na Flórida, documentou um declínio de 86% na disponibilidade de habitat de mangue para a pesca durante o período de quarenta anos.

A pressão crescente sobre as populações de manguezal e as quantidades crescentes de poluentes que atingem as águas costeiras e intracostais trouxeram um novo interesse sobre a importância do manguezal para uma ecologia marinha saudável. Como membro natural do sistema estuarino, o manguezal ajuda a mitigar os efeitos ambientais adversos da atividade humana e da poluição.

O manguezal também tem sido destruído pela construção de fazendas de camarão, pelo desmatamento, pelo corte de madeira, pelo lançamento de esgoto, derramamento de petróleo e construção de residências na área. Manguezais afetados pelo desmatamento também apresentaram problemas como erosão do solo e aumento de desastres naturais, como furacões, tsunamis e tempestades com alto poder de destruição, uma vez que as áreas de mangue minimizam o impacto desses fenômenos, sendo uma zona de amortecimento.

Manguezal brasileiro

No Brasil, o manguezal está presente desde o estado do Amapá, no norte, até o estado de Santa Catarina, no sul. O litoral norte possui uma área de aproximadamente 8.000 km quadrados de manguezal. Ao longo do litoral dos estados do Pará e Maranhão, o manguezal forma uma faixa contínua de cerca de 700.000 hectares, ou seja, quase 85% de todo o manguezal brasileiro.

Além disso, o país é dono de uma das maiores áreas de manguezal do planeta, com a maior extensão contínua de manguezal em todo o mundo. Aqui são encontrados quatro tipos de mangue: mangue vermelho, mangue preto, mangue branco e mangue de botão. Para preservar esse rico ecossistema, é importante incentivar algumas medidas, como exploração sustentável, reflorestamento e a manutenção do manguezal. Alguns estados brasileiros, como o Rio de Janeiro, possuem programas de reflorestamento dos mangues e da Mata Atlântica.

Por outro lado, o Código Florestal não segue a mesma linha e pode atrapalhar na preservação dessas áreas. Além disso, a possibilidade de extinção, pelo governo, de resoluções que restringem o desmatamento e a ocupação no manguezal também é motivo de preocupação de ambientalistas, já que são poucos os instrumentos legais de proteção do manguezal brasileiro.

Manguezal protege contra mudanças climáticas

O manguezal é uma proteção natural contra as tempestades tropicais e evita que a água do mar inunde campos agrícolas e os estrague com a alta salinidade. Além disso, também atua como um capturador de carbono azul. Pesquisas mostram que 10% das emissões de carbono causadas pelo desmatamento são fruto da destruição do manguezal. De acordo com um estudo publicado na revista Nature Geoscience, as florestas de mangue costeiras contêm 1.023 mg de carbono por hectare em média.

Outra pesquisa publicada no jornal Functional Ecology estudou as florestas de mangue na Ilha de Hainan, na China, e descobriu que a diversidade de espécies do manguezal aumenta a produção de biomassa e o armazenamento de carbono no solo, com uma média de 537 toneladas de carbono por hectare. A descoberta sugere que florestas de mangue com maior diversidade também têm maior capacidade de armazenamento de carbono e potencial de conservação.

Ao proteger as florestas de mangue existentes e permitir que se espalhem de seus habitats originais, é possível reduzir os efeitos das mudanças climáticas, contando com essa vegetação resistente para armazenar mais carbono da atmosfera. Pesquisas sugerem que o manguezal pode ser melhor estocador de carbono do que os habitats costeiros que estão invadindo – abrindo a possibilidade de que o manguezal combata as próprias causas do aquecimento global. Assim, o manguezal atua como defesa natural da Terra às mudanças climáticas, atacando a própria causa do problema.

No entanto, fatores de mudança climática, como aumento do nível do mar, de tempestades, da temperatura e alteração do regime de precipitação, estão impactando o manguezal em escalas regionais. Mais pesquisas na área são necessárias para permitir que os pesquisadores identifiquem os processos que influenciam a vulnerabilidade e a resiliência do manguezal às mudanças climáticas.

É urgente adotar medidas de proteção desses ecossistemas costeiros como o mangue, não só para preservar a fauna e a flora típicas dos manguezais, mas para, talvez, conquistar mais um aliado do meio ambiente, contra as mudanças climáticas.



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