Altas temperaturas também podem reduzir o tempo necessário para que o vírus se desenvolva no mosquito
Por Marina Sousa – Jornal UFG | As condições climáticas influenciadas pelo El Niño podem favorecer a proliferação do Aedes aegypti e, consequentemente, aumentar o risco de doenças como dengue, zika e chikungunya. Em Goiás, o fenômeno pode provocar temperaturas mais elevadas, baixa umidade do ar e chuvas irregulares, condições que interferem no ciclo de vida do mosquito.
Para o professor de Parasitologia do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás (Iptsp/UFG) Juscelino Rodrigues, temperaturas mais altas também podem aumentar a atividade dos mosquitos adultos e fazer com que as fêmeas busquem se alimentar com maior frequência.
Além disso, o calor pode reduzir o tempo necessário para que o vírus se desenvolva dentro do mosquito, fazendo com que a transmissão possa ocorrer mais rapidamente. “Claro que tem uma faixa ótima de temperatura. Se for quente demais, o mosquito também sofre e pode prejudicar a sobrevivência”.
O professor também destaca que o aquecimento global é um fenômeno diferente do El Niño e pode contribuir, a longo prazo, para a expansão geográfica do Aedes. Regiões anteriormente mais frias, onde o mosquito tinha dificuldade para se estabelecer, podem se tornar mais favoráveis à sua presença.
DENV-3?
Em Goiás, o sorotipo DENV-3 passou a representar mais da metade das amostras positivas monitoradas pela vigilância laboratorial em 2026, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde.
A maior circulação desse sorotipo, porém, não modifica o comportamento do mosquito nem sua capacidade de transmissão. O que muda é o cenário de vulnerabilidade da população: pessoas que já tiveram dengue pelos sorotipos DENV-1 ou DENV-2 podem continuar suscetíveis ao DENV-3, ampliando o número de pessoas sob risco de infecção.
Com o retorno das chuvas, a recomendação é redobrar a atenção dentro e fora de casa. Qualquer recipiente que acumule água pode se tornar um criadouro, incluindo vasos, pratos de plantas, pneus, garrafas, calhas e outros objetos. Plantas aquáticas ou que mantenham água acumulada também exigem atenção especial.
A prevenção depende da eliminação desses possíveis criadouros. Fazer inspeções frequentes, manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas e ralos e descartar corretamente objetos que possam acumular água são medidas importantes para reduzir a proliferação do Aedes aegypti.
Este texto foi originalmente publicado pelo Jornal UFG, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.