Conheça os prós e contras das técnicas da captura e armazenamento de CO2

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A tecnologia de captura e armazenamento de CO2 está a favor da preservação da vida no planeta?

O avanço tecnológico que, no século XVIII, desencadeou a Revolução Industrial, hoje está mais disperso, direciona-se a outros fins e se esforça em encontrar soluções perante o problema de mudanças climáticas ligadas ao aumento de concentrações de CO2 na atmosfera. Entretanto, mesmo desenvolvidas com o intuito de preservar a vida humana no planeta, as tecnologias nem sempre estão livres de malefícios. Devido a isso, muito tem se discutido a respeito das tecnologias de captura e armazenamento de carbono.

O CCS - Carbon Capture and Storage - surgiu como uma tecnologia capaz de amenizar o impacto das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, diminuindo a concentração de CO2 presente nas emissões das fábricas. Em 2005, alguns cientistas e o próprio IPCC apontaram o CCS como mecanismo de mitigação não único, mas imprescindível. Contudo, para outros, essa tecnologia apenas veio para reforçar o uso de combustíveis fósseis nos meios de produção das indústrias tradicionais.

Somado a isso, novas tecnologias de captura de CO2 diretamente da atmosfera prometem ter maior eficiência e aplicabilidade do que as tecnologias tradicionais de CCS, acirrando ainda mais o debate.

Existem prós e contras quando se fala na tecnologia de captura de carbono - CCS. O primeiro ponto contra, e provavelmente o mais importante, é que até o efetivo desenvolvimento e disseminação da tecnologia de captura, muito combustível fóssil ainda será queimado. Este fator faz com que muitos cientistas duvidem da validade dessa solução tecnológica, uma vez que a própria existência do CCS pode reforçar um aumento no uso desses combustíveis. Em 2007, ONGs se juntaram na produção de um relatório que delatava a contrariedade que essa prática de captura representava para a solução das mudanças climáticas.

Contudo, aqueles a favor da disseminação do CCS defendem que o uso de combustíveis fósseis, embora tenham que ser substituído, está longe de acabar. Segundo John Thompson, da Fossil Fuel Transition Project da Clean Air Task Force, o uso de combustíveis fósseis continua aumentando e uma tecnologia que evitasse que o CO2 fosse para a atmosfera poderia desempenhar um importante papel ainda que não fosse a melhor solução.

Outro custo, além do energético, que é fator contrário às tecnologias de captura são os elevados investimentos necessários. Para conter o aquecimento global na meta de 2 °Celsius, seriam precisos mais de 100 projetos de CCS eliminando 270 milhões de toneladas de poluição de CO2 por ano até 2020, de acordo com a Agência Internacional de Energia, mas os custos dessa ampliação não atraem as grandes indústrias. Assim, soltar o CO2 na atmosfera é muito mais barato.

Ainda, para além das dificuldades dessa tecnologia de captura, o armazenamento também passa a ser pauta de debate. Existem riscos envolvendo as técnicas de armazenamento geológico do CO2. Bombear a altas pressões pode incorrer em terremotos causados pelo homem ou até mesmo em vazamentos acidentais.

Para cientistas como Peter Eisenberger - um dos fundadores da Global Thermostat - uma tecnologia que não retira o CO2 da atmosfera não é sustentável. Nas palavras de Eisenberger “Por que gastar tanto tempo, energia e ingenuidade chegando com soluções que não são realmente soluções?”. Segundo ele, apenas a tecnologia que retire o CO2 já presente no ar poderia ser a solução chamada “carbono-negativo” e viabilizar a comercialização do gás comprimido no mercado de carbono ao passo que impulsionaria as novas fontes de energias renováveis.

Assim, a tecnologia que retira o CO2 diretamente do ar surge com a promessa de resolver muitos dos problemas em torno do CCS . Ao contrário da captura tradicional, a nova tecnologia não precisa ser acoplada diretamente nas fontes poluidoras para seu funcionamento. Como a captura é feita através da atmosfera, o carbono capturado é proveniente de vários tipos de emissões como as de carro ou avião - transportes responsáveis por metade da liberação de gases do efeito estufa no planeta. Dessa forma, diferentemente das técnicas de capturas tradicionais que exigem uma remodelagem do complexo industrial, a nova tecnologia pode ser mais facilmente instalada.

Além disso, os defensores da captura pela atmosfera afirmam permitir uma redução significativa dos custos e dos gastos energéticos, uma vez que não precisa de elevadas temperaturas e concentrações para o seu funcionamento. A tecnologia também tem outras vantagens como processos comprovados, maior pureza do gás CO2 e maior flexibilidade na localização.

Sendo assim, as técnicas de captura CCS, ao mesmo tempo em que aparecem como uma ajuda extremamente importante, apresentam consequências a serem ponderadas. Embora a captura pelo ar pareça diminuir muitas dessas consequências ou dificuldades de implementação da tecnologia de captura e armazenamento, o fato de que as fontes de energia devem ser substituídas não muda. A tecnologia de captura e armazenamento não está livre de críticas e manipulações. Os governos e alguns cientistas defendem sua utilização com o fim de mitigação enquanto outros cientistas e algumas ONGs se contrapõem. A realidade é que para que essas tecnologias de captura - CCS ou diretamente do ar - sejam bem sucedidas, a escala de utilização tem que aumentar drasticamente e, para isso, ainda faltam, nas palavras de Graciela Chichilnisky, “dinheiro e vontade”.


Fontes: Yale Environment 360 e IPCC



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