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Muito além da rolha e do quadro decorativo: cortiça é um material versátil, sustentável e cheio de possibilidades

Imagem de Gino Crescoli por Pixabay

A cortiça é uma das matérias-primas mais ricas, sustentáveis e, infelizmente, subestimadas da natureza. É a casca externa de um tipo de carvalho perene, nativo da região mediterrânea, chamado sobreiro (Quercus suber). O sobreiro demora 25 anos até poder ser descortiçado pela primeira vez. A cortiça obtida dessa primeira extração recebe o nome de virgem, sendo diferenciada do material extraído nas triagens seguintes: a secundeira (segunda extração) e a amadia (terceira extração adiante). A última, no entanto, é considerada de melhor qualidade e é utilizada na fabricação de rolhas de vinho. Após essa fase, a cortiça será extraída novamente a cada nove anos.

O sobreiro é abundante em Portugal, Espanha, em algumas regiões do sul da França e da Itália e no norte da África. A árvore tem geralmente cerca de 18 metros de altura e uma cabeça larga, de topo redondo e folhas verdes brilhantes. A decapagem repetida da cortiça é possível porque a casca interna do sobreiro desenvolve um tecido regenerativo, uniforme e contínuo.

Depois de a casca exterior ter sido descascada, este tecido prolifera células de cortiça suficientes para o exterior de modo que, numa árvore saudável, uma nova cobertura de cortiça uniforme se forme de três a dez anos. A remoção desta camada regenerada produz placas de cortiça comercial. A vida útil de um sobreiro pode chegar a 300 anos.

A singularidade da cortiça deriva da sua estrutura de células cheias de ar, cada uma das quais constituída por um compartimento flexível. Tais células constituem um meio isolante extremamente eficaz, que também é impermeável a líquidos. Por isso, é o material ideal para promover isolamentos térmico e acústico. Quadros de cortiça também são comuns.

Graças à sua matriz interna de bolsas de ar, a cortiça também está entre os materiais naturais mais leves que existem no mercado. Os plásticos e outras substâncias artificiais superaram a cortiça em várias das suas utilizações anteriores, mas ela manteve a sua importância tradicional na produção de rolhas de garrafas de vinho e outras bebidas alcoólicas.

Cortiça é um material versátil e sustentável

Embora seja desconhecida por muitas pessoas e bastante subestimada, a cortiça é um material sustentável e muito versátil. Os antigos egípcios, gregos e romanos a utilizavam com regularidade em construções, calçados e navios. Com o aumento da procura por alternativas sustentáveis, que causem menos impactos ambientais, ela volta aos poucos a ter o destaque que merece.

A colheita da cortiça não causa danos à árvore em si, uma vez que não ela não sofre cortes e que a parte viva do sobreiro permanece intacta. Trata-se de um processo completamente regenerativo, o que torna o material uma das opções mais ecológicas entre as disponíveis. Antigos sobreiros são encontrados em Portugal, Espanha, Itália, sul da França, Marrocos, Tunísia, Argélia e Turquia. Portugal é o maior produtor mundial, de onde vem metade de toda a cortiça do mundo.

Os sobreiros também dispensam fertilizantes, pesticidas, irrigação e poda. Em Portugal, essas árvores armazenam 17.500 toneladas de carbono na biomassa acima e abaixo do solo. Depois que a casca é colhida, a árvore absorve até cinco vezes mais dióxido de carbono do que o normal para ajudar no processo de restauração. O sobreiro libera tanto oxigénio que é conhecido em Portugal como “pulmão” do meio ambiente.

As plantações e florestas de sobreiro são alguns dos ambientes com maior biodiversidade de todo o planeta. As espécies ameaçadas de extinção, como o lince ibérico e o veado-berbere, dependem do ecossistema do sobreiro. Como material, a cortiça é totalmente natural e biodegradável.

O que fazer com a cortiça

À medida que as tampas de rosca de plástico e metal foram se tornando populares, Portugal, como maior produtor de cortiça, se viu forçado a apostar na diversificação do material para o mercado. Essa nova necessidade criou uma longa lista de novas utilizações, uma vez que a cortiça possui propriedades térmicas e acústicas, é livre de resinas sintéticas e materiais cancerígenos, é resistente à abrasão e pode atuar como retardante de chamas. Além disso, é totalmente impermeável e resiste muito bem a intempéries. Isso sem falar na parte estética, que confere a edifícios um toque de natureza, com tons terrosos e textura diferenciada.

Essas propriedades foram responsáveis pela escolha da cortiça no piso xadrez da Biblioteca do Congresso e pelo isolamento dos ônibus espaciais da NASA. Como isolante natural, os pavimentos em cortiça regulam a temperatura ao longo das estações e reduzem a conta de energia, sendo eficaz também para isolamento acústico. É durável e pode ser lixada e polida para evitar ou reduzir riscos e eventuais desgastes.

Além disso, o material pode servir para fazer painéis isolantes, ladrilhos, azulejos, capa de livros, artesanato, roupas, instrumentos de sopro, bolas de beisebol, calçados e muitos outros objetos. Quer mais? A elasticidade, durabilidade e impermeabilidade da cortiça também garantem que ela funcione como um excelente substituto do couro em bolsas e carteiras. Agora que você já conhece as incríveis propriedades da cortiça, que tal apostar nesse material cheio de possibilidades e sustentável para suas próximas ideias?



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