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Como trabalho com o meio ambiente, procuro acreditar que os danos ambientais que o mundo sofre hoje serão revertidos — o desmatamento em especial. Manter essa confiança, porém, tem sido bem difícil. Minha preocupação aumenta com o prognóstico de que, em poucos anos, a maior floresta tropical úmida do mundo será transformada em savana.

A floresta amazônica é parte da vida de quem mora lá, mas também influencia a vida de quem mora ao sul. Numa condição ecológica singular, ela contribui com as chuvas que irrigam as lavouras e abastecem os reservatórios. Grandes volumes de água viajam nas nuvens, como se fossem rios voadores. Na prática, é uma transposição de bacia hidrográfica sem custos. Não é de hoje que as matas brasileiras lidam com inimigos. Os colonizadores portugueses foram os primeiros a desmatar para extrair do pau-brasil, a tintura vermelha usada nos tecidos franceses.

Desde então, a ocupação territorial segue etapas previsíveis: desmatar, criar bois e implantar monoculturas agrícolas ou nada além de solo degradado. Hoje, restam apenas 12,4% da área original de Mata Atlântica, segunda maior floresta do país. Esse será o destino da floresta amazônica se as normas de proteção florestal não forem respeitadas, com efeitos negativos sobre o abastecimento de água e a estabilidade do clima no mundo inteiro. Para que isso não aconteça, o desmatamento na Amazônia deverá ser eliminado definitivamente no prazo de sete anos.


Os inimigos das florestas continuam agindo mesmo com as tecnologias de monitoramento e seus alertas. Órgão que monitora a região, o Inpe relata que o desmatamento na Amazônia foi diminuindo entre 2006 e 2018, mas aumentou nos últimos três anos, regredindo a níveis observados em 2008. Talvez a mais arrojada inimiga das florestas, com graves impactos na biodiversidade e no equilíbrio do clima, seja a chamada dieta ocidental.

Não todas as dietas consumidas no ocidente, claro, mas aquela oriunda das grandes monoculturas, baseada em alimentos ultraprocessados e nas carnes. Enquanto o consumo médio dos alimentos não saudáveis aumenta, o consumo de feijão está em queda e o consumo de verduras e legumes continua baixo. Vários setores da economia apoiam a chamada dieta ocidental e, indiretamente, o desmatamento, as mudanças climáticas e a má nutrição.
Dos pampas gaúchos e argentinos às florestas da Amazônia brasileira ou colombiana, há mudanças nas paisagens pela introdução de soja ou de palma africana para produção de óleo, um dos principais ingredientes dos alimentos ultraprocessados – sorvetes, margarinas, creme de avelã e tantas outras gostosuras e travessuras que elevam os registros de obesidade e doenças crônicas relacionadas.

As monoculturas, incluindo a pecuária, vão substituindo as florestas com justificativas heroicas. Sucessivos recordes de produção prometem “acabar com a fome no mundo” enquanto “salvam a economia do Brasil”. Essas frases clichês servem de chantagem e nada mais. Tudo indica que os verdadeiros heróis são aqueles que insistem em produzir e comercializar hortaliças mesmo com poucos incentivos financeiros. Com as monoculturas ocupando territórios recém-desmatados sem critério ecológico, não há floresta que fique livre do fogo — mesmo uma floresta úmida como a Amazônica.


É verdade que a produção agrícola é importante para a economia e todos desejamos vê-la estável e abundante. Os interessados devem, por coerência, proteger e exigir a proteção das condições naturais que garantem a produção de alimentos agora, no futuro e para todos. Uma dessas condições é preservar as florestas locais e o bioma amazônico,
estratégico para os regimes de chuva. Em outras palavras, manter uma produção agrícola comprometida com a alimentação adequada, saudável, acessível, estável e com impactos ambientais positivos.


O papel dos consumidores é central na preservação das florestas e de todo o meio ambiente. As escolhas alimentares têm consequências para a própria saúde e para o destino do planeta. A primeira ação é conhecer a origem dos alimentos que se compra: eles são produtos de processos predatórios e poluidores ou de processos que respeitam a
ecologia e o bem-estar animal? Na hora das refeições, privilegiar as hortaliças e as preparações culinárias, consumir carnes em quantidades modestas e eventuais, evitando os alimentos ultraprocessados. Tudo isso pode ser feito com muito prazer e consciência.