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Pela primeira vez na Cúpula do Clima, ministros da Educação e do Meio Ambiente de vários países se reuniram, ao participar do evento “Juntos pelo Amanhã: Educação e Ação Climática”. No Brasil, a educação climática ainda é muito incipiente, mas um recente relatório, publicado pela Education International, destaca as principais recomendações para os formuladores de políticas públicas

Por Raquel Bueno Rodovalho, Ricardo Henriques, Kátia Schweickardt, Tatiana Klix, Ricardo Leal e Fernanda Rennó em Página 22 “Batizei esta série, feita exclusivamente para a coletiva da Pré Bienal de Artes, de “Colorindo a Vida”. São três imagens amazônicas, em que apenas um detalhe em cada uma delas aparece colorido. Com isso, quis transmitir a ideia de que, apesar de todas as dificuldades e agressões latentes na vida, sempre poderemos dar cor e sentido à nossa existência e a tudo que nos rodeia.” Rui Machado, 2012

Em agosto de 2021, o Relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) mostrou a gravidade do aquecimento global e alertou sobre a necessidade de profunda redução nas emissões de carbono. A COP 26 era muito esperada, tanto porque o encontro não aconteceu em 2020 devido à pandemia, mas principalmente porque se buscava maior clareza e soluções para a questão do clima.

Para além desses tópicos, pela primeira vez na Cúpula do Clima, ministros da Educação e do Meio Ambiente de vários países se reuniram no evento “Juntos pelo Amanhã: Educação e Ação Climática”. De forma inédita, a educação climática foi colocada no centro da luta contra o aquecimento global. Assim como a obra do artista Rui Machado que colore essas linhas, o encontro de ministros colore a questão da educação climática. No evento foi discutida a importância da educação climática em todos os níveis educacionais como parte de uma estratégia para criação de soluções para a crise climática.

O ministro da Educação da Itália, Patrizio Bianchi, ressaltou que trabalhar pelo clima significa transformar as escolas, torná-las mais abertas, inclusivas, capazes de formar cidadãos para as complexidades do mundo e capazes de trabalhar para interesses comuns. Falou da transformação do conhecimento, do comportamento, da infraestrutura, das oportunidades. Para ele, quando se fala sobre educação climática, não basta acrescentar uma hora de aula sobre o tema no currículo acadêmico. Mais que isso, é necessário transformar as escolas. Ele reforça que para mudarmos o mundo, temos que começar pelas nossas escolas.

A ativista climática Phoebe Hanson, destacou que a Educação representa uma ferramenta catalisadora para moldar e transformar a sociedade. A educação empodera indivíduos para serem parte de uma mudança positiva. Hanson também pontuou as principais transformações que precisam ser feitas no campo da educação climática, quais sejam:

1- Investir em professores, de todas as áreas do saber e todos os níveis; 2- Educação climática deve ser desenvolvida juntamente com as novas gerações; 3- Integrar a educação climática em todo o currículo, não apenas em matérias de ciências da natureza ou em geografia.

Entretanto, o mundo ainda está bem aquém dessa educação climática desejável. Em pesquisa realizada pela Plan International com estudantes de 37 países, apenas 22% deles receberam informações sobre políticas relacionadas ao clima, e só 11% foram ensinados a participar dos processos de tomada de decisão. Com isso, a maioria não se sente informada ou capacitada para participar das decisões sobre políticas ambientais. Precisamos oferecer mais subsídios às escolas e professores para que abordem, além do impacto das mudanças climáticas em nossas vidas, as dimensões sociais, políticas e de direitos humanos relacionadas à crise.

Estamos em uma década decisiva para a humanidade, e o momento de agir é agora. Jovens e adolescentes estão pedindo ação e estão ocupando um espaço muito importante na transição para uma economia de baixo carbono. Neste sentido, capacitar os nossos professores e transformar nossas escolas, têm um papel de potencializar a ação desses jovens. Precisamos urgentemente de uma mudança educacional que ensine as crianças a cuidar. Cuidar do planeta e cuidar uns dos outros.

