O que são poluentes climáticos de vida curta?

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Apesar de se dissiparem rapidamente, constituem riscos cada vez maiores

Os poluentes climáticos de vida curta (PCVC) (short-lived climate pollutants - SLPC - em inglês) são chamados assim por ser um grupo de poluentes atmosféricos que possuem uma vida relativamente curta na atmosfera, ou seja, demoram dias ou décadas para se dissiparem no ar. Os principais poluentes desse grupo vêm chamando atenção mundialmente devido aos seus efeitos nocivos à saúde e meio ambiente. Os principais representantes são carbono negro, metano, ozônio troposférico e os hidrofluorcarbonetos (HFC). Vamos entender um pouco mais sobre cada um deles:

Carbono negro 

Suas partículas são formadas pela combustão incompleta de combustíveis fósseis e biomassa. Pode ser emitido por diversas fontes, como carros, caminhões e maquinários a diesel; olarias e indústrias que utilizam carvão; incêndios florestais e queimadas agrícolas e até em casa, ao cozinhar e ao utilizar aquecedores.

O impacto que o carbono negro causa no meio ambiente quanto ao aquecimento global é cerca de 460 a 1,5 mil vezes maior que o CO2. Além disso, impacta no padrão regional de precipitações devido à influência na circulação das nuvens, ao deixá-las mais pesadas devido à fuligem que vai se impregnando nelas. E mais: faz com que as nuvens absorvam parte da luz solar que incide, e acaba chegando à Terra uma luz “mais esmaecida”.

Quando depositado no gelo ou na neve, o carbono negro aumenta a taxa de derretimento, mas o que mais preocupa é o fato de ser um dos principais componentes do material particulado, que é a uma das causas cruciais de morte prematura no mundo devido ao fator ambiental.

Tempo de vida na atmosfera: dias a semanas.

Ozônio troposférico 

Chamado dessa maneira, pois está presente na parte mais baixa da atmosfera e sua presença acarreta em impactos negativos para os ecossistemas e para o ser humano. O O3 troposférico não é diretamente emitido, mas sim formado pela presença de luz solar com outros poluentes, chamados de percursores do ozônio, que são: metano (CH4), monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NO e NO2) e compostos orgânicos voláteis (COVs) não-metano. Esses percursores podem ser carregados pelo globo, fazendo com que sejam um problema de poluição de escala global. Além disso, o O3 traz sérios danos para as plantas e para a agricultura por reduzir a fotossíntese, a habilidade das plantas de sequestrarem carbono e a saúde e produtividade das plantações. Para o ser humano, causa mais de 150 mil mortes prematuras todo ano e milhões de doenças crônicas, principalmente em crianças e idosos.

Tempo de vida na atmosfera: semanas.

Metano (CH4)

Gás estufa 20 vezes mais potente que o CO2, produzido naturalmente pela decomposição de plantas, seres vivos e resíduos, mas também emitido por muitas fontes artificiais como: minas de carvão, sistema de gás natural e petróleo, aterros sanitários, pecuária, cultivo de arroz e tratamento de água e de resíduos. As emissões desse gás pelas atividades humanas (cerca de 60%) é um dos mais expressivos condutores das mudanças climáticas, impactando indiretamente nos ecossistemas e na saúde humana além do seu papel de percursor do ozônio.

Tempo de vida na atmosfera: 12 anos.

Hidrofluorcarbonetos (HFC) 

São gases do efeito estufa fluorados artificiais que rapidamente se acumulam na atmosfera. Começaram a ser usados como substitutos dos CFCs para aparelhos de ar condicionado, refrigeração, retardadores de chamas, aerossóis e solventes. Apesar de representarem uma pequena fração dos atuais gases de efeito estufa, o impacto é particularmente forte no aquecimento atmosférico e, se não forem controlados, poderão ser responsáveis por quase 20% da poluição climática até 2050.

Tempo de vida na atmosfera: 15 anos.

Alternativas

Segundo o informe feito pela Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os PCVC são responsáveis por mais de 30% do aquecimento global atual, com impactos nas áreas urbanas e regiões sensíveis do mundo, na saúde e no ambiente.

A redução deles, de acordo com o Pnuma, protegerá a saúde humana e o ambiente atual e reduzirá a taxa das alterações climáticas. Reconhecendo que a mitigação dos impactos desses poluentes é crucial, uma das alternativas encontradas, em curto prazo, foi a união dos governos de Bangladeche, Canadá, Gana, México, Suécia e Estados Unidos com o Pnuma e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), que criaram a Coligação do Clima e do Ar Limpo para Reduzir os Poluentes Climáticos de Vida Curta (CCAC), que tem como objetivos:

  • Estratégias de mitigação;
  • Melhorar e desenvolver novas ações nacionais e regionais, incluindo através da identificação e da superação de barreiras, melhorando a capacidade e mobilizando o apoio;
  • Promover as melhores práticas e apresentar esforços bem sucedidos;
  • Melhorar o entendimento científico dos poluentes climáticos de vida curta e as estratégias de mitigação.

Segundo nota do Banco Mundial, entre 2007 e 2012, foram destinados aproximadamente US$ 18 bilhões para iniciativas que reduziram as emissões dos PCVC, mas o relatório Integration of Short-Lived Climate Pollutants in World Bank Activities sugere que mais pode ser feito.

Alguns exemplos de projetos que reduzem os PCVC são: projeto de desenvolvimento sustentável rural do México, que recebeu a instalação de 300 biodigestores em pequenas propriedades, especialmente de suinocultura, para a geração de energia. Dessa forma, reduziu emissões de metano dos dejetos dos animais e da queima de diesel nos geradores tradicionais. Outro projeto no sudeste asiático trocou os tradicionais fornos por modelos mais modernos, que não precisam queimar carvão, madeira ou resíduos agrícolas.

No Brasil, há projetos de gerenciamento de resíduos sólidos com reaproveitamento da energia do metano gerado e de financiamento de carbono.

Essas medidas e incentivos de financiamento proporcionam uma qualidade melhor para o nosso ar e cabe a nós cobrarmos mais projetos que tenham como objetivo essa redução. Segundo as proporções da CCAC, essas primeiras medidas de ações rápidas para reduzir PCVC irão evitar 2,4 milhões de mortes prematuras até 2030 e cerca de 32 milhões de toneladas de perda de safra por ano.

Uma alternativa que está ao nosso alcance para a diminuição de PCVC, como o metano, é o uso de composteiras domésticas para um melhor destino do nosso resíduo. Clicando aqui você pode ver qual é o melhor tipo para sua casa - também é possível adquiri-la na nossa loja virtual.


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