Precisamos de uma educação transformadora que ensine não apenas a ciência das mudanças climáticas, mas também a importância de agir para resolver esse complexo problema. Além disso, a educação climática precisa levar em consideração a justiça climática, ou seja, o fato de que diferentes grupos são impactados de forma diversas pelas mudanças climáticas, e grupos já marginalizados, como comunidades indígenas e periféricas, são (e serão ainda mais) os mais atingidos pelos efeitos do aquecimento global.

No Brasil, a agenda da educação ambiental ainda é muito incipiente. Segundo o biólogo Edson Grandisoli, pós-doutor pelo programa Cidades Globais, do Instituto de Estudos Avançados da USP e professor do ensino básico por mais de 20 anos, documentos normativos, como a Base Nacional Comum Curricular, que define as aprendizagens essenciais para toda a educação básica, falam ainda de forma não suficiente sobre o assunto. “O tema da mudança climática é citado apenas três vezes na BNCC, de forma genérica e nada propositivo.”

Em pesquisa realizada na primeira Academia de Ação Climática no Brasil, constatou-se que entre os principais motivos pelos quais os professores não ensinam sobre mudança climática e não se envolvem em projetos para a Ação Climática estão: 1- a falta de projetos de ação climática e a falta de disponibilidade de tempo (45%); 2- a falta de conhecimento sobre mudança climática e a falta de comunidade escolar (25%); 3- a falta de recursos financeiros (17,5%).

Temos, então, a oportunidade de agir e transformar a educação climática nos próximos anos. Um recente relatório publicado pela Education International destaca as principais recomendações para os formuladores de políticas públicas, são elas: 1) financiar, investir recursos e fortalecer os sistemas educacionais como um setor relevante para o clima; 2) priorizar como estratégia climática uma educação de qualidade sobre mudança climática baseada na ciência, orientada para a ação climática e que adote uma abordagem intersetorial da justiça climática; 3) envolver professores e educadores como atores-chave na política climática e na tomada de decisões.

A iniciativa Uma Concertação pela Amazônia, rede hoje formada por mais de 400 lideranças de diferentes setores, tem o propósito de buscar soluções para a conservação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Ela entende que sustentabilidade vai além de conservar a floresta, consiste em unir a sociedade civil, a iniciativa privada e o poder público para promover melhorias sistêmicas na educação e na qualidade de vida no país.

Para isso, foi estruturado um grupo de trabalho dedicado à educação no território da Amazônia Legal. O objetivo maior é o de ​posicionar a educação como um pilar fundamental do desenvolvimento da Amazônia, e para isso as questões climáticas, como em vários outros setores, como em todos os outros setores, são urgentes. Esse esforço abrange uma infinidade de campos a serem explorados, um igarapé fértil e diverso de conteúdo e de vida, de diferentes territórios e identidades que se transformam e se atualizam e que compõem a paisagem amazônica, a paisagem brasileira. São também campos onde respeitadas instituições brasileiras já se dedicam há muitos anos, essas instituições e as redes de ensino da Amazônia Legal estão sendo articuladas para a construção e realização conjunta de ações estruturantes para a Amazônia Legal com repercussões para todo o país e para o mundo.

Nelson Mandela já dizia que “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, e por meio dela poderemos encontrar soluções e/ou nos prepararmos para esse que é um dos maiores desafios da humanidade deste século.

*Membros do Grupo de Trabalho de Educação da iniciativa Uma Concertação pela Amazônia, são respectivamente: Coordenadora de Projetos na plataforma 2811, Superintendente Executivo do Instituto Unibanco, Professora da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Diretora no Porvir, Presidente da Associação C de Cultura, Consultora do Instituto Arapyaú e Coordenadora do Grupo de Trabalho de Educação ​​da rede Uma Concertação pela Amazônia.